Educação, Trabalho e Emprego numa Perspectiva Global

 

Karla von Döllinger Régnier*

 

 

Sumário - Das origens dos processos de globalização econômica às suas conseqüências, entre elas o desemprego, passando pela reformulação dos modos de produção -  entendendo aí o surgimento de novas formas que assume o trabalho. O artigo procura refletir sobre os desafios que enfrentam a educação e a formação profissional, assim como a cidadania, na construção do mundo que se quer.


* Karla von Döllinger Régnier é socióloga

   

Assim, todos, juntos, continuavam a sua vida

cotidiana, cada um a seu modo, com ou sem reflexão;

tudo parecia seguir seu rumo habitual, como em situações

extremas, nas quais tudo está em jogo, e a vida continua

como se nada acontecesse.  1

   

 

 

Uma perspectiva ampliada

 

É inquestionável o fato de que o mundo moderno está passando por mudanças profundas, a ponto de serem chamadas, por muitos, de uma crise sem precedentes. Esta crise tem um duplo aspecto: atinge os modelos produtivos na sua base material de produção e reprodução, os modos de produzir e fazer circular as mercadorias, e atinge as formas de socialização, a própria cultura, os "modos de vida das pessoas" bem como os instrumentos de pensamento utilizados para explicar a realidade e planejar o futuro.

A razão instrumental, herança do iluminismo, e o pensamento totalizador já não conseguem mais dar conta dos movimentos da realidade. As formas de olhar o mundo oscilam entre o micro (regional, local, particular) e o macro (global, totalizante) numa tentativa de explicar o mosaico que se tornou o mundo. Cunham-se expressões novas e ao mesmo tempo resgatam-se idéias antigas: o fim da história, o desencantamento, a pós-modernidade, o pós-industrialismo e a terceira revolução industrial, são termos que deixam de estar restritos ao meio acadêmico e entram no dia-a-dia das pessoas.

A velocidade das mudanças é exponencial e a capacidade explicativa não consegue acompanhá-las. Por outro lado, é preciso planejar o futuro, não só no nível das empresas, do mercado, do país, mas também em nível individual, dos projetos de vida, da realização dos desejos. Mas como planejá-lo sem entender completamente o presente, sem dispor das palavras certas, tampouco das idéias formadas, o que permite que se criem visões de futuro tão antagônicas? Como, diante da crise da razão, exercer atividade tão racional quanto o planejamento?

A despeito das inúmeras controvérsias que esses temas geram, existe consenso em torno de alguns pontos: o mundo se globalizou, não apenas nas suas dimensões econômicas - a busca de novos mercados e a competitividade internacional - mas também nas suas dimensões culturais e políticas.

Problemas anteriormente centrados no âmbito dos Estados-Nação saem das fronteiras locais e se tornam questões mundiais: o desarmamento, as catástrofes ecológicas, as doenças epidêmicas, o consumo de drogas e a violência são temas que passam a ser discutidos dentro de uma nova perspectiva, numa relação dialética entre o local e o global. A vida do sujeito individual é bombardeada cada vez mais por eventos, fatos e processos que ocorrem em diferentes lugares, remotamente distantes, temporariamente desconectados da sua realidade particular alterando, entretanto, esta mesma realidade e exigindo novas posturas até então impensadas. De forma mais ou menos intensa, todos são atingidos, ou seja, ninguém passa impune por estas transformações.

Nas suas dimensões econômicas, a globalização pode ser entendida, grosso modo, pelo movimento de busca de valorização do capital e ampliacão de novos mercados consumidores por parte dos países capitalistas.

As suas origens remontam ao fim da Segunda Guerra Mundial, quando se deu uma transferência maciça de recursos financeiros dos Estados Unidos para a Europa e Japão, com firmas americanas implantando filiais nessas regiões levando ao que ficou conhecido como a "multinacionalização" das organizações. Posteriormente, com a retomada do crescimento econômico por parte dos países atingidos pela guerra, os padrões de tecnologia e de consumo americanos foram disseminados pelo primeiro mundo num círculo de produção, consumo e salários que ficou conhecido como "virtuoso".

A partir dos anos 70, com a crise do dólar e flutuação nas taxas de câmbio, o capital financeiro internacional foi incentivado a investir no estrangeiro, particularmente nos países em processo de industrialização, criando, dessa forma, um parque industrial destinado a abastecer os países de primeiro mundo - nessa época o Brasil conheceu o seu "milagre econômico".

Segundo Singer:

 

/.../ a globalização é um processo de reorganização da divisão internacional do trabalho, acionado, em parte, pelas diferenças de produtividade e de custos de produção entre países. No início da sua segunda etapa, os países semi-industrializados apresentavam ao capital global vantagens comparativas, que consistiam de grande disponibilidade de mão-de-obra já treinada e condicionada ao trabalho industrial a custos muito menores que nos países desenvolvidos. Na mesma época, as lutas de classes nos países industrializados haviam se intensificado, alimentadas por crescente insatisfação de uma classe operária de escolaridade elevada com um trabalho monótono e alienante. Grandes jornadas grevistas eram resolvidas com elevações salariais que superavam os ganhos de produtividade e pressionavam os lucros. A transferência em grande escala de linhas de produção industrial para a periferia foi a resposta das empresas. Grandes centros industriais na Europa e América do Norte foram literalmente esvaziados, com prédios fabris abandonados e grande número de desempregados. Ao contrário da primeira etapa, desta vez a globalização assumia o papel de causador de desindustrialização e empobrecimento de cidades e regiões inteiras.2

 

 

Trabalho e Emprego

 

Duas questões emergem como resultados das práticas de globalização e se tornam objeto de preocupação no cenário político, social e econômico dos países, intrigando e instigando intelectuais, políticos, empresários, movimentos sindicais e sociedade civil: as mudanças no conteúdo do trabalho em face das inovações tecnológicas e organizacionais introduzidas nos processos produtivos e as mudanças nas formas de emprego.

O trabalho industrial, tal como ficou conhecido ao longo deste século, traz a forte marca dos princípios de administração científica3 desenvolvidos por Taylor em fins do século XIX. Esses princípios, de início restritos ao setor industrial, logo se expandiram, atingindo também os setores primário (agricultura) e terciário (comércio e serviços) da economia.

Grandes organizações cresceram à sua sombra, inflando os quadros de média gerência que faziam a ponte entre as informações geradas pelo "chão de fábrica" e as determinações de produção definidas nos escritórios centrais.

Após os seus dias de glória, as crises na queda de produtividade enfrentadas pelos países centrais colocaram em cheque tanto o modelo de produção de massa quanto os princípios tayloristas de organização. Face aos crescentes desenvolvimentos científico-tecnológicos ulteriores, particularmente no tocante às tecnologias de base microeletrônica e de comunicações e a emergência de modelos produtivos japoneses que se pautavam pela "produção enxuta" (de que o toyotismo é o maior exemplo), praticamente todos os setores econômicos se viram diante da necessidade de reformular seus modos produtivos. A palavra de ordem passou a ser "flexibilização": flexibilização de produtos (produção segundo a demanda dos clientes), de processos (mudanças rápidas na linha de produção para se adequar aos novos produtos), de pessoas (trabalhadores multifuncionais ou polivalentes).

O resultado foi um profundo impacto sobre o conteúdo do trabalho, mudando o perfil das ocupações e a composição dos setores, e sobre as formas de emprego.

O emprego formal, com férias remuneradas, jornada de trabalho limitada, salários fixos, direito à aposentadoria, etc., fruto de conquistas trabalhistas de longa data, se vê fortemente ameaçado em suas bases.

Por outro lado, o conteúdo do trabalho, definido em termos de posto de trabalho, baseado em tarefas prescritas, dividido entre trabalho de concepção e de execução, classificado segundo ocupações se mostra ineficiente no sentido de atender às novas demandas produtivas.

O uso de inovações tecnológicas nos processos produtivos - novas máquinas, novas matérias primas e insumos - combinado com as inovações organizacionais - células de produção, just-in-time, círculos de controle de qualidade, etc. - tem provocado um forte aumento da produtividade ao mesmo tempo em que dispensa, em taxas crescentes, mão-de-obra tanto direta (trabalhadores de produção) quanto indireta (chefias intermediárias, pessoal administrativo, supervisores, etc.).

Na medida em que este processo, em função da globalização, não se restringe aos países centrais, os problemas relacionados à formação de uma mão-de-obra suficientemente escolarizada, com iniciativa, autônoma, competente e em condições de fazer frente a estas mudanças, por um lado, e por outro os problemas relacionados ao desemprego tecnológico e derivados do aumento de produtividade das empresas, passam a ser questões de amplitude global, frente às quais todas as nações e comunidades, em maior ou menor grau, precisam posicionar-se no sentido de planejarem suas políticas.

 

 

O conteúdo do trabalho

 

Os novos modelos produtivos correspondem a uma crise do "posto de trabalho", forma por excelência de organização do trabalho no interior dos modelos taylorista/fordista.

Em relação à composição do perfil de qualificação dos trabalhadores, duas grandes tendências podem ser observadas:

 

- a primeira se refere à requalificação média da força de trabalho, ou seja, os trabalhadores como um todo teriam suas qualificações elevadas em função da automação e das mudanças organizacionais;

 

- a segunda se refere à polarização das qualificações, ou seja, um núcleo reduzido de trabalhadores teria a sua qualificação elevada, enquanto que a grande massa estaria sujeita a um profundo processo de desqualificação.

 

Algumas considerações podem ser feitas em relação ao perfil dos trabalhadores "requalificados" (fruto da primeira tendência) bem como dos trabalhadores "nucleares" (que teriam seus empregos assegurados e seu perfil elevado). Tomando ambas as possibilidades, as perspectivas apontam para o fato de que, destes, espera-se cada vez menos que desempenhem tarefas previamente definidas ou prescritas. Ao invés de estarem alocados a um certo posto de trabalho, estes trabalhadores passarão a ter "missões" para desempenhar ao longo do processo produtivo.

Estas missões, cujo componente de avaliação em última instância consiste na capacidade de produzir mais, em menos tempo, maximizando os recursos, podem ser traduzidas no incentivo crescente para que os trabalhadores passem a intervir no processo, corrigindo erros, resolvendo problemas que se apresentam, negociando junto a colegas, superiores, fornecedores e clientes. Para tanto, o perfil desse novo trabalhador passa a exigir novas habilidades, até então relegadas a segundo plano e até mesmo negadas nas relações de trabalho anteriores.

Recente relatório do Cinterfor afirma que, para o trabalhador dos novos tempos, não é mais suficiente ter o domínio de um conjunto de conhecimentos e habilidades práticas relacionadas com o desenvolvimento de uma ocupação determinada. Para assegurar sua empregabilidade, tornam-se indispensáveis novas habilidades específicas, dentre as quais destacam-se:

 

- uma maior compreensão da atividade produtiva em seu conjunto e do ambiente em que esta se realiza, além do simples posto de trabalho;

- uma excelente capacidade de comunicação, tanto oral como escrita;

- aptidão para resolver problemas e trabalhar em equipe e também para tomar decisões de forma autônoma com base em informações objetivas; e

- uma grande disposição para mudanças, em razão dos permanentes desafios que se impõem, às unidades produtivas, das flutuantes condições dos mercados e das inovações tecnológicas.4

 

Muitas das novas habilidades requeridas vão além do que tradicionalmente se convencionou ser passível de adquirir via mecanismos formais de educação e formação profissional. Do novo trabalhador, espera-se uma disposição para o autodesenvolvimento, para o aprendizado permanente, a apresentação de soluções criativas, o exercício da autonomia, a mobilização de saberes oriundos da escola e das suas experiências de vida. Não basta mais que ele seja qualificado, é preciso que seja "competente".

Esta nova abordagem produz um efeito colateral: o trabalhador do futuro esteja ele participando de uma relação formal de emprego ou não, nunca estará completamente "pronto" como um trabalhador formado, acabado. A sua profissionalização passa a ser um constante aprendizado, um constante vir a ser. Isto traz implicações profundas tanto na organização dos espaços produtivos e nas negociações salariais (como negociar salários baseado em competências?), quanto nas formas de vida das pessoas, que se acostumaram a separar os tempos e espaços dedicados ao trabalho dos tempos e espaços dedicados ao lazer e à vida privada. Estes se tornam imbricados, e o esforço necessário para se manter como elemento produtivo cresce exponencialmente, invadindo esferas da vida até então impensadas. Todos os momentos e ambientes destinados à vida pessoal passam a ser considerados como locais e tempos de "aprender". Até mesmo os contatos com amigos, as relações com familiares, a leitura do jornal e de um livro, o cinema, mais do que lazer, tornam-se instâncias de aquisição de conhecimentos, que devem ser "armazenados" e "classificados", visando a sua possível utilização futura na vida produtiva. Hirata afirma que:

 

O espaço dito habitualmente como privado e que escapa à socialização profissional é reduzido ao mínimo. Da mesma maneira, pode-se dizer que a importância da contribuição conjunta da socialização familiar, da educação escolar e da formação profissional é particularmente decisiva neste modelo.5

 

Nesse sentido, podemos pensar que a responsabilidade pela formação para o trabalho passa a ser, cada vez mais, de natureza individual, fruto das iniciativas e esforços pessoais, das redes de relações nas quais a pessoa se encontra, do investimento (financeiro, de tempo, de esforços) de cada um.

Um outro ponto a ser considerado diz respeito ao papel da "Empresa" como agente disseminador de novos padrões culturais para a sociedade. As sociabilidades desenvolvidas pelas empresas deixam de ser vistas como restritas aos processos produtivos ou aos "muros das fábricas", para atingir várias instâncias de organização da sociedade civil. Desta forma, a "Empresa" passa a penetrar em determinados espaços até então limitados ao papel do Estado, reorganizando relações sociais. Torna-se cada dia mais comum ver-mos empresas promovendo e subsidiando atividades educacionais, esportivas e artístico-culturais. A busca exclusiva de lucro deixa de ser a medida de sucesso empresarial e outros valores passam a ser considerados como relevantes, tais como a sua capacidade de influir e de ser aceita e bem vista no ambiente em que se encontra instalada.

 

 

As novas formas de trabalho

 

Além das mudanças no conteúdo do trabalho, temos assistido a uma ampla diversificação nas formas de trabalho. Para além do fato de que empregos permanentes, para toda a vida, seguros e com salários fixos estão cada vez mais raros, observa-se o crescimento de formas de trabalho "alternativas", tais como o contrato por tempo determinado, por prestação de serviço, estágios, etc.

Muitas destas modalidades alteram as formas tradicionais de relacionamento patrão/empregado, fazendo com que cada indivíduo, ele mesmo, funcione como se fosse uma "Empresa".

Fala-se da metáfora da "empresa individual" como paradigma de trabalho para uma boa parte das pessoas no futuro. A empresa individual reúne, num único sujeito, todas as atividades das "empresas": produção, circulação, marketing, desenvolvimento, administração, etc. O seu "capital" é formado de uma série de elementos que, dispostos em rede, caberia a cada indivíduo administrar. O capital da empresa individual, para muitos entendido como capital humano, pode ser descrito como sendo o agregado dos seguintes componentes: 6

- Educação, formação e cultura - representa o "capital cultural" acumulado pelo indivíduo ao longo de processos de aprendizagem formais e informais;

- Talentos e competências - representa o "capital de trabalho" resultante da prática e da aprendizagem profissionais;

- Sabedoria e experiência - representa o "capital pessoal" resultante das atividades em geral, das viagens, das trocas nas relações com outras pessoas, etc. Este capital inclui igualmente os equilíbrios, reflexões, idéias e ideais oriundos da vivência pessoal;

- Posicionamento no mercado de trabalho - representa o nome, a reputação adquiridos na rede de relações profissionais em função dos trabalhos realizados e inclui, igualmente, o potencial do nome e da reputação para a realização de atividades futuras;

- Portfólio profissional - representa o equilíbrio entre as várias atividades que foram construídas pelo indivíduo ao longo do tempo;

- Base da clientela - representa a rede de clientes reais e potenciais com os quais o indivíduo trabalha ou pode vir a trabalhar;

- Propriedade intelectual - representa a produção intelectual sob a forma de patentes e direitos do autor;

- Dinheiro e ativos - representa o acúmulo econômico de capital;

- Família e rede social - representa a rede de relacionamentos em que o indivíduo se insere e de que pode lançar mão em caso de necessidade;

- Energia e saúde - representa o capital hereditário de saúde e também o investimento que cada um faz em si mesmo com o objetivo de manter-se saudável e dinâmico;

- Qualidades pessoais e talentos - representa o que os outros apreciam em um indivíduo e também os seus talentos, relacionados ou não com a sua área de atuação.

 

Outra modalidade de trabalho que vem assistindo um grande crescimento ao longo dos últimos anos é o teletrabalho, ou o trabalho realizado fora do escritório, por muitos conhecido também como "empresa virtual". Esta forma de trabalhar já é uma realidade para cerca de 7 milhões de pessoas nos EUA, 150.000 na Alemanha, 560.000 no Reino Unido, 215.000 na França e 80.000 na Itália.7

Embora apresente ainda alguns problemas, tais como dificuldades de enquadramento no plano de cargos e nos esquemas de promoção, o teletrabalho tende a aumentar. Pelo lado do trabalhador apresenta vantagens de economia de tempo gasto em locomoção da residência para o escritório (problema crítico nos grandes centros urbanos), além de poder realizar suas atividades em casa, administrando o tempo em conjunto com as atividades domésticas. Pelo lado da empresa representa economia de instalações e material de consumo.

 

 

Emprego, desemprego e suas variantes

 

O impacto das novas tecnologias e inovações organizacionais têm levado a mudanças na estrutura ocupacional e deslocamentos setoriais. Ocupações desaparecem, outras são reformuladas e novas são criadas. Setores novos, principalmente ligados à prestação de serviços, crescem em importância, ganhando uma maior participação econômica na composição do PIB das nações. A área de Turismo é um dos exemplos mais contundentes deste crescimento, pois ao mesmo tempo em que se expande, segmenta suas ofertas: turismo infantil, turismo para terceira idade, para mulheres, para aventureiros, para homossexuais, etc.

Nos grandes centros, os serviços de suporte domiciliar ou de administração doméstica (tais como levar e trazer filhos de escola, providenciar consertos de vazamentos, organizar compras de mercado, pagamento de contas, etc.) podem encontrar um espaço fecundo de ampliação na medida em que os responsáveis pela organização dos lares, mormente mulheres, são solicitados a assumir um papel ativo no mundo do trabalho.

Com a pressão social e as exigências dos Estados em relação aos cuidados com o meio ambiente, as indústrias produtoras e desenvolvedoras de novos produtos relacionados ao controle de emissão de poluentes (tais como filtros biológicos), bem como tecnologias alternativas de produção que não agridam o meio ambiente (gases isentos de CFC utilizados em aerossóis) encontram um vasto espaço de crescimento.

Mas nenhum setor apresenta-se com uma força de crescimento tão grande quanto a chamada "indústria de informações" ou "indústria de conhecimentos". Formada por trabalhadores altamente qualificados, notadamente bem remunerados se comparados com os demais e com uma renda que tende a crescer na relação de salários, usufruindo de uma série de benefícios adicionais, ela engloba profissões que vão desde cientistas, engenheiros projetistas, analistas de software, pesquisadores em biotecnologia, especialistas em marketing, advogados, jornalistas, etc., até ocupações inéditas, cujos títulos variam enormemente, como é o caso de estrategistas, pesquisadores de informação, analistas de informação, tradutores culturais, etc.

Ocupações com as quais estamos habituados a conviver diariamente passam a ter um destino "selado": recepcionistas, caixas de banco, digitadores (já nem se fala em datilógrafos !), arquivistas, mestres e contramestres na indústria, supervisores e gerentes médios, apenas para citar alguns exemplos, têm sido duramente atingidas e as perspectivas futuras apontam no sentido de que estas ocupações e cargos sejam completamente eliminados.

A questão que se coloca diz respeito à cada vez mais reduzida capacidade do setor terciário e dos "novos setores" de absorver tanto o contingente de mão-de-obra dispensado pelos demais setores quanto a crescente população jovem que chega ao mercado de trabalho disputando um lugar ou um emprego. Estima-se que até o ano 2.010 os países em desenvolvimento acrescentem mais 700 milhões de homens e mulheres à sua força de trabalho, "uma população maior do que toda a força de trabalho no mundo industrial em 1990".8

Do ponto de vista do emprego organizado, formal, o impacto das novas tecnologias e inovações organizacionais apresenta-se com uma dupla face: de um lado reduzem-se, a níveis nunca antes vistos, os empregos em termos de postos de trabalho, e do outro precarizam-se as relações trabalhistas.

Desta forma, na esteira da globalização e da "nova revolução industrial", vemos aumentar os contratos sem vínculos empregatícios, contratos por tempo determinado, sem carteira assinada, a domicílio, independentes, estágios, etc., ao mesmo tempo em que aumenta o desemprego estrutural (fruto do rearranjo industrial em termos globais) e tecnológico (fruto da adoção de novas tecnologias poupadoras de mão-de-obra).

Rifkin, em recente livro onde analisa o futuro do emprego, apresenta dados alarmantes:

 

Entre 1981 e 1991, mais de 1,8 milhão e oitocentos mil de empregos na área industrial desapareceram nos Estados Unidos. Na Alemanha, os fabricantes têm demitido trabalhadores ainda mais rapidamente, eliminando mais de 500 mil empregos apenas em um período de 12 meses, entre 1992 e 1993. 9

 

Acrescenta que, embora o mercado de trabalho possa apresentar recuperação a curto prazo, a tendência aponta para taxas de desemprego crescentes:

 

 

A introdução de tecnologias

 

mais sofisticadas associadas a ganhos de produtividade significa que a economia global pode produzir um número cada vez maior de bens e serviços, empregando uma porcentagem cada vez menor da força de trabalho.10

 

O setor de serviços, que tradicionalmente absorve a mão-de-obra dispensada das indústrias e agricultura, se vê, ele próprio, atingido pela revolução tecnológica. Apenas como exemplos podemos citar o setor bancário, que vem substituindo sistematicamente as ocupações de caixa e atendentes em prol dos caixas automáticos, e o comércio varejista que vem ampliando suas estratégias de venda através das mídias de televisão e redes de computador, dispensando vendedores, caixas, embaladores, transportadores, etc. Essas inovações, além de atingirem o emprego de trabalhadores alocados nesses setores, têm levado também à disseminação da cultura do "auto-atendimento", onde o cliente realiza, ele mesmo, todas as operações outrora centradas em outras pessoas. Esse fato traz, pelo lado do "consumidor", um impacto a mais, qual seja, ele ter que se tornar cognitivamente competente e capaz de utilizar as novas tecnologias para poder ter acesso a esses serviços.

O desemprego não só está se ampliando, atingindo cada vez um maior número de trabalhadores, como também está se modificando em suas características básicas: o tempo no qual as pessoas permanecem na condição de desempregadas também se amplia, e com isso, algumas se vêem fadadas a nunca mais retornarem ao mercado de trabalho - é o desemprego permanente.

Países de primeiro e terceiro mundo se vêem atingidos pela mesma "onda" de desemprego: um em cada nove trabalhadores da Europa Ocidental encontra-se sem emprego. "O nível de desemprego na França está em 11,5%. Na Inglaterra, atingiu 10,4%. Na Irlanda, está acima de 17%. Na Itália, atingiu 11,1%. Na Bélgica, chega a 11%. O desemprego na Dinamarca está chegando a 11,3%. Na Espanha, antes entre os países de maior crescimento na Europa, um em cada cinco trabalhadores está desempregado."11 A situação no terceiro mundo não é diferente no México, 50% da sua força de trabalho encontra-se desempregada ou subempregada.

O trabalho temporário e o trabalho a meio expediente têm sido apresentados como forma de remediar a situação de desemprego por diversos governos, e as empresas nas suas práticas de terceirização passam a adotá-los como forma de flexibilização de mão-de-obra. O número de empresas que funcionam como fornecedoras de trabalhadores temporários, inicialmente voltados a serviços de manutenção, administração e de escritórios, tem crescido e a tendência é que aumente ainda mais, atingindo serviços mais centrais, tais como desenvolvimento de produtos, informática, gestão de pessoal, etc. Dessa forma, as corporações tendem a manter um núcleo mínimo de trabalhadores "formais", altamente qualificados e bem remunerados, e um sistema de trabalhadores "satélites", sem direito aos encargos trabalhistas e facilmente dispensáveis, formados por empresas menores, estagiários, trabalhadores temporários, etc., vivendo em relações de trabalho precárias e inseguras.

Como conseqüência, observa-se o ressurgimento de movimentos racistas e neofacistas em países como Alemanha, França, Itália e Estados Unidos, onde o estrangeiro, o negro, o hispânico, passam a associar-se, no imaginário social, ao "outro" que vem roubar os empregos e disputar com a população "nativa" um espaço no mercado de trabalho, o que desencadeia atitudes xenofóbicas acrescidas de violência e atentados.

Uma das soluções vislumbradas no sentido de fazer frente ao desemprego tem sido a proposta de redução da jornada de trabalho. "Trabalhar menos para trabalharmos todos" tornou-se o lema dos sindicatos italianos. Na França circulam no Parlamento propostas para a redução da semana de trabalho. Algumas empresas particulares, como a Volkswagen, têm adotado esta prática como forma de evitar a demissão em massa. Embora muitos empresários se mostrem reticentes em relação às extensões destas medidas, a adesão por parte dos trabalhadores, principalmente mulheres, vem aumentando, mesmo que isto implique uma redução salarial. Os defensores apontam para os benefícios na divisão dos ganhos de produtividade e no aumento do tempo livre, podendo ser gasto com atividades de lazer e com cuidados à família.

Duas perspectivas de futuro podem ser vislumbradas: uma emerge do acirramento das tendências hoje em curso relacionadas ao desemprego e à impossibilidade de geração de renda por um contingente cada vez maior de pessoas, incluindo as classes médias, alimentando o bloco dos "excluídos": excluídos do trabalho, da renda, dos direitos de cidadão, da divisão dos ganhos econômicos gerados pelo aumento da produtividade. A outra perspectiva aponta para a divisão dos ganhos produtivos através da integração de medidas tais como a redução de jornadas de trabalho como estímulo à geração de empregos e o apoio estatal na reconstrução da sociedade civil, gerando atividades e renda no chamado terceiro setor ou setor independente. Este setor constitui-se basicamente de atividades relacionadas ao serviço social, entidades filantrópicas, organizações de jovens, grupos de proteção ao meio ambiente, ONGs, etc. Enfim, são atividades criadas para suprir a lacuna deixada pelos Estados na assistência à sociedade e que escapam à lógica de lucro presente no mercado. Através da geração de trabalho e renda a partir de ações desta natureza, os excluídos do mercado formal pelo desemprego tecnológico poderiam encontrar espaços de auto-ajuda e de reorganização comunitária, o que, em última instância, contribuiria para o desenvolvimento de um ethos democrático globalizado.

 

 

Educação e Formação Profissional

 

Diante das mudanças ocorridas no âmbito do mercado aliadas às necessidades de incremento na competitividade das empresas, o papel e a função social da educação cresce de importância, tornando-se elemento de preocupação e gerando revisões nas políticas e práticas educacionais de inúmeros países.

Na medida em que o acesso a um diploma deixa de ser garantia de emprego, os jovens tendem a se "desencantarem" com a escola. Este sentimento é reforçado pelo profundo afastamento que programas e currículos sofreram em relação às necessidades do mercado ao longo dos últimos anos e às dificuldades na obtenção do primeiro emprego, levando países como França, Inglaterra e Alemanha a aumentarem o número de anos de escolaridade obrigatória como forma de fazer frente ao desemprego: segurar os jovens no banco escolar ao invés de lançá-los no mercado.

Esta mesma lógica afeta a formação profissional, levando as agências de formação a redefinirem seus papéis e a construírem uma nova imagem do que vem a ser "formação profissional", desvinculada da imagem de posto de trabalho.

Por outro lado, as séries das normas de qualidade NBR-ISO 9.000 e de gestão ambiental NBR-ISO 14.000, que operam como pré-requisito para exportação, vêm exigindo certificação de produtos e de profissionais, contribuindo para a necessidade de revisão dos currículos, metodologias e do que se convencionou chamar de processos de ensino-aprendizagem.

O mercado passa a exigir profissionais competentes, proativos à mudança, flexíveis, dotados de iniciativa e criatividade para lidar com problemas inesperados, capazes de exercer com proficiência a comunicação escrita e oral e dispostos a aprender cada vez mais. A palavra de ordem passa a ser aprendizado contínuo, aprendizado para toda a vida, reforçando a idéia de que, se deixar de investir no seu próprio aprendizado, o indivíduo está fadado à desatualização, "perde o trem da história", aumentam os seus riscos na manutenção do emprego e diminuem as oportunidades de inserção no mercado.

Portanto, o "aprender" passa a ser um ato que se estende para além dos bancos escolares - redefine-se o papel da escola, da família, dos grupos sociais e dos indivíduos que irão construir suas trajetórias profissionais e de aprendizagem. Aprender como se aprende ou aprender a aprender torna-se a grande tônica. A escola e as agências de formação, antes de mais nada, precisam estar atentas a esta questão, transformando-a em meta a ser perseguida.

Para lograr estes objetivos, e estabelecer uma aproximação entre centros de educação/formação e o mercado de trabalho, os Ministros de Educação dos países membros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) recomendam as seguintes estratégias:

 

- fortalecer as bases da aprendizagem para toda a vida, melhorando o acesso à educação na primeira infância, particularmente para as crianças em desvantagens, dando apoio ao crescimento da aprendizagem formal e informal;

 

- promover enlaces entre a aprendizagem e o trabalho, estabelecendo as rotas e pontes que facilitam um movimento mais flexível entre a educação e capacitação para o trabalho, melhorando os mecanismos para a avaliação e reconhecimento das habilidades e competências dos indivíduos, que se adquirem através da aprendizagem formal e informal;

 

- reformular as funções e responsabilidades de quem proporciona oportunidades para a aprendizagem;

 

- criar incentivos para os indivíduos, empresários e para todos aqueles que proporcionam educação e capacitação, para investir mais em aprendizagem para toda a vida. 12

 

No entanto, a confiança por parte da população na capacidade das escolas de promover mudanças internas que possam ir ao encontro das novas demandas de um mundo globalizado é reduzida. Recente pesquisa feita com 12 países membros da OCDE13 aponta que, em todos os países pesquisados, o papel da escola como desenvolvedora de qualidades e atitudes é mais importante, para as pessoas pesquisadas, do que as próprias disciplinas escolares. No entanto, o grau de confiança da população no sentido de que a escola consiga cumprir esse papel é mais baixo (53,4%) do que o grau de confiança na sua capacidade de ministrar disciplinas tradicionalmente tidas como escolares (66,2%). Dentre as qualidades e atitudes que caberiam à escola desenvolver, foram apontadas as seguintes (em ordem de importância):

 

- Confiança em si mesmo (88,4%)

- Competências e conhecimentos úteis para obter um emprego (85,5%)

- Capacidade de conviver com pessoas de diferentes meios (81,3%)

- Competências e conhecimentos que permitam uma formação posterior (81,2%)

- Modo de vida equilibrado e saudável (75,7%)

- Espírito e comportamentos cívicos (74,9%)

- Motivação para continuar os estudos ou completar a formação (74,8%)

- Compreensão de outros países do mundo (64,2%)

 

Dessa forma, podemos imaginar dois grandes campos educacionais que serão fortemente atingidos, devendo sofrer alterações substanciais:

 

- currículos, métodos e técnicas de ensino-aprendizagem;

- novos agentes participando do processo de educação e formação.

 

Uma vez que a abordagem de competências tende a ser cada vez mais difundida, os currículos deverão sofrer alterações no sentido de se adequarem às mesmas. Além da inclusão de novas disciplinas (informática e meio ambiente, por exemplo) no currículo e do fortalecimento de outras (ciências e línguas), a própria estrutura curricular tende a ser revista. A França, por exemplo, após rever sua estrutura educativa, organizou uma estrutura de ensino baseada em habilidades referenciais. Essas habilidades têm como referência três campos: psicomotor (define o saber fazer), cognitivo (define o saber) e socioafetivo (define o saber ser). Esses campos são articulados com os ofícios referenciais que são o conjunto de qualificações que reagrupam as diferentes atividades profissionais.14

O modelo educacional monoprocessual cede lugar ao modelo multiprocessual, ou seja, modelos que se adaptem às necessidades das pessoas e às diversas especificações dos diferentes setores profissionais. Ao invés de uma única trajetória possível, abre-se um leque de possibilidades a serem seguidas em função das capacidades e desejos de cada indivíduo. O ensino individualizado cresce em importância.

Em relação aos métodos e técnicas, as tecnologias de informação e comunicação contribuem para uma verdadeira "revolução" nos modos de aprender. Com a disseminação do acesso a redes como Internet, programas de multimídia e até mesmo realidade virtual, aprender história antiga por exemplo, corresponderá a uma verdadeira "viagem" a Roma e Atenas, com imagens, sons e textos combinados, além da possibilidade de troca de informações e opiniões com pessoas baseadas em outras cidades e países.

Aprender biologia molecular poderá, a médio prazo, ser um processo auxiliado por equipamentos que atualmente só vemos em feiras científicas, tais como luvas e óculos especiais que permitem aos indivíduos "ver" e "sentir" os elementos no interior da matéria, naquilo que se convencionou chamar de outra realidade, ou realidade virtual.

Especialistas em informática estimam que o mercado de produtos dirigidos à área de educação é o segmento que mais crescerá dentro dos próximos anos, passando, inclusive, o desenvolvimento de aplicativos para escritório. Já temos uma amostra desse processo se prestarmos atenção ao número de títulos de programas de simulação, jogos educativos, multimídia e hipertexto lançados anualmente no mercado.

Tudo isto torna evidente o espaço que vem sendo ocupado por outros atores no processo de educação e de formação. Uma vez que o aprender se torna um processo permanente, os meios tradicionais escola/aluno tornam-se insuficientes. Torna-se imprescindível que o processo de aprendizado possa ser realizado em outros espaços, tais como o local de trabalho e residências. Isto abre as possibilidades para que meios de comunicação, empresas privadas de desenvolvimento de produtos e outros atores aumentem sua participação neste "mercado educacional".

Neste contexto, várias questões se colocam, entre elas a necessidade de se repensar o papel do Estado como definidor dos currículos e dos processos de certificação, as formas de controle sobre o "mercado educacional" no sentido de assegurar a qualidade dos produtos e as suas possibilidades de substituirem os métodos tradicionais. A médio prazo, a tendência é de que os novos produtos sejam utilizados apenas como meios complementares no ensino de crianças e jovens (o que não é verdade quando se trata de ensino de adultos). Entretanto essa tendência pode mudar, caso os procedimentos de certificação passem a levar mais em conta "o que se sabe", independentemente do lugar ou da forma pela qual se aprendeu.

Nesta perspectiva poderemos observar as práticas de ensino à distância, hoje ainda muito concentradas em ensino de adultos (graduação e pós-graduação nas universidades e cursos de formação profissional), passarem a ser uma realidade também para jovens e crianças.

A introdução dessas mudanças no cenário da educação, com a conseqüente ampliação do "mercado educacional", tende a colocar em pauta um novo problema que se refere à necessidade de se criarem na sociedade outras instâncias que passem a ocupar o papel de ambiente socializante historicamente desempenhado pela escola.

 

 

À guisa de conclusão

 

As questões aqui colocadas não pretendem dar conta da complexidade que envolve os temas educação, trabalho e emprego.

Há que se tratar destes assuntos numa perspectiva cada vez mais ampliada, pelas próprias conexões e interdependência que mantêm com outros fatores da esfera econômica, política, social e cultural.

Num tempo de mudanças contínuas e de grandes incertezas com relação às soluções futuras para os graves problemas decorrentes da expansão mundial do modelo neoliberal, o que se põe como permanente desafio para a sociedade civil é a capacidade de superar seus próprios limites e resgatar suas potencialidades, integrando-as e recriando uma nova forma de participar e interferir num contexto tão adverso e excludente.

 

 


 

 

NOTAS

 

1 GOETHE, Johann W. Afinidades eletivas. 2 ed. São Paulo: Nova Alexandria, 1993. 283 p.

2 SINGER, Paul. Desemprego e exclusão social. São Paulo em Perspectiva, 10, p. 7. 1996.

3 Segundo Braverman, a administração científica caracteriza-se por ser o "estudo organizado do trabalho, a análise do trabalho em seus elementos mais simples e o aperfeiçoamento sistemático do desempenho do trabalhador em cada um destes elementos" (BRAVERMAN, Harry. Trabalho e capital monopolista, 3. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1974 p. 86.). Em outras palavras, estes princípios pressupunham uma forte divisão entre trabalho manual e trabalho de concepção (inovativo ou de projeto), uma estrutura produtiva fortemente hierarquizada e uma profunda prescrição do trabalho a ser executado na linha de produção em termos de tarefas. Estas por sua vez eram decompostas nos seus tempos, movimentos e conhecimentos necessários. Esta forma de organização do trabalho foi dominante durante a maior parte do nosso século, ao menos no que se refere aos países centrais.

4 REUNION DE LA COMISION TECNICA, 33. Ocho Rios, Jamaica, 1995. Horizontes de la Formación. Montevideo: Cinterfor, 1995. Documento de Referência. Tradução nossa.

5 HIRATA, Helena. O(s) mundo(s) do trabalho. [ S.l.: s.n.] Texto apresentado no Seminário Rhodia/PUC-SP , sobre Educação e Empregabilidade. São Paulo, 7, 8 e 9 de agosto de 1996.

6 AUBREY, B. L' Enterprise individuelle: vers une nouveux modèle de travail. Futuribles, n. 207, mar., 1996.

7 GBEJO, Bernard E. Otro modo de trabajar: la revolución del teletrabajo. Trabajo - Revista de la OIT, Ginebra, n.14, p. 4-7, dic, 1995. p. 4.

8 RIFKIN, Jeremy. O Fim do emprego. São Paulo: Makron Books, 1995. p. 229.

9 Id. ibid. p. 8.

10 Id. ibid. p. 12.

11 Id. ibid. p. 221.

12 TUIJNMAN, Albert . Aprendizaje para toda la vida. Proyección Humana, Mexico, v. 8 n. 97, p. 14-17, jul., 1996. Tradução nossa.

13 MICHEL, Alain. Les Compétences de base pour le XXIe siècle. Futuribles, p .5-29, juin 1996.

14 DUFOR, Robert. Grandes inversiones en educación Proyección Humana, Mexico, v. 8, n.97, p. 21-22, jul.,1996.

 


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