A Construção de
uma Nova Institucionalidade
para a Formação
Pedro Daniel Weinberg*
Sumário - Aborda a questão das mudanças
no âmbito da formação profissional, à luz das
transformações operadas no plano econômico, tecnológico,
produtivo, trabalhista e no comércio internacional, assim como as
novas formas de organização do trabalho. Destaca a centralidade
que no novo cenário adquire a formação e desenvolvimento
de recursos humanos, enquanto estes se transformam na força essencial
para uma nova realidade. Revê as inovações recentes,
que afetam tanto o conceito de formação como as modalidades
institucionais, os sujeitos e as formas de ação que, em relação
a estes, assumem as instituições. Analisa os novos papéis
do Estado, instituições de formação, empresas,
organizações de empregados e trabalhadores, apresentando as
experiências do Brasil, Chile, Colômbia e México.
* Pedro Daniel Weinberg é diretor do Cinterfor/ OIT. Trad.
de Francisco de Castro Azevedo.
Atualmente, dois temas aparecem como centrais nas preocupações
de quem lida com a problemática da formação e do trabalho:
de um lado, a necessidade de se chegar a uma definição do
conceito de formação em consonância com os sistemas
trabalhista, produtivo e educativo; de outro, a urgência que assumiu
o desenho de uma nova institucionalidade para a formação que
leve em conta o impacto do aparecimento de outros protagonistas e atores
no quadro do esforço formativo nacional.
Foram grandes e profundas as transformações ocorridas nas
esferas econômica, social e trabalhista dos países americanos:
- o processo de globalização econômica e o seu correlato,
que foram as políticas de abertura em nível nacional;
- a transformação tecnológica e a sua repercussão
sobre os processos produtivos;
- o papel regulador atribuído ao Estado; a ampliação
da cobertura dos sistemas educativos;
- e a nova organização do trabalho.
Esses fatores, entre outros, incidem diretamente sobre a demanda dos sistemas
e programas de formação.
Nesse sentido, está surgindo na região americana uma série
de fenômenos que refletem os desafios inéditos com que ora
nos defrontamos. Talvez o mais chamativo seja o relacionado com a crise
do modelo monopolista - ou quase monopolista - da instituição
nacional de formação profissional, na medida em que se assiste
à explosão da oferta de formação proveniente
tanto do setor público como do setor privado e, em muitos casos,
ao desaparecimento ou enfraquecimento dessa instituição nacional.
Ao mesmo tempo, verifica-se que o conceito de formação profissional
utilizado durante anos e anos vem perdendo substância. Se até
pouco tempo se pensava que a formação profissional nada mais
era do que a transmissão ordenada e sistemática de habilidades
e destrezas e de conhecimentos tecnológicos aos trabalhadores qualificados
e semiqualificados, hoje em dia observa-se a preocupação cada
vez maior com outras dimensões, como aquelas associadas com uma nova
cultura do trabalho e da produção. Sobretudo, impõe-se
o reconhecimento da impossibilidade de se continuar oferecendo programas
de formação que não estejam intimamente ligados com
as instituições fundamentais dos sistemas de relações
trabalhistas (emprego, remuneração, saúde ocupacional,
condições e meio ambiente de trabalho, seguridade social,
legislação trabalhista, etc.), com os processos de transferência
de tecnologia para as empresas e com os sistemas de educação
regular (principalmente com a educação básica e os
processos de educação permanente).
Nesse texto, busca-se uma primeira abordagem para essas questões.
Ele recolhe a experiência dos organismos de formação
profissional, acumulada ao longo de muitos anos, e as contribuições
que os Ministérios do Trabalho vêm oferecendo ao estabelecer
políticas públicas e estratégias em matéria
de formação, além de incorporar os avanços no
campo da educação e do trabalho promovidos pelos Ministérios
de Educação e pelos organismos encarregados da pesquisa científica
e tecnológica dos países da região. Não menos
importantes, nessa área, são os resultados alcançados
pelos empreendimentos das organizações de empregadores e empregados.
Um primeiro debate sobre a questão, em nível continental,
realizou-se em Ocho Ríos, Jamaica, de 3 a 6 de outubro de 1995, por
ocasião da celebração da 32ª Reunião da
Comissão Técnica do Cinterfor. Nela, representantes de governos
e organizações de empregadores e empregados analisaram um
documento apresentado pelo Centro, com o título de Horizontes da
Formação: uma carta de navegação para os países
da América Latina e do Caribe, que constitui o primeiro esforço
de sistematização dessas preocupações. O presente
trabalho é apenas uma releitura desse documento, que procura incorporar
algumas das valiosas contribuições apresentadas na mencionada
reunião.
A RELAÇÃO COM O PASSADO: DESENVOLVIMENTO OU RUPTURA
Quando tentamos entender as condições e os desafios que atualmente
nossos países enfrentam na questão da formação
e do desenvolvimento de recursos humanos, com freqüência somos
tentados a pensar no novo contexto social e econômico, em que se localizam,
como algo que rompe radicalmente com o passado. Daí, os constantes
sinais de alerta sobre a obsolescência, tanto de categorias de pensamento
como de aspectos institucionais, sobre a necessidade de se conceber novas
formas organizativas e novas metodologias, sobre a imperiosidade da incorporação
da mudança como um dado permanente em qualquer atividade ou da rotina
da mudança permanente.
Como nos interessa estar atentos às conseqüências e implicações
das transformações ocorridas e em curso, faremos uma breve
exposição do tema das relações entre o Estado
e o setor privado na formação de recursos humanos, considerando
a situação atual como um ponto no processo de mudança,
profundamente vinculada a um desenvolvimento histórico, que apresenta
mais recorrências do que aquelas que em princípio se poderia
imaginar.
PERMANÊNCIA E NOVIDADE NA FORMAÇÃO E NO DESENVOLVIMENTO
DE RECURSOS HUMANOS
Muitas das formas de ação tradicional do Estado vêm
sendo questionadas. No nosso caso, assistimos a um processo de crítica
e revisão das formas de ação pública no campo
da formação. As questões e as alternativas levantadas
são efetivamente novas. Em contrapartida, o fato de os sistemas e
as instituições de formação serem cenários
de profundos debates e questionamentos não representa novidade.
As instituições de formação, concebidas originalmente
como entidades de capacitação não-formal, independentes
dos sistemas regulares de educação e dotadas de grande autonomia
e laços fluidos com o mercado de trabalho, começaram a surgir
no início da década de 40. De lá para cá, estiveram
imersas nas profundas mudanças por que durante o período passaram
os contextos econômico, so- cial, político, cultural e tecnológico,
nas quais puderam testar a sua capacidade de adaptação e real
validade institucional. E sobreviveram às sucessivas e distintas
crises, conseguindo, com êxito suficiente, revalidar a sua função
toda vez que circunstâncias e pressões emergentes de novas
situações nacionais as colocavam em julgamento.
OS PRIMEIROS DESAFIOS
A crise mundial de 1930 subverteu dramaticamente as condições
de inserção dos países da América Latina e do
Caribe na economia mundial. A redução das exportações,
constituídas basicamente de matérias-primas dos setores da
agropecuária e da mineração, que forneciam as receitas
necessárias para as importações de produtos manufaturados,
acarretou as conseqüências que são de todos conhecidas
devido ao grau de abertura das economias nacionais e à sua alta vulnerabilidade
às crises e transformações do comércio internacional.
A estratégia de desenvolvimento então implantada, e que foi
oportunamente batizada pela CEPAL de "substituição de
importações", consistiu basicamente na reação
às novas condições. O fortalecimento e a expansão
da ação do Estado, como promotor e protagonista da nova estratégia
de desenvolvimento, tornou-se um componente adequado e inevitável,
dado que nossos países não contavam com um setor empresarial
moderno, nem com recursos humanos qualificados, nem com mercados de consumo
interno suficientemente amplos para protagonizarem, sozinhos, o processo
colocado em andamento.
Foi a partir de então que - com as diferenças que dependem
do momento e das condições em que os diversos países
e as diversas regiões iniciam esses esforços de industrialização
- começaram a se configurar as formas sociais, políticas e
institucionais que hoje conhecemos como traços distintivos e identificadores
em vários planos, mas sobretudo nos das relações trabalhistas
e da formação de recursos humanos.
Qual foi o desafio colocado para as nascentes instituições
de formação? Nada menos do que o de responder ao "estrangulamento"
da nova estratégia de desenvolvimento: a falta de mão-de-obra
qualificada e semiqualificada para a incipiente indústria nacional.
Tratava-se, dito de forma esquemática, de um panorama que era o inverso
do atual, no qual a demanda de recursos humanos superava a oferta e o problema
não estava na criação de empregos, mas no fornecimento
das qualificações dos recursos humanos que se dirigiam ao
mercado de trabalho. Hoje podemos dizer que o desafio foi respondido com
êxito, entre outras razões porque a falta de recursos humanos
qualificados e semiqualificados não figura entre as causas da crise
daquele modelo.
Convém ressaltar ainda outro desafio encarado pelas instituições
de formação: o de ser o agente democratizador das oportunidades
de educação, formação e emprego. Mesmo com a
expansão da matrícula nos níveis secundário
e superior do ensino regular, vastos setores se encontravam excluídos
das oportunidades de educação. Não se tratava, na verdade,
de um problema residual, uma vez que o próprio processo industrializador
provocou, entre outros efeitos, maciças migrações do
campo para as cidades e o incremento explosivo das taxas de crescimento
demográfico.
Do pleno cumprimento dessa missão proveio o estigma que durante muito
tempo acompanhou a formação profissional - o de "educação
dos pobres". Este fato, além de mostrar como o estigma dos destinatários
principais da formação profissional contagiou a institucionalidade
que os acolhia, traz à tona preconceitos sociais, como a subvalorização
do trabalho manual em relação ao intelectual, e constitui
um dos componentes crônicos de um problema ainda vigente: o divórcio
entre educação formal e formação profissional.
E evidencia outro aspecto de importância - o de que as instituições
de formação constituíam o instrumento da ação
pública no plano educativo para atingir os mais desfavorecidos.
Resta dizer que a relação Estado-mercado era algo bastante
diferente do que hoje se concebe como tal. Como se observou antes, não
existia um setor empresarial moderno capaz de protagonizar o esforço
industrializador. O governo teve então de jogar nos dois lados, fazendo
uso de um arsenal de políticas públicas: assumiu um dos papéis
mais questionados hoje em dia, o de Estado-empresário e produtor;
gerou as primeiras "incubadoras de empresas" em escala nacional
(se bem que fundamentalmente urbana) mediante subsídios e estímulos
diretos e indiretos à produção e incorporação
de tecnologia; implantou políticas salariais, sanitárias e
de seguridade social voltadas para o desenvolvimento e a consolidação
de um mercado interno capaz de demandar e absorver de forma sustentada a
nova produção nacional; e assumiu a função antes
mencionada - delegada às instituições de formação
- de providenciar a qualificação dos recursos humanos necessários
à indústria.
Oferta e demanda, empresariado nacional e trabalhadores da indústria,
mercado de bens e consumo são, em resumo, os componentes e atores
que, embora alcancem logo em seguida autonomia e desenvolvimento próprios,
reconhecem ter tido na sua origem e no seu fortalecimento a intervenção
estatal.
O ESGOTAMENTO DO MODELO DE SUBSTITUIÇÃO DE IMPORTAÇÕES
E O SURGIMENTO DE UM NOVO CENÁRIO
O modelo de crescimento para dentro com a substituição de
importações produziu, a bem da verdade, muitos resultados
positivos. Contribuiu, entre outros aspectos, para o nascimento de uma infra-estrutura
física, a criação de um considerável parque
tecnológico, o surgimento de um setor industrial antes inexistente,
o aparecimento de importantes centros urbanos e, na área social,
para a expansão da cobertura de diversos benefícios sociais.
Não obstante, por volta dos anos 70 começaram a ser percebidos
sinais de alerta que colocavam à mostra as limitações
do modelo:
- algumas indústrias necessitavam de subsídios permanentes
e não eram capazes de exportar de forma competitiva;
- a dependência da intervenção estatal para o desenvolvimento
de diversos setores da economia gerava atitudes especulativas que desconsideravam
a pertinência da tecnologia, da qualidade dos produtos, das necessidades
e preferências do consumidor, da competitividade internacional e,
em geral, dos níveis de produtividade e eficiência;
- outros países em desenvolvimento estavam alcançando
um crescimento industrial extraordinário com o emprego de estratégias
de desenvolvimento orientadas para fora, baseadas em incentivos do mercado
e contando com uma forte participação do setor privado.
Teve início então o delineamento das características
de uma nova estratégia baseada:
- na substituição de setores que tradicionalmente tinham
alavancado o crescimento - por exemplo, siderurgia, petroquímica
e indústria automotiva - por outros novos, entre os quais, a microeletrônica,
a informática, as telecomunicações, a biotecnologia
e a produção de materiais sintéticos de uso múltiplo
e maior resistência;
- na perda relativa de importância para a produção
de fatores tradicionais, como os recursos naturais e a força do trabalho,
juntamente com o aumento da importância relativa de fatores vinculados
ao conhecimento, à tecnologia e à gestão e desenvolvimento
empresariais;
- na globalização ou universalização da
economia, mas também da sociedade e das comunicações,
originalmente aplicada aos produtos, mas depois estendida para as finanças,
os processos tecnológicos, a organização empresarial,
a política, o consumo e o mundo da cultura em geral.
Este novo panorama vem pressionando as nossas economias e sociedades de
tal modo que nenhum ator - Estado, unidades produtivas, agremiações
de empregadores e empregados, organizações da sociedade civil
- se sente hoje desobrigado de repensar a sua forma de organização,
de inserção social e econômica e de contribuição
para o desenvolvimento nacional.
Os Estados enfrentam o desafio da sua redefinição funcional
e administrativa, inclinando-se, de um lado, para formas mais eficientes,
flexíveis e adequadas às demandas produtivas, sociais, setoriais
e locais, emergentes do interior da nova estratégia de desenvolvimento,
e, de outro, para funções de regulação e planificação
estratégica em termos de política social e econômica,
melhorando a sua capacidade de articulação e interlocução
com os diversos atores e grupos da sociedade.
As unidades produtivas, por sua vez, e independentemente do seu tamanho,
procuram adequar-se às novas exigências de produtividade, eficiência
e competitividade no âmbito de economias abertas, assumindo um papel
muito mais ativo do que no passado em matéria de investimento em
tecnologia e de qualificação dos recursos humanos, e buscando
uma articulação eficaz em múltiplos níveis (com
os novos mecanismos de estímulo ao investimento que surgem dos Estados,
com outras empresas, com instituições de formação,
universidades, etc.).
As sociedades terão, em seu conjunto, de abraçar as grandes
causas nacionais, entre as quais se destaca, principalmente, a de empreender
um processo de transformação produtiva adequado às
novas condições nacionais e internacionais, e que ao mesmo
tempo consiga corrigir as enormes desigualdades sociais expressas no desemprego,
no subemprego, na marginalidade e na exclusão social.
CENTRALIDADE DA FORMAÇÃO DOS RECURSOS HUMANOS NA NOVA ESTRATÉGIA
DE DESENVOLVIMENTO
Nesse contexto, o cenário da formação e do desenvolvimento
de recursos humanos adquire, uma vez mais na história latino-americana,
importância estratégica. É neste quadro que a nova estratégia
de desenvolvimento, atenta à sua meta de alcançar uma transformação
produtiva que permita elevar tanto os níveis de competitividade e
produtividade como a eqüidade social, joga várias de suas cartadas
principais.
Pode-se afirmar sem medo de errar que não foi por acaso que os países
mais bem-sucedidos nos esforços de transformação produtiva
e de modernização atribuíram enorme importância
ao desenvolvimento dos seus recursos humanos, o que os levou à "reconversão"
dos programas educativos e de formação e capacitação
profissional realizados tanto dentro como fora das empresas.
Esse fato é de tal profundidade e significação que
hoje até mesmo os países mais avançados estão
revisando os seus sistemas educativos e de formação, com o
objetivo de melhorar a qualidade e vinculá-los de maneira mais eficaz
ao desenvolvimento produtivo, científico e tecnológico, para
transformá-los na força motriz de uma capacidade produtiva
e competitiva cada vez maior.
Torna-se então possível afirmar que:
- independentemente do comportamento dos mercados de trabalho e do emprego
no curto prazo, a definição por parte do Estado de funções
de capacitação e educação para o desenvolvimento
de capacidades e competências que habilitem, não apenas para
o ingresso no setor formal ou para o desempenho de atividades mais rentáveis,
mas também para a ocupação de empregos ou o desempenho
de atividades de melhor qualidade, quando se apresentar a oportunidade,
é algo que contribui significativamente para a consolidação
da nova ordem econômica;
- a importância estratégica dessa função
para o crescimento, sob os imperativos da produtividade e competitividade
internacionais e sob condições que exigem conhecimentos cada
vez maiores, é algo que vem sendo insistentemente ressaltado;
- embora as estimativas da evolução da economia rumo a
mudanças estruturais, com a implicação de um aumento
significativo de empregos que exigem mais conhecimentos, talvez sejam conservadoras,
a elevação nos níveis de capacitação
e educação é necessária tanto para se conseguir
objetivamente ma-ior mobilidade social como para a criação
de expectativas fundadas de mobilidade social naqueles que hoje estão
marginalizados.
É certo que se devem elaborar os conteúdos das políticas
de capacitação e educação com base no pressuposto
de que serão capazes de transferir competências altamente flexíveis
e dotadas do maior grau possível de adequação às
atuais condições dos mercados de trabalho e à sua evolução
previsível. No cenário mais otimista, deveriam ser competências
que permitam reconversões e requalificações rápidas.
Não cabe, portanto, a menor dúvida quanto à relação
positiva existente entre o nível de desenvolvimento econômico
e tecnológico dos países e a importância do investimento
em educação e formação profissional. A outra
face da moeda é igualmente válida: muitos associam a falta
de produtividade e competitividade, ou o seu declínio, como no momento
está acontecendo, com a existência de educação
e formação profissional deficientes ou inadequadas.
Mas uma coisa é reconhecer a estreita vinculação entre
desenvolvimento e formação e, outra, poder desenhar e colocar
em prática sistemas ou instituições de formação
que respondam às necessidades e demandas formativas de sociedades
que se alicerçam cada vez mais na informação, nos conhecimentos
científicos e nas inovações tecnológicas, ao
mesmo tempo em que operam como agentes democratizadores na difusão
e produção de conhecimento. E é isto que enfrentam
hoje em dia os países latino-americanos e caribenhos.
Trata-se, no fundo - e quanto a isto não há dúvidas
- de estimular uma política integral de preparação
de recursos humanos, para responder, de maneira ágil e adequada,
aos desafios inevitáveis que compõem a nova estratégia
do desenvolvimento.
Caberia ainda observar que, em um mundo em permanente mudança e em
sociedades em transição, não existem respostas pré-fabricadas,
nem modelos predeterminados a serem seguidos, razão por que as pessoas
e as organizações se vêem obrigadas a aguçar
a percepção e a concentrar a atenção, para visualizar
os novos rumos para onde terão de se encaminhar. E, na verdade, a
isso estão obrigados os diferentes sistemas educativos e de formação
existentes na região.
Empreender essas tarefas significa também entender que a formação
não constitui apenas um fator fundamental para o aumento da produtividade
e a melhoria das condições de competitividade, mas é
também um instrumento essencial das políticas públicas,
especialmente daquelas voltadas para os setores mais vulneráveis,
como jovens, mulheres, desocupados, trabalhadores em processo de reconversão,
etc.
Esse desafio múltiplo é de tal grandeza que não pode
ser abordado com possibilidades razoáveis de êxito por nenhum
dos atores isoladamente. O caminho mais adequado parece ser a construção
de consensos nacionais que envolvam Estado, trabalhadores e empresários,
incorporando a experiência e os recursos das instituições
de formação profissional. Isto possibilitaria, ao mesmo tempo,
a abertura de espaço para a harmonização de interesses
com vistas ao desenvolvimento econômico e social e à sustentabilidade
política a longo prazo desses projetos nacionais.
AS RECENTES INOVAÇÕES NO MUNDO DA FORMAÇÃO
A flexibilidade e a adaptabilidade das instituições de formação
latino-americanas têm hoje uma nova oportunidade de se autotestar.
Como já observamos, atualmente não existem "modelos"
nem para as formas de ação, nem para a administração
institucional, nem para os potenciais clientes a serem atendidos.
A análise das diferentes experiências regionais permitirá
reconhecer elementos integrantes do dia-a-dia de algumas iniciativas, que
evidenciam o esforço de adaptação a que aludíamos.
O conceito de formação
A primeira inovação é a que se refere ao próprio
conceito de formação. Diversas experiências criam condições
para uma redefinição que implica pelo menos quatro dimensões
relevantes: a formação e os seus vínculos com o sistema
de relações trabalhistas; a formação entendida
como parte do processo de transferência tecnológica; a formação,
enquanto fenômeno educativo, articulada com as esferas do trabalho
e da tecnologia; e, por último, a formação para as
competências, que superam as simples qualificações.
Tratamos a seguir de cada uma dessas dimensões separadamente.
A formação e as suas relações com o sistema
de relações trabalhistas
Na vigência do modelo anterior de desenvolvimento, a função
de formar os recursos humanos para a indústria estava, como vimos,
nas mãos das instituições públicas de formação
profissional. Tratava-se, portanto, de uma responsabilidade do Estado, como
tantas outras.
O sistema de relações trabalhistas, que se consolidou dentro
da matriz desenvolvimentista, caracterizou-se, entre outros aspectos, pela
criação de mecanismos de negociação, na maioria
das vezes tripartites, em alguns casos por ramo de atividade e em outros
por empresas. As suas linhas de discussão se reportavam basicamente
à estabilidade das fontes de emprego, à regularidade e aos
percentuais de aumento das remunerações, e à cobertura
dos serviços da seguridade social (seguros-saúde e desemprego,
salário-família, etc.). As mudanças anteriomente observadas
quanto às formas de inserção das economias no comércio
mundial, à crescente importância dos fatores conhecimento e
tecnologia nos processos produtivos e à diversificação
nos papéis dos distintos atores trabalhistas subverteram profundamente
cada uma das dimensões implicadas nas relações trabalhistas.
O conceito de estabilidade do emprego começa a ser substituído
pela preocupação de contar com trabalhadores flexíveis,
mais qualificados e capazes de assegurar reconversões rápidas,
garantindo assim a sua permanência no mercado de trabalho. Embora
os serviços de seguridade social não sofram solução
de continuidade, muitos dos sistemas que os respaldam sofrem colapso, acarretando
os inevitáveis processos de reformulação. Nesses casos,
quaisquer que sejam a forma e as modalidades adotadas em cada país,
a boa formação aparece como o melhor seguro contra o desemprego.
De forma análoga, a discussão sobre os percentuais e os mecanismos
do aumento das remunerações, sem deixar de ser regida por
mecanismos diversos de negociação coletiva, une os diversos
atores no desafio de comprometê-los com a produtividade, deslocando
a ênfase de aspectos como a antiguidade e a carreira trabalhista na
empresa para as variáveis que configuram a qualificação
profissional, como a experiência e os níveis e tipos de formação.
Coerentemente com essas mudanças, a formação e o desenvolvimento
de recursos humanos deixou de ser uma função delegada e atribuída
pelo Estado. Empresários e trabalhadores, por meio de suas organizações
representativas, se interessam cada vez mais pelo tema da formação,
apresentando alternativas ao Estado e às instituições
de formação, criando as suas próprias estruturas formativas
e comprometendo-se com o desenho e a execução de políticas
nesse campo. Dada a sua crescente centralidade, a formação
constitui hoje um aspecto fundamental no quadro das negociações
e relações trabalhistas.
A formação como parte do processo de transferência
tecnológica
Em seu conceito clássico e tradicional, formação é
a transmissão ordenada e sistemática de um conjunto de conhecimentos,
habilidades e destrezas, que possibilitam ao trabalhador elevar as suas
qualificações pessoais. Este enfoque está sendo superado,
fundamentalmente porque admite uma concepção isolada da formação,
descontextualizada do ambiente e do tempo em que se realiza, pensada como
fim em si mesma, como ação não necessariamente articulada
com os processos de trabalho.
Quando se observa a forma como as instituições de formação,
escolas técnicas ou unidades de educação tecnológica
realizam as experiências mais inovadoras, percebe-se que o fazem cada
vez mais no âmbito dos processos de trabalho e de inovação
tecnológica. As novas concepções que algumas instâncias
vêm assumindo pressupõem que se deve entender a formação
no contexto de um processo em que as unidades produtivas e os trabalhadores
recebem um acúmulo de conhecimentos científicos e tecnológicos
vinculados com os processos produtivos.
As instituições e unidades educativas que adotam essa concepção
articulam o componente formação com o processo de assistência
e assessoria integral que oferecem às empresas. Dessa maneira, a
formação de recursos humanos passa a fazer parte de um conjunto
de ações de transferência tecnológica, tanto
de trabalho como de produção, adaptação e inovação.
A formação como fenômeno educativo articulado com
os processos produtivos
Na estruturação dos centros ou escolas inovadoras, a proposta
educativa sempre se articula com os processos de vinculação
às empresas. Os centros tecnológicos do Senai e os centros
de educação tecnológica no Brasil, os centros de serviços
tecnológicos do Sena na Colômbia, as unidades promotoras da
capacitação no México, por exemplo, se propuseram programas
ambiciosos de atendimento às empresas (assistência e assessoria
técnica, informação tecnológica, pesquisa aplicada,
etc.). Desses novos serviços das instituições e escolas
participam ativamente alunos e professores; e o fazem não como se
fora um serviço adicional, mas na busca de mecanismos de retroalimentação
que permitam a adequação dos conteúdos dos programas,
das metodologias de formação, das modalidades de atendimento
- em suma, que contribuam para a melhoria dos processos do ensino-aprendizado.
Quando os aludidos centros se definem como pólos irradiadores de
tecnologias de ponta, de atendimento das necessidades produtivas e tecnológicas
do parque industrial a que dão assistência, o fazem sempre
no entendimento de que, em última instância, isso servirá
para a melhoria da sua capacidade educativa e favorecerá um ensino
de qualidade e pertinência.
Em outras palavras, apesar dos seus investimentos e da sua nova e comprometida
projeção para o tecnológico, essas unidades não
deixam de se definir como agentes de formação e educação.
Dessa forma, as vendas de serviços não são vistas basicamente
como novas fontes de financiamento, mas como fórmulas tentativas
de aproximar as escolas e os centros da realidade do mundo produtivo. E,
o que é mais, da assistência às empresas para a solução
dos seus problemas não se beneficiam apenas as unidades produtivas,
pois isso faz crescer a base do conhecimento científico e tecnológico,
a massa crítica.
Formação para competências
Os programas tradicionais de formação, como se disse antes,
foram concebidos em torno das qualificações dos trabalhadores.
Em geral, os programas de treinamento apresentam um viés do tipo
condutista, na medida em que são apenas instrumentais, limitando-se,
no melhor dos casos, a propostas puramente intelectuais. Já os processos
que as instituições de formação e muitas escolas
técnicas estão pondo em prática levam em conta outras
dimensões, procurando não apenas transmitir informações
e destrezas manuais, mas contemplando ainda os aspectos culturais, sociais
e comportamentais que têm a ver com a capacidade das pessoas.
A cultura da modernização produtiva, baseada nos critérios
de qualidade, produtividade, eficiência, competitividade etc., não
pode ser abordada a partir de programas de capacitação centrados
somente na habilitação para determinados postos de trabalho.
Por isso, é fundamental a contribuição das instâncias
a que estamos nos referindo para a geração de uma nova cultura
de trabalho e produção, a que se chega não apenas utilizando
os meios explícitos de formação - os cursos e seus
programas, conteúdos curriculares e metodologias - mas também
o ambiente e o clima produtivo desenvolvidos pelos centros e escolas que
a tornam possível.
Dito de outra maneira, as academias e agências que respondem pelos
antigos esquemas de organização fordistas e tayloristas do
trabalho não estão em condições de desenvolver
as novas competências exigidas pelas economias abertas às correntes
do comércio internacional, altamente competitivo; o enfoque reducionista,
baseado na capacitação para qualificações, foi
superado pela abordagem de instituições e escolas inovadoras.
A razão é simples: o ensino das competências "modernas"
não se limita aos cursos, mas é também o reflexo de
ambientes produtivos, impregnados da atmosfera empresarial, dos códigos
de conduta e funcionamento que operam na realidade, na incorporação
das pautas de trabalho e de produção. Enfim, somente propostas
que combinem educação e formação com trabalho
e tecnologia, em ambientes adequados, podem se transformar em mecanismos
de transmissão de valores, hábitos e comportamentos inerentes
às modernas competências exigidas dos trabalhadores, técnicos
e profissionais nas atuais circunstâncias históricas.
O novo perfil institucional
Várias instituições de formação, escolas
técnicas, programas de capacitação organizados em torno
de projetos de Ministérios do Trabalho, etc. aceitaram o desafio
da sua transformação institucional. Esta, em última
instância, tem relação direta com a crise dos antigos
modelos de organização do trabalho e com o impacto da profunda
revolução tecnológica originada a partir da incorporação
da informática, de novos materiais e da biotecnologia.
O caminho que essas instituições encontraram foi o da redefinição
da estrutura institucional: de seus objetivos, funções e alcances,
da sua inserção no mundo produtivo e do atendimento das demandas
dos mercados de trabalho. Os principais temas abordados a seguir são
a setorização, a verticalidade e a integralidade.
Setorização
Um dos movimentos que está ganhando aceitação cada
vez maior na região é o relacionado com a setorização
- ou seja, a redefinição (ou reconversão) de unidades
(escolas, centros ou programas) com o propósito de atender a setores
econômicos específicos. Enquanto que em muitos países,
e durante décadas, as unidades educativas ou formativas abrigavam
grande número de especialidades universais (mecânica, eletricidade,
química, construção civil, etc.), a tendência
da atualidade vai no sentido de responder às necessidades de um setor
determinado (artes gráficas, curtume, alimentos, têxteis, etc.).
Essa concentração da atenção e da abrangência
das unidades dos centros apresenta um sem-número de vantagens, que
convém examinar.
Pensemos, primeiramente, nas possibilidades reais de participação
dos atores envolvidos nos processos de trabalho (trabalhadores e empresários,
via suas organizações). A convocação é
mais direta, precisa; as fórmulas de intervenção parecem
mais próximas e familiares.
Em segundo lugar, deve-se atentar para a questão dos equipamentos:
à medida que o enfoque se concentra, diminui a necessidade do acúmulo
de equipamentos para formações tão díspares;
e o equipamento passa a ser visto como ferramenta não apenas para
fins educativos ou formativos, mas também para fins produtivos (de
bens e, sobretudo, de serviços). Isto significa que o uso intenso
dos equipamentos (agora, sim, com condições de serem atualizados)
torna a amortização dos seus custos muito mais suportável.
Em terceiro lugar, a setorização dá lugar à
verticalidade, projetando-se, por último, na integralidade das ações.
Verticalidade
Tradicionalmente, a formação de recursos humanos foi entregue
a instâncias distintas: as instituições de formação
profissional, em geral, se ocupavam dos trabalhadores qualificados e semiqualificados;
as escolas técnicas atendiam aos níveis intermediários
da pirâmide ocupacional; e as universidades preparavam os profissionais
liberais. Na medida em que a infra-estrutura e o equipamento permitem a
concentração de esforços, além da proximidade
e permanente atenção às transformações
científico-tecnológicas dos processos de trabalho e produção,
muitas escolas e centros aceitaram o desafio de formar os indivíduos
em todos os níveis da pirâmide ocupacional de determinado ramo
de atividade. Nos casos de alguns centros, oferecem-se serviços desde
os níveis mais baixos até cursos de pós-graduação
de validade internacional. Por isso, uma das contribuições
ao sistema educativo geral é exatamente essa possibilidade de se
pensar em dar continuidade à oferta de serviços educativos
e formativos.
Como resultado, a forma de se ver essas unidades educativas é bem
diferente daquela de alguns anos atrás: são unidades que romperam
dicotomias, que definiram os programas e a sua abrangência por critérios
que levam em conta a realidade produtiva e trabalhista, fugindo a rígidos
esquemas administrativos. A abertura da unidade aos diversos níveis
da pirâmide ocupacional atende a um dos antigos desejos da educação
permanente: a escola a serviço de todos aqueles que necessitam de
algum tipo de resposta formativa.
Integralidade
Outra perspectiva que se abre com as novas orientações institucionais
é a oferta de serviços de diversos tipos para atender às
necessidades do setor - ou seja, não limitados à formação
e ao desenvolvimento exclusivo de recursos humanos. À medida que
abrem suas portas, as escolas ou centros se convertem em animadores tecnológicos,
em vitrines das principais novidades do setor, em espaços em que
alunos, professores e empresários compartilham equipamentos e laboratórios
e, como se disse anteriomente, vai se tornando realidade a integração
formação/educação/trabalho/tecnologia, superadora
das práticas fragmentárias que durante tanto tempo levaram
ao esquema do trabalho manual versus trabalho intelectual.
Integralidade das ações significa abordar o mundo produtivo
com uma bagagem de conhecimentos, experiências e o respaldo de equipamentos
e laboratórios, seja para formar trabalhadores e aperfeiçoar
técnicos seja para atualizar profissionais; e significa ainda a possibilidade
de satisfazer a demandas de tipo informativo por assistência, assessoria,
produção de protótipos ou novos processos. Integralidade
tanto na multiplicidade de respostas que os centros e escolas especializadas
estão em condições de oferecer, como na elaboração
das respostas - tudo feito de forma conjunta entre alunos, professores,
consultores e pessoal das próprias empresas.
Essa integralidade facilita a interação com o sistema produtivo
e com as demandas das políticas industriais. A formação
e a educação tecnológicas, sustentadas pelos princípios
da integralidade, se convertem em ferramentas indispensáveis para
a formação dos recursos humanos requeridos pelo mercado produtivo
e trabalhista e para a transferência de conhecimentos, experiências
e inovações a partir de determinados ramos de atividade.
Os sujeitos e as modalidades da ação
O terceiro plano em que é possível encontrar inovações
refere-se à mudança na clientela das diferentes unidades.
Já não são apenas os indivíduos que apelam para
os seus serviços, pois agora a unidade produtiva (a empresa) se apresenta
como importante usuário de serviços de diversos tipos, além
daquele da formação.
Não muda somente o sujeito do atendimento. Aparecem também
outras modalidades de projeção das unidades. Estas, embora
continuem buscando os seus educandos no mercado de trabalho, passaram a
atuar por meio de intermediários - ou seja, aproximam-se dos indivíduos
e das empresas via câmaras setoriais, organizações de
empregadores ou empregados locais. Mas dão prioridade às novas
formas de organização da produção, como as incubadoras
de empresas de base tecnológica, os viveiros de empresas, os parques
industriais, os parques científico-tecnológicos, etc.
Para sermos mais precisos, em algumas experiências inovadoras entendeu-se
que nem sempre a capacitação dos trabalhadores constituía
a primeira necessidade das empresas; que se deviam conceber as necessidades
de atualização/especialização/formação
em termos da gestão global das unidades produtivas; e, não
menos importante, que não eram só os trabalhadores que precisavam
ser atendidos pelos programas de capacitação, mas também
os próprios empresários e gerentes. Trata-se, em definitivo,
da contextualização da formação dos trabalhadores
no espaço do atendimento integral das exigências das unidades
produtivas.
Essa mudança de enfoque provoca o deslocamento da ênfase do
fortalecimento da oferta formativa para o fortalecimento da demanda de formação.
De um esquema de procedimentos em que os programas são preconcebidos
pelas instituições, e aos quais as unidades produtivas e os
indivíduos deviam adaptar-se em função de suas necessidades
de formação, tende-se para a modalidade de trabalho em que
as empresas e os trabalhadores intervêm nas fases de elaboração,
implementação, avaliação e correção
dos novos programas. Idealmente, não se deveria repetir a maioria
dos programas, que consistiriam de respostas específicas em função
da demanda expressa pelas empresas.
Esse último aspecto engloba uma vantagem adicional: torna viável
a geração de mecanismos de formação e consultoria
para a micro, pequena e média empresa. Durante muito tempo, as empresas
de menor porte relativo não conseguiram preencher as exigências
legais necessárias para a realização das atividades
de capacitação, e tampouco dispunham de mecanismos idôneos
e específicos que atendessem a suas necessidades de assistência
e apoio. A nova modalidade de trabalho, centrada no atendimento integral
das necessidades produtivas, formativas e tecnológicas, expressas
na demanda específica das unidades produtivas, permite satisfazer
aos requisitos já conhecidos, detectar outros ignorados e, o que
é mais estimulante, desencadear novas demandas.
UM LEQUE DE OPÇõES PARA A ARTICULAÇãO DO
ESTADO COM O SETOR PRIVADO EM MATÉRIA DE FORMAÇãO E
DESENVOLVIMENTO DE RECURSOS HUMANOS
As modalidades de articulação entre Estado e setor privado
na região estão longe de serem homogêneas, como tampouco
o são os graus de consolidação em cada caso.
Assim, na questão do financiamento da formação, há
países em que foram suprimidos os recursos de destinação
específica e, em seu lugar, se estruturaram incentivos fiscais, para
incentivar as empresas a capacitarem os seus próprios recursos humanos.
Em outros países, os recursos foram reduzidos. E em um terceiro grupo
de países, embora se conservem os recursos, existem disposições
que possibilitam a isenção tributária por parte das
empresas quando realizam os programas correspondentes de capacitação.
Do mesmo modo, detecta-se um leque de combinações que vão,
dependendo do País, desde a concentração das funções
de planejamento e regulamentação nos Ministérios do
Trabalho, deixando a responsabilidade da execução dos programas
a agências públicas e privadas de formação, até
a inclusão no seio de uma única instituição
pública de formação profissional das funções
de planejamento e execução. Entre esses dois extremos situa-se
a maioria dos casos nacionais, com sistemas que diferem, entre outros aspectos,
em função da história institucional da formação,
da força e capacidade de adaptação às mudanças
demonstradas pelas instituições, das condições
e orientação gerais da produção e da economia
ou das opções políticas estratégicas assumidas
pelos governos.
Para ilustrar tanto as modalidades de articulação que figuram
hoje no panorama regional como os resultados que vêm produzindo, apresentaremos
a seguir quatro casos nacionais. Inseridos a modo de exemplos, eles têm
a vantagem de permitir a visualização da diversidade existente
nesse campo, uma vez que representam, com as diversidades e adaptações
pertinentes, as variantes encontradas em outros países latino-americanos.
Primeiro exemplo: Brasil
Cabe mencionar, em primeiro lugar, as engenhosas fórmulas desenvolvidas
neste País com o objetivo de vincular a formação às
necessidades atuais e às demandas renovadoras das empresas, o que
levou as instituições de formação profissional
e as empresas a assumirem responsabilidades inéditas.
- As empresas, em processo de modernização e comprometidas
com a transformação dos seus processos produtivos e organizacionais,
com o objetivo de aumentar a produtividade, melhorar a qualidade dos seus
produtos e serviços e alcançar maior competitividade, começaram
a exigir dos organismos formativos, públicos e privados, determinados
serviços técnicos e de assessoramento tecnológico,
que vão além dos tradicionais cursos de capacitação.
Em virtude disso, algumas instituições estabeleceram formas,
meios e métodos para prestar esses serviços, mas sem se afastar
do objetivo fundamental da formação de recursos humanos. A
razão para tanto é bastante original, se bem que evidente:
para que a formação tenha algum sentido nos tempos presentes,
deve estar ligada a processos de trabalho e de inovação tecnológica
e, por isso, os organismos formativos, em vez de se limitarem a desenvolver
nos trabalhadores habilidades descontextualizadas, passaram a se preocupar
mais com o cultivo de competências, em consonância com a atmosfera
empresarial, em que existem determinados códigos de conduta e operatividade
e pautas de trabalho e produção.
- Foi assim que as instituições de formação
profissional, interpretando a formação como parte do processo
de transformação tecnológica, converteram alguns centros
formativos de excelência em Centros Tecnológicos, no esforço
de cumprir programas de atendimento às empresas, segundo ramos de
atividade econômica (curtume, calçado, mecânica de precisão,
química e têxteis, solda, movelaria, fundição,
eletricidade e eletrotécnica, alimentos, transporte, metalurgia,
artes gráficas, celulose e papel, etc.). A sua missão principal
é a de adquirir, nacional ou internacionalmente, tecnologias de trabalho
e transferi-las para as indústrias, particularmente as pequenas e
as médias. Paralelamente a essa atividade, elas empreendem, de um
lado, atividades de engenharia e desenho (pesquisa e desenvolvimento), voltadas
para a configuração de novos produtos ou a melhoria dos existentes,
visando ao aumento da produção, à produtividade e à
melhoria da qualidade, e, de outro, oferecem serviços tecnológicos
que constituem o sustentáculo técnico da inovação:
assessoria e assistência técnica; serviços de consultoria
vinculados à gestão empresarial ou à produção;
informação tecnológica; provas e ensaios de laboratório;
especificação, seleção,teste e instalação
de equipamentos; intermediação e subcontratação.
- Observe-se que esses centros, apesar da sua vocação
tecnológica, não perdem a característica de agentes
de formação, dado que, por trás da prestação
dos mencionados serviços e como pano de fundo indispensável,
está a formação de recursos humanos em determinados
ramos da atividade econômica e nos seus diferentes níveis operacionais.
E as coisas não param aí, porque alguns desses centros, graças
a acordos e ao trabalho realizado em conjunto com escolas técnicas
e universidades, oferecem serviços formativos que vão dos
níveis educacionais mais baixos a cursos de pós-graduação
de validade universal.
- Para encerrar esse caso, poder-se-ia dizer que as novas unidades formativas,
denominadas Centros Tecnológicos, são um ponto de encontro
entre educação, pesquisa aplicada e trabalho produtivo, para
onde confluem vários mundos: o da universidade, o da ciência
e tecnologia, o da formação técnico-profissional e
o do trabalho, todos comprometidos, coordenadamente, com a transformação
produtiva das empresas e dos diferentes setores econômicos.
Segundo exemplo: México
Embora descrevam o que vem se fazendo no México para o desenvolvimento
de uma concepção mais ampla e abrangente das atividades capacitadoras,
as seguintes afirmações são igualmente aplicáveis
a outros países e instituições formativas:
- durante muito tempo, as empresas mantiveram uma estratégia
de competitividade baseada na especialização rígida
das áreas administrativa e produtiva. A fragmentação
era o princípio básico para a distribuição do
trabalho, cumprindo cada área uma função;
- neste quadro, os programas de capacitação se estruturaram
como um conjunto de pacotes padronizados, destinados a transmitir aos trabalhadores
conhecimentos técnicos a serem utilizados exclusivamente nos postos
de trabalho;
- mas as condições do mercado mudaram, acarretando numerosos
problemas para as empresas organizadas sobre a base da especialização
rígida. Nessa situação, muitas delas começaram
a procurar e a aplicar estruturas administrativas mais dinâmicas,
nas quais a comunicação e a cooperação de todos
os trabalhadores para a resolução de problemas se converteram
nos aspectos fundamentais da nova estratégia produtiva;
- a atribuição de novas responsabilidades e funções
ao pessoal da empresa, distanciado da especialização rígida,
trouxe a necessidade de que a capacitação adquirisse outra
dimensão, incorporando a seus conteúdos a ampliação
dos conhecimentos técnicos e os aspectos relacionados com o controle
da qualidade e com as novas formas de organização do trabalho,
da produção e da cooperação;
- por último, a capacitação começou a ser
vista como um investimento que deve ser constantemente renovado, e só
se pode conseguir isto com a atualização permanente dos conhecimentos
dos trabalhadores e empregados da empresa, o que lhes dá condições
de enfrentar a contínua mudança tecnológica e de participar
do desenvolvimento da empresa em bases participativas.
Diante dessa viravolta conceitual e operacional relativamente à natureza
e ao alcance das atividades capacitadoras (e sempre levando em conta as
novas condições produtivas e empresariais), propõem-se
os seguintes objetivos para a capacitação dos trabalhadores:
- garantir a capacitação integral que contemple todos
os aspectos vinculados à realização do trabalho e permita
ao trabalhador alcançar melhores condições para o desenvolvimento
profissional e pessoal;
- garantir a capacitação flexível e adaptável,
modificando-se os seus métodos e possibilitando-se a substituição
rápida de conhecimentos para enfrentar as mudanças tecnológicas;
- identificar as necessidades de capacitação derivadas
da introdução de mudanças tecnológicas, novos
equipamentos e métodos de trabalho;
- garantir aos trabalhadores um processo participativo de detecção
das necessidades de capacitação, que permita identificá-las,
classificá-las e hierarquizá-las, objetivando a definição
dos programas dos cursos.
Com base nesses princípios diretivos, e no âmbito do amplo
Programa Nacional de Capacitação e Produtividade, vêm
sendo elaborados programas interessantíssimos de formação,
um dos quais, de grande atrativo para os países da região,
é o de desenvolvimento dos recursos humanos e da qualidade, produtividade
e competitividade das micro, pequenas e médias empresas.
Terceiro exemplo: Colômbia
O exemplo da Colômbia serve para a visualização do papel
simultâneo de continuidade e inovação que, no quadro
de uma política de Estado de formação e desenvolvimento
de recursos humanos, podem desempenhar as instituições públicas
de formação profissional.
A instituição que tomamos como referencial, o Sena, cumpre
o papel de continuidade graças ao seu caráter de estabelecimento
público da ordem nacional, ratificado mediante lei, sendo detentor
de patrimônio próprio e independente e de autonomia administrativa,
subordinado ao Ministério do Trabalho e dirigido de forma tripartite
por representantes do governo e das organizações de trabalhadores
e empresários.
A sua função fundamental é definida como formação
profissional integral, voltada para a incorporação e o desenvolvimento
das pessoas em atividades produtivas que contribuam para o avanço
social, econômico e tecnológico do País, atendendo de
forma prioritária aos jovens que constituem a nova força de
trabalho e concentrando esforços na qualificação para
o desempenho no âmbito dos processos de produção de
bens e serviços.
Com base na Lei de Reestruturação, essa instituição
vem realizando um processo inovador de redefinição da sua
estrutura, da sua articulação com as esferas da produção
e educação e com a sociedade em geral, dos procedimentos e
das características da sua oferta, para que, sem perder o objetivo
central da formação, se amplie a fim de incluir novos serviços.
Eis os detalhes dessas inovações:
- estrutura de poucos níveis, composta de diretoria geral, diretorias
regionais e centros de formação, sendo estes últimos
o eixo da nova organização ao assumirem progressivamente mais
competências nos campos pedagógico, administrativo, financeiro
e de planejamento, com modelos organizacionais adequados às características
de cada região e do País;
- conexão em rede dos centros de formação com clientes,
entidades homólogas e centros de informação, pesquisa
e desenvolvimento tecnológico;
- estímulo a convênios nacionais para a ampliação
da cobertura e pertinência da oferta formativa, em especial com universidades,
para o fortalecimento da cadeia de formação, e com empregadores,
para a melhoria da produtividade e competitividade;
- flexibilidade e permanente atualização dos conteúdos
da formação, como fundamento central da sua pertinência;
- modernização dos projetos, para que apóiem a
geração de conhecimentos inovadores, criativos e polivalentes;
- sistema de informação sobre oferta e demanda trabalhista,
que se concentra na ampliação da cobertura, na análise
do mercado trabalhista, na inovação na classificação
das ocupações, na extensão do serviço de orientação
ocupacional e no acesso dos usuários à formação
trabalhista;
- utilização de oficinas "virtuais" desenhadas
especialmente para apoiar processos de formação, em substituição
às oficinas reais, normalmente de custos mais elevados e de menor
cobertura;
- capacitação e assistência técnica nos níveis
de gestão das micros, pequenas e médias empresas;
- alternativas de matrícula para cursos completos ou para aspectos
específicos ou módulos de duração trimestral,
que podem ser ministrados de forma encadeada até completar um ciclo
formativo;
- com o objetivo de alcançar metas ambiciosas na utilização
de todo o potencial de contratos de aprendizado permitidos pela lei, nos
níveis de trabalhador qualificado, técnico profissional e
tecnólogo, uma combinação de estratégias: promoção
do contrato de aprendizado entre os empregadores; patrocínio de trabalhadores
já vinculados ao emprego; reconhecimento de cursos em outras instituições
de formação profissional e em empresas; estímulo à
cadeia de formação; utilização de estratégias
de formação desescolarizada ou com a metade da presença;
utilização máxima da capacidade instalada e operacional
dos centros; redução significativa de todos os custos; e melhoria
da eficiência total da entidade;
- definição de instituição aberta que busca
e executa alianças estratégicas com empresas, agremiações
de empresários e trabalhadores, organizações não-governamentais,
municipalidades, centros de desenvolvimento tecnológico, entidades
educativas e de pesquisa públicas e privadas, e outras organizações
nacionais e internacionais, como forma de captar, adaptar e transferir tecnologia,
métodos e meios para a elevação da qualidade, cobertura
e pertinência dos programas de formação, das ações
de natureza tecnológica derivadas desses programas e dos serviços
de informação para o emprego.
Toda a ação da instituição está voltada
para a consecução de resultados e é orientada pela
filosofia do serviço ao cliente.
Quarto exemplo: Chile
Por último, vale a pena mencionar a experiência chilena, que,
com as adaptações naturais, também se repete em outros
países, na questão do enfoque dos programas públicos
e privados de formação.
Na verdade, o que ocorreu no Chile foi a reestruturação total
das concepções, formas e modalidades da formação
e do desenvolvimento de recursos humanos. O resultado dessa reestruturação
foi a criação do Sistema Nacional de Capacitação,
regido pelos seguintes princípios:
- os diferentes atores, mediante um diálogo social, participam
da formulação da política nacional de capacitação
para o emprego com produtividade e eqüidade;
- as atividades de capacitação deverão ser impulsionadas
pela demanda do setor produtivo;
- a oferta de capacitação deverá desenvolver-se
em um ambiente que favoreça a concorrência entre os organismos
capacitadores, como forma de estimular a eficiência, qualidade e pertinência
dos serviços de capacitação;
- o Estado deverá assumir um papel regulador e complementar destinado
a: fomentar as atividades de capacitação e fiscalizar a sua
qualidade; atender às demandas sociais nesse campo; corrigir os efeitos
negativos na demanda de capacitação causados pelas distorções
do mercado de trabalho; e fornecer informações aos atores
do sistema, para que possam tomar suas próprias decisões nessa
área.
Os atores do Sistema Nacional são as empresas, os organismos capacitadores,
a Superintendência Nacional da Capacitação e o Estado.
As atividades formativas se organizam seguindo duas grandes linhas: Programas
de Capacitação nas Empresas e Programas Públicos de
Capacitação, sendo estes últimos estimulados, organizados
e financiados pela citada Superintendência.
Os Programas de Capacitação nas Empresas incluem as atividades
de capacitação e melhorias técnicas complementares
que as empresas realizam por iniciativa própria e cujos custos dão
direito à isenção tributária sujeita a certas
normas e formalidades. Os Programas Públicos de Capacitação
incluem as atividades que atendem às necessidades sociais de capacitação.
Por necessidades sociais de capacitação se entendem os requisitos
de formação dos segmentos mais pobres da população,
que se encontram normalmente excluídos dos programas de capacitação
das empresas.
Entre os Programas Públicos de Capacitação cabe mencionar
os seguintes:
- Programa de Capacitação de Jovens, cujo público-alvo
são jovens de poucos recursos, com problemas de marginalidade trabalhista,
devido à baixa escolaridade juntamente com a falta total de experiência
e de preparação para o trabalho;
- Programa de Capacitação e Assistência Técnica
a Pequenas e Microempresas, cujo público-alvo se constitui dos pequenos
produtores excluídos do benefício da isenção
fiscal concedido à capacitação nas empresas, devido
ao caráter informal de suas atividades, ou daqueles para os quais
a isenção não é suficiente em razão do
porte reduzido da empresa;
- Programa de Capacitação para Adultos Desempregados ou
Subempregados, cujo público-alvo são pessoas de poucos recursos
econômicos - desempregadas ou subempregadas - com experiência
trabalhista, mas com baixo nível educativo e sem nenhuma preparação
para o trabalho;
- Programa de Reconversão Trabalhista, destinado a facilitar
a mobilidade dos trabalhadores deslocados pela reestruturação
produtiva, pela modernização tecnológica e pela redução
do setor público, para novas atividades produtivas. Trata-se, em
geral, de trabalhadores especializados, cujas competências reduziram
o seu valor no mercado de trabalho;
- Programa de Aprendizado em Empresas, que tem por objetivo promover
o emprego e a preparação de jovens como operários qualificados,
por intermédio de programas formativos de longa duração
(2-3 anos), nos quais se alternam períodos de capacitação
teórica em centros apropriados com períodos de estágio
nas empresas.
CONCLUSÕES
Por mais drásticas e radicais que nos possam parecer as múltiplas
mudanças na sociedade e na economia em geral, e na esfera da formação
e do desenvolvimento de recursos humanos em particular, a visão voltada
para o desenvolvimento e em perspectiva parece a mais adequada para a abordagem
da discussão dos desafios a serem enfrentados.
Todos os atores relevantes que participam das tarefas impostas pela nova
estratégia de desenvolvimento - Estado, instituições
de formação, empresas, organizações de empregadores
e empregados - possuem uma história e têm o seu lugar de trabalho
no futuro. Todos eles enfrentam o desafio de reformular as suas formas organizacionais
e as suas funções e modalidades de inserção
na vida produtiva e social de nossos países. Portanto, mais que como
atores do passado ou do futuro, convém pensar neles como atores em
transição.
Cada um desses atores tem um importante papel a desempenhar em relação
ao tema da formação e do desenvolvimento de recursos humanos,
tema que, por sua vez, é central para cada um deles. Essa centralidade
deriva do fato de que a força essencial nesse momento de mudança
é o capital humano. Conseqüentemente, o mundo atual do trabalho
acentua a importância dos tipos de formação para o desenvolvimento
de recursos humanos que possam gerar e alavancar a mudança construtiva.
O cenário atual criou a necessidade de se estudar maneiras de desenvolver
novas e mais estreitas associações entre o Estado e as empresas
em áreas de importância estratégica para ambos, sobre
novas bases de compartilhamento de responsabilidades de apoio mútuo.
Os governos estão procurando inovações para reestruturar
os sistemas de formação, redefinir os papéis novos
e complementares do Estado e do setor privado no campo da formação
e do desenvolvimento de recursos humanos e aumentar e apoiar as iniciativas
empresariais relacionadas com a formação.
As empresas, em associação com o Estado, têm uma contribuição
estratégica a dar no processo de melhorar a pertinência, efetividade
e eficiência dos sistemas de formação, aproximando-os
dos mercados e aumentando a qualidade, capacidade e produtividade da formação.
As características inerentes à natureza do comércio
e da indústria, como o deixar-se guiar pelo mercado, a flexibilidade,
a adaptabilidade e a capacidade de responder com prontidão às
mudanças, são justamente as condições que estão
faltando nos sistemas de formação e nas burocracias governamentais.
O Estado, por seu lado, contribui para a efetividade da empresa criando
ambientes de apoio, perspectivas mais amplas e de longo prazo e equilibrando
as considerações de eficiência e eqüidade com relação
à formação.
O maior envolvimento da empresa liberaria a capacidade do Estado para áreas
que recebem menor atenção. A associação mais
estreita entre Estado e empresa na formulação dos sistemas
de formação seria desejável devido ao interesse tanto
dos governos quanto das empresas pelo desenvolvimento dos recursos humanos
necessários para a economia nacional.
A pergunta final, já respondida em grande parte pelos exemplos apresentados,
é a seguinte: Conseguirão esses parceiros criar a "cultura
do aprendizado" nas empresas e a "cultura de empresa" nas
instituições de formação?
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