BANCO DE DADOS

Banco de Dados: Trabalho e Emprego através dos Classificados dos Jornais1

Wânia R. C. Gonzalez* e Lúcia R. S. da Silva Prado**

* Wânia R. C. Gonzalez é chefe do Centro de Análises, Estudos e Pesquisas do Departamento Nacional do Senac, graduada em Sociologia e doutora em Educação pela Faculdade de Educação da UFRJ.

**Lúcia R. S. da Silva Prado é técnica do Centro de Análises, Estudos e Pesquisas do Departamento Nacional do Senac, graduada em Sociologia e mestre em História pela PUC.

O Departamento Nacional do Senac tem efetuado, através de pesquisas, um permanente trabalho de adequação e avaliação da eficácia de suas ações, num esforço contínuo de compreensão das transformações ocorridas na relação entre o mercado e o perfil exigido do trabalhador.

Cientes da impossibilidade da realização de pesquisas de mercado que sirvam de apoio à elaboração dos planos de cursos e ao incremento das programações ofertadas em todas as Administrações Regionais que compõem o Sistema Senac,2 temos realizado esse acompanhamento através dos anúncios de oferta de trabalho e emprego publicados nos classificados dos jornais das capitais dos estados do Brasil.3

Tal acompanhamento redundou no "Banco de Dados: Trabalho e Emprego", cujo objetivo é fornecer informações atuais acerca dos atributos requeridos aos trabalhadores pelos empregadores nacionais, identificando e caracterizando as ocupações existentes e as mais demandadas pelo mercado. Essas informações adquirem relevância na medida em que fornecem subsídios para a elaboração do perfil de conclusão dos alunos de diferentes cursos.

O processo de inclusão das informações no Banco de Dados ocorre a partir da leitura dos anúncios, quando são selecionados para análise apenas as ocupações do setor terciário da economia, ou seja, aquelas voltadas para comércio e serviços. Feita a seleção, os campos que compõem a base do Banco de Dados são preenchidos. Esses campos foram criados para possibilitar a aferição de aspectos fundamentais para compreensão da dinâmica de transformações das demandas do mercado de trabalho.

Desta forma, os campos que compõem a base do banco de dados auxiliam na observação das ocupações que estão sendo disponibilizadas, verificando as mais demandadas, e possibilitam a compreensão de seus atributos, ou seja, aquilo que de modo geral caracteriza e especifica cada uma das ocupações na compreensão do empregador. Esses campos são: ocupação, especificação, exigências, tarefas e perfil. Os campos ocupação, especificação, tarefas e perfil, apresentam-se como variáveis em aberto, enquanto o campo exigências desdobra-se em outros campos codificados.4

Para maior agilidade no processo de digitação, tendo em vista o grande número de anúncios e informações a serem registrados — que chegam até 900 por jornal — e uma melhor organização do Banco de Dados, optamos pela utilização de apenas um jornal de cada capital, referente a um único domingo por mês, no período de janeiro a fevereiro de 2001.5 São eles:

A Crítica (de Manaus - AM);

O Liberal (de Belém - PA);

Meio Norte (de Teresina - PI);

Tribuna do Norte (de Natal - RN);

Diário do Nordeste (de Fortaleza - CE);

Diário de Pernambuco (de Recife - PE);

Correio da Paraíba (de João Pessoa - PB);

Gazeta de Alagoas (de Maceió - AL);

A Tarde (de Salvador - BA);

Correio Braziliense (de Brasília - DF);

O Popular (de Goiânia - GO);

A Gazeta (de Cuiabá - MT);

A Gazeta (de Vitória - ES);

O Estado de Minas (de Belo Horizonte - MG);

O Dia (do Rio de Janeiro - RJ);

Folha de São Paulo (de São Paulo - SP);

Gazeta do Povo (de Curitiba - PR);

Zero Hora (de Porto Alegre - RS);

Diário Catarinense (de Florianópolis - SC).6

Ao final do processo de digitação dos meses de janeiro e fevereiro de 2001 foram registrados 34.289 anúncios, referentes a oferta de emprego nas mais diversas áreas. Várias delas possuíam descrições parecidas, mas escritas de forma diversa nos anúncios. Para que pudéssemos tabular7 e analisar todas essas informações foi necessário o agrupamento de ocupações semelhantes entre si — caso, por exemplo, da ocupação de vendedor, em que incluímos todas aquelas que se referiam a vendas: assistente de vendas, auxiliar de vendas, chefe de vendas, consultor técnico de vendas e outras —. O mesmo procedimento foi adotado nas demais ocupações.8

Nesta análise iremos apresentar os primeiros resultados de 2001,9  trabalhando com as 10 (dez) ocupações mais demandadas em nossos registros dos meses de janeiro e fevereiro, as quais estão especificadas a seguir em ordem decrescente de freqüência:

Vendedor, operador de telemarketing, assistente comercial, modelo, atendente, contador, cozinheiro, profissional de Tecnologia da Informação (Ti), professor e costureira.

Cada uma delas — com exceção de modelo e professor10 corresponde ao resultado de agrupamentos, de acordo com as características já esclarecidas (ver o quadro das agregações).

A ocupação mais demandada nos classificados dos jornais no período pesquisado foi a de vendedor, representando 17,59% do total dos anúncios digitados e em números absolutos totalizando 6.032 anúncios. A ocupação em foco é mais procurada nos estados de São Paulo, Distrito Federal e Bahia.

No conjunto dos empregadores que procuram por esse profissional, apenas 8,2% preferem o sexo feminino para o exercício desta ocupação, sendo que, 89,8% não explicitam a preferência por um dos sexos. Grande parte dos anúncios não exige experiência profissional e somente 37,5% requisitam a experiência mínima de um ano. As exigências de escolaridade são mencionadas num grupo reduzido de anúncios, 24,6% pedem 2º grau (cursando ou completo), enquanto 45,8% não exigem escolaridade mínima. Os conhecimentos de informática não são considerados como um requisito essencial ao desempenho dessa ocupação, na medida em que 97,4% dos anúncios não fazem referência a esse tipo de qualificação. A maioria dos anúncios, 87,8%, também não menciona a remuneração dos vendedores requisitados. As especificações das ocupações contidas nos anúncios denotam as múltiplas possibilidades de atuação desses profissionais, tais como: autônomo; divulgador; externo; auxiliar, assistente, representante, promotor, supervisor e gerente de vendas; a domicílio; de lojas; pracista; revendedor. Os vendedores são requisitados para atuar nos seguintes setores:

alimentício; de bebidas; automobilístico; mobiliário; assinaturas de revistas, jornais e TV; moda; informática, e outros. No tocante às exigências de perfil são solicitadas as seguintes características: boa apresentação, dinamismo, espírito de equipe, fluência verbal, e ter habilitação, carteira de clientes e disponibilidade para viagens.

A segunda ocupação mais demandada é a de operador de telemarketing, representando 12,74% do total de anúncios e em números absolutos 4.369. São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul são os estados que mais procuram o operador de telemarketing.

Assim como na ocupação anterior, a maioria das solicitações, 96,8%, não faz qualquer referência à preferência do sexo do profissional a ser contratado. Entretanto, apenas um aspecto difere da ocupação anteriormente analisada: a necessidade de experiência profissional. Mais da metade dos solicitantes, 54,7%, exige experiência profissional mínima de um ano. A maioria, 94,6%, não exige conhecimentos de informática. No tocante à escolaridade, 39,8% solicitam o 2º grau e 36,7% pedem pelo menos o 1º grau. A maioria dos anúncios, 88%, não menciona a faixa salarial e são variadas as especificações encontradas nos anúncios para o operador de telemarketing, como por exemplo: auxiliar; operador; telefonista; atendente; supervisor e gerente. Atuação em vendas de impacto de cartões de crédito, filantropia e televendas por indicação são algumas das atividades a serem desempenhadas pelos profissionais requisitados. As características que definem o perfil do profissional procurado são: boa dicção, fluência verbal e entusiasmo.

Assistente comercial é a terceira ocupação mais procurada nos classificados, totalizando 6,51% e 2.235 anúncios. Convém ressaltar que o estado de São Paulo é o responsável por 84,6% da demanda desses profissionais.

Apenas 19,7% dos solicitantes dessa ocupação especificam preferência pelo sexo feminino, enquanto a maioria, 77,9%, não manifesta preferência em relação a esse aspecto. Também é elevado o percentual de anúncios, 67,2%, que não exigem experiência profissional prévia dos candidatos, e somente 26,6% pedem, pelo menos, um ano de experiência. As exigências de escolaridade, 2o grau completo ou cursando, são efetuadas apenas por 34% dos anúncios e quase a metade desses, 44,2%, não exigiu nenhuma escolaridade. Embora 99% das ofertas sejam para trabalho não autônomo, 8,6% não exigem referência e 98,5% não pedem registro profissional. Nos anúncios foram encontradas as seguintes especificações para os profissionais procurados: assessor, contato, demonstrador, fiscal e gerente de loja; representante e promotor. Esses profissionais irão atuar em feiras, eventos, pontos de venda, postos de gasolina, lojas de setores diversos; prestação de serviços e assessoria jurídica. Os atributos que devem compor o perfil do assistente comercial são semelhantes aos das duas ocupações analisadas anteriormente; além das exigências gerais, pede-se carteira de clientes, fax, celular e até escritório próprio.

A ocupação de modelo representa 5,26% dos registros efetuados em nossa Base de Dados, totalizando 1.804 anúncios. A maioria dos anúncios que solicita esses profissionais se concentra nos estados de São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro. Em 100% dos anúncios analisados não há exigências quanto a escolaridade, referências e registro profissional. A maioria dos anúncios, 99,9%, não menciona a faixa salarial, apenas 8,8% manifestam preferência por pessoas entre 18 e 25 anos e são requisitadas moças, rapazes, crianças e bebês. As especificações aparecem em número reduzido e englobam atividades de manequim, figurante e artista. Esses profissionais deverão atuar em: comerciais; cinema; teatro; desfiles; feiras; ensaios fotográficos.

A procura pela ocupação de atendente se manifesta em 3,87% das solicitações de empregos analisadas, totalizando 1.329 anúncios. São Paulo, Bahia e Distrito Federal são os estados que concentram o maior número de anúncios para essa ocupação.

A maioria dos solicitantes, 87,4%, não apresenta preferência por sexo, apenas 7% preferem o sexo masculino, e 5,6% o sexo feminino. Mas, no que se refere à variável escolaridade, observamos que as exigências são maiores do que as das quatro primeiras ocupações analisadas, 30,9% exigem o 3º grau (cursando ou completo), 29,7% o 2º grau e apenas 22,9% não exigem escolaridade.

A maioria dos anúncios, 97,7%, não pede referências e 97,8% não solicitam conhecimentos de informática. No que se refere à remuneração desses profissionais, 85,3% não esclarecem a faixa salarial, apenas 7,5% oferecem entre três e seis salários-mínimos, 6,6% entre um e três. As especificações da ocupação englobam atividades de atendimento ao cliente, semelhantes as de recepcionista, balconista, frentista, operador de atendimento, e call center. O perfil desse profissional é pouco específico, aparecendo algumas referências a vontade de trabalhar e dinamismo, comunicação e boa aparência.

Contador representa 3% da demanda por ocupações registradas em nosso Banco de Dados, totalizando 1.030 anúncios. Em termos absolutos, é mais requisitado pelos estados de São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal. Embora 96,4% dos anúncios não façam referência à exigência por sexo, quando o fazem (2,35%) é para especificar a preferência pelo sexo feminino. Apenas 7,9% solicitam usuários de Windows, o que demonstra o pouco impacto da informática sobre essa atividade. Suas especificações demonstram que é um profissional requisitado para atuar nas áreas de administração, contabilidade, crédito e cobrança, escrita fiscal de empresas, que em termos de escolaridade exigem, em 51,4% dos anúncios, apenas o 2º grau, completo ou em curso, com noções de inglês e experiência de pelo menos um ano (53,75%) e, em 16,3% dos casos, jovens entre 18 e 25 anos.

Representando 2,93% dos anúncios — 1.007 — aparece a ocupação de cozinheiro. Atuando em restaurantes das mais diversas especialidades, cozinhas industriais, bufês e pizzarias, as exigências mais significativas feitas ao profissional que se candidate a essa ocupação é que tenha referências — 92,8% — e experiência comprovada de pelo menos um ano — 59,7%. O nível de escolaridade é citado apenas por 48,2%, pedindo o 1º grau. Não há qualquer exigência quanto ao uso de informática, e poucos ao salário — 4,8% oferecem de um a três salários-mínimos, mas 93% não o mencionam. Em termos absolutos, os estados que mais requerem esse profissional são: São Paulo, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. Sendo uma ocupação, às vezes, associada ao sexo feminino é curioso observar que, embora 79,8% dos anúncios não façam menção à preferência por sexo, 12,1% solicitam homens para esta ocupação.

Pouco abaixo do cozinheiro, com 994 registros, representando 2,89% dos anúncios, encontra-se o profissional de Tecnologia da Informação. São solicitados para atuarem no atendimento ao usuário, no desenvolvimento de sistemas, na administração de bancos de dados e, de forma geral, precisam ter conhecimentos de inglês, dinamismo, disponibilidade para viagens e iniciativa. A exigência pelo nível de escolaridade aumenta para esta ocupação — 34,4% pedem 3º grau completo ou em curso —, formando um contraponto interessante com a ocupação descrita anteriormente, já que ambas representam percentagens tão próximas de demanda do mercado, atendendo a perfis profissionais bastante diversos. Na ocupação de cozinheiro, baixa a exigência de escolaridade e nenhum impacto da informática, na posição seguinte de demanda no mercado, uma ocupação de alto grau de escolaridade e impacto da informática — 55% dos anúncios para o profissional de TI solicitam conhecimentos variados nessa área. É curioso também que os estados que mais solicitam esses profissionais sejam os mesmos que mais procuram por cozinheiros: São Paulo, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.

A seguir, encontramos a demanda por professores, principalmente nos estados de São Paulo, Distrito Federal e Bahia, representando 2,77%, com 953 anúncios registrados. Atuando em áreas de ensino diversas, desde a educação infantil, fundamental e média, ao ensino superior, e também em cursos de idiomas, surgem solicitações para atuação tanto no ensino presencial — até domiciliar — quanto em educação a distância, apesar da maioria, 94,3% dos registros, não fazem exigências quanto ao conhecimento e uso de informática. 47,8% não mencionam grau de escolaridade, mas 39,7% pedem o 3º grau completo, o que pode demonstrar uma tendência de crescimento de exigência de um profissional mais bem preparado, também, para atuar em níveis mais elementares da educação formal. O professor deve ser, sumariamente, dinâmico, criativo, comunicativo e de fácil relacionamento.

Por último, dentro do nosso quadro de análise das dez ocupações mais demandadas no registro dos meses de janeiro e fevereiro de 2001, encontra-se a ocupação de costureira. Embora estejam reunidas, para fins de registro e análise, sob a mesma designação, representando 2,61% dos registros com 898 anúncios, esta ocupação caracteriza-se, principalmente, pela grande fragmentação das atividades que a compõe, que pode ser verificada na lista de suas especificações. Assim, a costureira pode ser desde chefe de confecção, coordenando inúmeros profissionais e atividades, até arrematadeira que se ocupa apenas do acabamento final das roupas.

Tal como para o cozinheiro, no caso da costureira também é mais importante para o mercado a experiência desse profissional, do que o seu grau de escolaridade: 53,5% não mencionam o nível de escolaridade exigido, mas 73,8% exigem experiência de pelo menos um ano. Deve ter envolvimento com moda e criatividade e, como profissão tradicionalmente feminina, ainda encontramos 28,5% da solicitação dos anúncios para esse sexo. Os estados onde essa ocupação é mais demandada são: São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

Conforme anteriormente esclarecido, adotamos, nos registros dos meses de janeiro e fevereiro de 2001, as agregações por ocupação, procurando minimizar diferenças de nomenclaturas regionais e agilizar o processo de digitação dos dados. Porém, diante da constatação da importância que o Banco de Dados pode adquirir como subsídio de pesquisas sobre as transformações que a relação trabalho — emprego vem sofrendo e considerando a necessidade de um acompanhamento sistemático por parte do Senac sobre este processo, tornou-se urgente uma revisão desse critério metodológico. Começamos, a partir dos registros de março de 2001, a operar uma reformulação destes critérios de agregação, através da CBO — Classificação Brasileira de Ocupações.11 Esta compatibilização nos permitirá incorporar novos campos, como por exemplo o de família ocupacional, e de competências, quando a CBO-2000, que se encontra em fase de elaboração, ficar pronta.

Desenvolvida pelo Ministério do Trabalho e Emprego, a CBO tem por objetivo ajustar a compreensão das características gerais e específicas de cada ocupação, estabelecendo uma uniformidade conceitual, eliminando regionalismos e discrepâncias interpretativas circunscritas a usos e compreensões particularizadas. Sendo um sistema classificatório válido para todo o território nacional, a CBO nos fornece uma base metodológica sólida que nos permite ampliar o alcance e a importância do nosso Banco de Dados: sem perder o seu caráter qualitativo, sensível às modificações constantes das realidades diversificadas de cada estado e região, criamos a possibilidade de compararmos nossos resultados a outras pesquisas oficiais também de âmbito nacional, como RAIS e CAGED, de caráter estritamente quantitativo.

É praticamente unânime na literatura recente, que trata sobre as complexas relações entre trabalho e educação, que as mudanças tecnológicas e a introdução de novos métodos de gestão da produção estão alterando a configuração do mundo do trabalho. Em virtude dessas mudanças, a maior parte das ocupações está sendo reformulada, outras estão sendo criadas e algumas tendem a se extinguir. É muito comum nos depararmos com afirmações de que as empresas abandonam a exigência de extrema especialização e elegem como características fundamentais de seus funcionários a polivalência e a capacidade de trabalhar em grupo. A flexibilização da produção requer um novo perfil profissional em que, além das competências técnicas, os trabalhadores devem ter o domínio de conhecimentos mais abrangentes. Em função do exposto, ao cotejarmos esse tipo de análise com as informações contidas em nosso banco de dados, afirmamos que há uma defasagem entre o funcionamento real do mercado de trabalho e algumas das representações teóricas a seu respeito.12 Vale ressaltar que os dados observados se referem às solicitações feitas nas capitais dos estados brasileiros e que em todas as dez ocupações mais demandadas, anteriormente descritas, destacam-se os registros de São Paulo, em primeiro lugar, seguido pelos registros do Distrito Federal, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul e Paraná.

O que significa que estamos falando dos dados mais atuais da dinâmica real do mercado, referentes às regiões economicamente mais ativas e, portanto, mais sensíveis às mudanças que se configuram no mundo do trabalho.

Com isso, não estamos defendendo uma relação linear entre a qualificação dos indivíduos e as exigências do mercado de trabalho. Mas, é a partir do conhecimento dessas exigências que é possível diminuir as defasagens entre as representações teóricas e as políticas de educação profissional.

A análise dos resultados indica a tese da polarização das qualificações, no que diz respeito às teses que se referem à qualificação média do trabalhador no capitalismo contemporâneo,13 como a mais adequada à realidade: exigência de um pequeno número de trabalhadores, altamente qualificados, enquanto a grande maioria é desqualificada. Conforme é observado na análise das ocupações mais procuradas nos classificados dos jornais, verificamos que as exigências de qualificação são, de fato, minimizadas, enquanto que em alguns casos os aspectos comportamentais são mais valorizados. É importante observar que o que chama atenção em nossos resultados não é apenas a valorização de características pessoais, mas sim a quase total ausência de referências a qualquer tipo de exigência de qualificação mais específica. Essa afirmação pode ser ilustrada a partir dos elevados percentuais encontrados de não exigência de escolaridade na maior parte das ocupações mais requisitadas pelo mercado, como as de vendedor, assistente comercial, modelo, professor, cozinheiro e costureira. Paralelamente a esse aspecto, encontramos uma valorização da apresentação pessoal, da vontade de trabalhar, de dinamismo, de não-fumantes, de facilidade de relacionamento pessoal e até de crença religiosa.

Convém ressaltar que, em relação ao tema competências requeridas aos trabalhadores, há um campo promissor para a realização de pesquisas. Notamos que existe uma grande carência de dados que confrontem as competências prescritas — relacionadas nos classificados — com as competências efetivamente utilizadas no cotidiano de trabalho dos indivíduos. Esse fato não minimiza a importância do Banco de Dados: Trabalho & Emprego: através dos classificados de jornais, mas indica que este foi um primeiro passo dado pelo Centro de Análises, Estudos e Pesquisas — CAEP, do Senac, no sentido de monitorar o mercado de trabalho dos setores de comércio e serviços, já que traz apenas uma visão do mercado.14

Notas

1 Os resultados desta pesquisa foram apresentados, no formato pôster, no I Simpósio Trabalho e Educação — Relações Sociais na Educação, Relações Sociais de Produção — organizado pelo Núcleo de Estudos sobre Trabalho e Educação, em 7 de junho de 2001, na Faculdade de Educação da UFMG.

2 O Senac atua atualmente nas seguintes áreas de formação: Gestão, Comércio, Comunicação, Artes, Design, Imagem Pessoal, Turismo e Hospitalidade, Conservação e Zeladoria, Saúde, Meio Ambiente, Informática, Idiomas, Tecnologia Educacional, Telecomunicações, Lazer e Desenvolvimento Social, ofertando cerca de 2 mil programações diferenciadas, de acordo com o Cadastro dos Cursos do Sistema Senac de 2001.

3 Compõem o Banco de Dados os anúncios classificados dos jornais das capitais dos seguintes estados: AM, PA, PI, RN, CE, PE, PB, AL, BA, DF, GO, MT, ES, MG, RJ,SP, PR, RS e SC.

4 Os campos mencionados são os seguintes: idade, sexo, escolaridade, experiência, conhecimentos de informática, salário, referências pessoais, entre outras.

5 No caso dos estados em que mais de um jornal foi enviado, selecionamos o jornal que possui maior número de oferta de empregos.

6 Por dificuldades operacionais, não fazem parte do Banco de Dados: Trabalho & Emprego os classificados dos seguintes estados: AC, AP, MA, MS, RO, RR e TO.

7 Esse procedimento é efetuado a partir da exportação dos dados armazenados em Excel para o software estatístico SPSS, for windows. Disponível na: http;// www.spss.com.

8 Acompanhante, administrador, advogado, agente de turismo, agrônomo, almoxarife, analista de comércio exterior, analista de estoque, analista de expedição, analista de frota, analista de laboratório, analista de logística, analista de marketing, analista de recursos humanos, analista financeiro, arquiteto, assistente social, atendente, auxiliar de escritório, bibliotecário, biólogo, cabeleireiro, caixa, caseiro, cobrador, comprador, contador, corretor, costureira, cozinheiro, decorador, dentista, depiladora, desenhista, distribuidor, doméstica, encarregado de produção, encarregado em serviço gráfico, enfermeiro, estatístico, esteticista, farmacêutico, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, fotógrafo, garçom, gesseiro, inspetor, instrutor, jardineiro, jornalista, manicure, marceneiro, massagista, médico, modelo, motoboy, motorista, músico, nutricionista, office boy, operador de telemarketing, pedagogo, pesquisador, pintor, porteiro, professor, profissional de TI, psicólogo, recepcionista, sapateiro, secretária, segurança, servente, técnico de instalação, técnico em segurança no trabalho, telefonista, tosador, vendedor, vidraceiro, vitrinista. Além dessas, foi aberta uma última categoria, denominada "outros", onde foram agrupadas todas as ocupações de freqüência residual.

9 Os percentuais não totalizam 100% porque mencionamos apenas aqueles de maior relevância para a nossa análise.

10 As ocupações de modelo e professor sempre aparecem especificadas da mesma maneira, por isso não houve necessidade de agrupamentos.

11 A última atualização, concluída, da CBO, foi efetuada em 1994.

12 Esse argumento foi exposto por Lucília Machado na palestra Qualificação, Emprego, Desemprego e Educação efetuada no I Simpósio Trabalho e Educação: relações sociais na educação, realizada na UFMG, em 06/06/01.

13 PAIVA, Vanilda. Produção e qualificação para o trabalho: uma revisão da bibliografia internacional. Rio de Janeiro: UFRJ / Instituto de Economia Industrial, 1989.

14 E não outras, como por exemplo, a dos empregados que já estão no mercado ou mesmo o que existe nos bancos de dados de currículos veiculados via Internet.

QUADRO DAS AGREGAÇÕES DAS OCUPAÇÕES MAIS DEMANDADAS EM JANEIRO E FEVEREIRO DE 2001 (exceto MODELO e PROFESSOR)

VENDEDOR — assistente de vendas — auxiliar de vendas — chefe de vendas — consultor técnico de vendas — gestor de vendas.

OPERADOR DE TELEMARKETING — televendedor — auxiliar de vendas por telefone — gerente de telemarketing — operador de teleatendimento — supervisor de telemarketing

ASSISTENTE COMERCIAL — administrador de vendas — auxiliar administrativo de vendas — chefe ou supervisor administrativo de vendas — gerente administrativo comercial — gerente de filial de vendas — gerente de loja — gerente de restaurante — subgerente de loja — subgerente de prestadora de serviço — coordenador comercial — coordenador de vendas — encarregado de loja — encarregado de vendas — supervisor de loja — supervisor de restaurante — supervisor de vendas — supervisor de vendedores.

ATENDENTE — assistente de atendimento — auxiliar de bar — balconista — coordenador de atendimento ao cliente — encarregado de SAC (serviço de atendimento ao consumidor) — gerente de atendimento — gerente de call center — supervisor de atendimento.

CONTADOR — analista de crédito — analista contábil — auxiliar contábil — consultor de crédito — analista de crédito e cobrança — analista de contas médicas — auxiliar de contas a receber — auxiliar de crédito — contabilista — coordenador contábil — encarregado contábil — encarregado de contas a pagar — encarregado de crédito — encarregado de crédito e cobrança — gerente contábil — gerente de contas a receber — gerente de contas — gerente de contas especiais — gerente de crédito — gerente de crédito e cobrança — supervisor contábil — supervisor de crédito e cobrança — supervisor de análise de contas — técnico contábil — diretor de contas — encarregado de contas a receber — encarregado de conferência de contadoria — encarregado de contas — gerente contábil — operador de crédito — operador de depósito — recuperador de crédito — subcontador — subgerente contábil.

COZINHEIRO oficial de cozinha — 1o auxiliar de cozinha — 2o auxiliar de cozinha — ajudante ou auxiliar de confeitaria — ajudante ou auxiliar de copa — ajudante ou auxiliar de cozinha — ajudante ou auxiliar de forno — ajudante ou auxiliar de lancheiro — ajudante ou auxiliar de padeiro — ajudante ou auxiliar de pizzaiolo — auxiliar de biscoiteira — ajudante ou auxiliar de salgadeiro —banqueteiro — chapeiro — chefe de cozinha — chefe de confeitaria — chefe de cozinha internacional — chocolateiro — chefe de produção — churrasqueiro — confeiteiro — copeiro — doceiro — encarregado de cozinha — encarregado de padaria — forneiro — lancheiro — masseiro — mestre de padaria — oficial de cozinha — padeiro — pasteleiro — peixeiro — pizzaiolo — queijeiro — salgadeiro — sobremeseiro — supervisor de cozinha — suqueiro — sushiman.

PROFISSIONAL DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO (TI) administrador de sistemas de informação — administrador de banco de dados — administrador de rede — administrador de sistemas — administrador de software administrador de Internet — analista programador — analista consultor — analista de banco de dados — analista de DBA — analista de desenvolvimento — analista de e-commerce — analista de informática — analista de Internet — analista de microinformática — analista de programação — analista de rede — analista de segurança de rede — analista de web — analista de Lotus Note — analista de mainframe IBM — analista de PC — analista SAP — assistente de informática — assistente de suporte — assistente técnico de software e hardware auxiliar de informática — auxiliar de suporte — chefe ou supervisor técnico de informática — coordenador de desenvolvimento e suporte — coordenador de informática — desenvolvedor de site — diretor de TI — encarregado de produção gráfica — encarregado de processamento de dados — especialista em banco de dados — especialista em sistemas — gerente de desenvolvimento de sistemas — gerente de informática — gerente de suporte técnico hacker instalador de software — internauta — monitor de informática — operador de micro — operador de sistemas — operador de e-mail — programador — roteador — supervisor de microinformática — supervisor de suporte — supervisor de software — técnico — web designer — web masterweb editor.

COSTUREIRA ajudante ou auxiliar de corte — alfaiate — auxiliar de costura — bordador (mão e máquina ) — chefe de confecção — modelista — cortador — crocheteira — encarregado de costura — encarregado de produção — gerente de desenvolvimento para confecção — modista — montador — pilotista — revisadora — enfestador de tecidos — estofador — faccionista — separador de corte — supervisor de corte — supervisor de costura — supervisor de pilotagem.

PUBLICAÇÕES

Comércio eletrônico. Jayme Teixeira Filho. Rio de Janeiro: Ed. Senac Rio, 2001. 109 p. Il. (Senac Rio. Oportunidades Profissionais, 1).

Você está preparado para "entrar na onda" do comércio eletrônico? Os negócios gerados com o advento da Internet e a democratização da microinformática e das telecomunicações, trouxeram um campo vasto e pouco explorado pelos profissionais no mundo inteiro, principalmente na América Latina. No entanto, entrar nesse mercado não é fácil. Este livro contém informações, dicas e sugestões para conhecer melhor as opções de trabalho que o mundo digital oferece.

Vitrina: construção de encenações. Sylvia Demetresco. Colaboração de Flora Bender Garcia, Marcelo M. Martins e Mariana Cortez. São Paulo: Ed. SENAC São Paulo, 2001. 264p. Il. Publicado em parceria com a EDUC — editora da PUC/SP

Uma vitrina há de lembrar de imediato, para o leigo, antes um cenário que uma encenação com sua idéia de corpos em movimento. Este livro de Sylvia Demetresco, ao referir-se à encenação, indica o que há de interativo, e portanto de vivo, numa vitrina. O estático, o meramente expositivo não cabe na vitrina: ela é uma caixa de surpresas, como o mito de Pandora. "O mito é uma alegria e a vitrina uma encenação", diz a autora.

O que leva um passante a não ignorar a vitrina — e sim a deter-se, encantar-se e envolver-se com o produto que ela expõe? A relação vitrinista-comprador, em suas múltiplas e complexas implicações, é analisada com sensibilidade e domínio conceitual.

Bem-vindo, volte sempre / Joana Botini; Leonor Macedo Soares. Rio de Janeiro: Ed. Senac Nacional, 2001. 120 p.

Nada neste livro se assemelha à forma tradicional de tratar os conteúdos em qualquer material didático. A partir de uma situação fictícia, simula um curso básico para profissionais do ramo hoteleiro, como o cozinheiro, o garçom, a camareira e o copeiro. Os conteúdos são desenvolvidos ao longo do livro através dos diálogos travados entre os personagens da história narrada e nas tarefas a eles propostas. Os temas apresentados são: Turismo — grandes oportunidades; Gastronomia — arte e prazer; Qualidade nos serviços de hotelaria; Trabalho em equipe — uma questão de negociação; Saúde no ambiente de trabalho e Segurança no trabalho.

Marketing para não-marqueteiros: introdução ao marketing para profissionais em mercados competitivos / J. R. Bonavita; Jorge Duro. Rio de Janeiro: Ed. Senac Rio, 2001. 111 p. (Série: Para Não-especialistas, 1).

O primeiro volume da coleção "Para não- especialistas" aborda de forma

bastante clara os conceitos básicos de marketing sob a perspectiva do dia-a-dia. Assim, um médico, um advogado ou gerente de uma lanchonete que, por exemplo, não tenham formação específica na área poderão entender, desenvolver e aplicar os conceitos em seus próprios negócios.

Ao seu texto ágil e coloquial, somam-se um caderno de exercícios e um dicionário de termos comuns do marketing. Tudo para facilitar o entendimento e a fixação dos conceitos básicos. A metodologia adotada pelos autores conferem interatividade e dinamismo na apresentação dos conceitos.

De caçador a gourmet: uma história da gastronomia. FRANCO, Ariovaldo. São Paulo: Ed. SENAC São Paulo, 2001. 270 p. Il. Fotos.

Discorre sobre o alimento, os rituais e os costumes que o cercam e sobre o desenvolvimento da gastronomia. Analisando a postura complexa da humanidade com relação ao alimento, tece considerações sobre a formação do gosto no processo de socialização. Os descobrimentos marítimos, por seus efeitos profundos nos hábitos alimentares mundiais, são tratados em capítulos à parte.

O autor decidiu ater-se às culinárias de referência, ou seja, as que, durante séculos de troca de influência, contribuíram para a formação da gastronomia mundial. Entre essas, assinala as da China, do Japão, do Oriente Médio, da Itália e da França.