Alguns Elementos sobre a Racionalidade dos Modelos Taylorista, Fordista e Toyotista

 

 

Karla von Döllinger Régnier*


 

 

Sumário - O artigo se propõe a discutir o desenvolvimento dos modelos produtivos taylorista, fordista e toyotista como formações históricas determinadas, que articulam de diferentes modos os processos produtivos e as relações sociais, definindo padrões de racionalidade específicos. Ressalta as características básicas constitutivas desses modelos, suas semelhanças e suas diferenças.

 


* Karla von Döllinger Régnier é socióloga

 

 

A racionalidade dos modelos Taylorista, Fordista e Toyotista se desenvolve no bojo de contextos que combinam, por um lado o grau de desenvolvimento das forças produtivas no interior das empresas nas quais surgem e por outro o seu "em torno", ou seja, o meio ambiente circundante a estas empresas (tipo de organização e de atuação política da classe trabalhadora e empresarial, natureza da relação da classe empresarial com o Estado, etc.) que tanto favorece quanto impõe limites à elaboração e disseminação de um projeto racional (nem sempre orientado somente em relação aos ganhos econômicos) de mudança nas formas de organização dos processos produtivos e nas relações sociais (ditando novas formas de comportamento e de consumo, interferindo nos padrões de moralidade, etc).

Portanto, discorrer sobre a racionalidade de cada modelo em particular requer, antes de mais nada, que se contextualize historicamente estes modos específicos de organizar o processo produtivo, de gerir o trabalho, de influir e de ser influenciado por outros atores sociais, etc., modos estes que posteriormente vieram a ser conhecidos como "modelos".

 

 

A RACIONALIDADE DO MODELO TAYLORISTA

 

O projeto desenvolvido por Taylor no início do século busca responder ao desafio maior com o qual se defrontava o capitalismo americano, impondo limites à sua expansão e consolidação; qual seja, uma classe trabalhadora organizada em torno de ofícios, com domínio e monopólio do saber produtivo.

A escassez de mão-de-obra qualificada e a "indisciplina" dos trabalhadores (mormente a sua participação em movimentos políticos) eram fatores tidos como grandes obstáculos ao movimento de acumulação do capital.

As possibilidades de desenvolvimento das empresas capitalistas eram então fortemente dependentes dos movimentos das classes trabalhadoras, desde a escolha do local de implantação da fábrica, que deveria ser próxima da residência dos trabalhadores, até às negociações com os sindicatos e associações que ditavam as normas de trabalho, os princípios de qualidade dos produtos, os salários e formas de remuneração, etc.

A configuração do meio ambiente externo à empresa exercia, portanto, um papel fortemente determinante, limitando as possibilidades da classe empresarial de desenvolver projetos e ações expansionistas com força tal que pudesse alterar o panorama econômico então vigente.

Antes de Taylor são desenvolvidas de forma mais ou menos sistemáticas, algumas práticas que visam atingir aspectos tanto econômicos (aumento da produtividade) quanto políticos (limitação do poder de barganha da classe trabalhadora) envolvidos no processo produtivo, práticas estas que, de alguma forma, inspiraram e forneceram as bases de elaboração dos estudos tayloristas.

Dentre estas, destacam-se:

 

1. o incentivo ao uso de maquinarias produto da união entre capital e ciência que se traduz na ciência aplicada;

2. o emprego de menores nas linhas de produção com economia de salários e redução do poder de articulação dos trabalhadores adultos; e

3. práticas de subcontratação que utilizavam um trabalhador qualificado (dotado tanto do conhecimento do ofício quanto do conhecimento da performance dos seus colegas) para contratar, coordenar e fiscalizar o processo produtivo de algumas oficinas.1

 

Embora a adoção destas medidas tenha apresentado inúmeros resultados positivos, o problema maior de dependência / subordinação do capital a um saber operário ainda persistia, agravado pelo número limitado de trabalhadores capazes de "tocar" a produção em contraste com o enorme contingente de trabalhadores sem ofício disponíveis (número este ampliado pelos movimentos migratórios provenientes da Europa Oriental e Ásia que alteram a composição estrutural da classe trabalhadora americana).

Em síntese, os desafios postos pelo meio ambiente ao desenvolvimento capitalista americano, com os quais Taylor se defronta, podem ser sumariamente descritos como:

 

 

Taylor se propõe a analisar cientificamente o modo como se desenvolve o trabalho no "chão de fábrica" de forma a decompô-lo nas suas diversas tarefas para, a partir destas, mensurar os tempos e movimentos gastos na sua execução de modo a estabelecer um tempo "ideal" a ser perseguido como forma de aumentar a produtividade.

Ao fazê-lo, torna possível a eliminação de tempos mortos existentes na produção (movimentos executados de forma "incorreta" acarretando inclusive danos ao corpo do trabalhador) e concentra, nas mãos do capitalista, o conhecimento ou saber necessário à realização das mercadorias. Desta forma, atinge os trabalhadores de ofícios naquilo que, até então, era o seu grande trunfo: o saber produtivo, liberando parcialmente desta forma o capital das amarras do sindicalismo organizado, uma vez que torna possível a contratação de trabalhadores não sindicalizados e não qualificados que, mediante alguns treinamentos internos desenvolvidos na própria empresa, facilmente estariam disponíveis para fazer fluir a produção.2

O projeto de racionalização taylorista embora posteriormente extrapole os limites da empresa alterando determinadas relações sociais (relação empresário/sindicatos e trabalhadores/sindicatos por exemplo), visa à racionalização do interior da empresa capitalista, objetivando o aumento da produção e da produtividade sem ter que recorrer a inovações de base técnica. Atua sobre o posto de trabalho individual através do planejamento e controle do trabalhador e das suas práticas de trabalho, de modo que se possa eliminar o desperdício do esforço físico (via estudo dos tempos e movimentos).

Como princípios deste projeto estão presentes:

 

 

 

A RACIONALIDADE DO MODELO FORDISTA

 

Embora o modelo fordista seja normalmente associado a uma evolução nos princípios e práticas tayloristas, a forma como cada um deles se apropria, interpreta e atua junto ao meio ambiente circundante apresenta diferenças substanciais. Se no modelo taylorista, grosso modo, as circunscrições do meio ambiente entram como um "dado" a ser considerado na busca de fins econômicos (tornando o modelo de racionalidade mais voltado para aspectos internos da empresa), o modelo fordista busca, de forma muito mais enfática, alterar e construir um meio ambiente que lhe seja favorável, que permita a realização de um determinado projeto econômico. Desta forma, ele não se limita apenas aos espaços produtivos, mas busca construir novas relações, novos padrões de consumo e de valores sociais que possam dar sustentação a um determinado "modo de produzir" no interior da fábrica.

Nesse sentido, o modelo fordista evidencia a conjunção de diferentes racionalidades ­ econômica, social e política ­ que atuam simultaneamente em espaços distintos, numa espécie de "coordenação" em busca de fins que, embora visem a aspectos econômicos, não se limitam a eles.

Os princípios fordistas foram gerados logo após a primeira guerra mundial, que demandou uma expansão da produção industrial pesada em torno da indústria bélica, forçando a criação de novas racionalizações dos processos produtivos que propiciassem a produção em série (esta por sua vez apresenta desafios em relação à normalização e padronização de materiais, componentes e equipamentos).

Pelo lado social, o panorama vigente aponta para uma sociedade fragmentada pela guerra, com valores e normas de conduta enfraquecidos e sendo cada vez mais questionados após uma revolução socialista vitoriosa. A classe trabalhadora americana, por sua vez, encontrava-se organizada e disciplinada econômica e socialmente.

O desafio de Ford dirige-se à produção (e necessário consumo) de massa: um automóvel para cada família americana passaria a ser o seu lema.

A racionalidade do modelo fordista baseava-se tanto na promoção de mudanças no interior da fábrica via inovações de base técnica e organizacionais quanto na promoção de mudanças nas relações sociais: tornava-se necessária a mercantilização da classe trabalhadora. Para que o consumo em massa pudesse ser bem-sucedido tornava-se mister que os trabalhadores não dispusessem de outros meios que não o mercado para garantir a sua reprodução.

O projeto fordista de consumo de massa ataca a organização do cotidiano operário não apenas nos seus hábitos de consumo de mercadorias, mas também nas formas e modos de consumir seu tempo livre, nas relações familiares (valorizando a família nuclear e monogâmica) e sexuais acentuando o valor "moral" do trabalho como elemento disciplinador e organizativo da sociedade, atingindo a própria cultura operária. 3

Nos aspectos relacionados ao "interior" da empresa, o projeto fordista busca fazer frente às relações de trabalho e de produção até então vigentes. Para tanto, parte da decomposição do produto (ao invés da decomposição do trabalho como em Taylor) em seus vários elementos constitutivos, fazendo com que estes elementos circulem pela "linha de montagem". 4

Este aprofundamento e avanço em relação à lógica taylorista de organização da produção é acompanhado de uma completa fragmentação do conteúdo do trabalho, que de "qualificado" (que embora empobrecido pelos estudos de tempos e movimentos ainda se mantinha uma "unidade") torna-se "especializado" em uma única tarefa ou movimento, cujo ritmo agora é ditado pela esteira da linha de montagem, no que ficou conhecido como tempo imposto pela máquina. Daí decorre o fato de que as inovações na base técnica, tais como, o desenvolvimento de máquinas e equipamentos dedicados, ocupam uma posição privilegiada no seu projeto, modificando inclusive a composição orgânica do capital.

Como decorrência, os tempos "mortos" dedicados ao transporte de materiais bem como à passagem do produto de um posto de trabalho para outro (momentos de socialização da classe trabalhadora) são eliminados, assim como um número razoável de funções de manutenção, permitindo a redução do efetivo de mão-de-obra necessário à operação da planta produtiva e à sua mudança qualitativa.

Obtém-se tanto o alongamento da jornada efetiva de trabalho pela concentração e intensidade do trabalho concreto dispendido5 quanto uma diminuição no tempo de treinamento necessário à "formação" do trabalhador, o que em tese faz cair o seu valor de reprodução.

A forma de remuneração também é objeto de racionalização, o salário sofre aumento do seu valor nominal e passa a ser diário - o conhecido five dollars day - porém não atinge a todos os trabalhadores. O "direito" ao salário de cinco dólares pressupunha uma relação de estabilidade no emprego (apenas trabalhadores com mais de um ano de empresa poderiam pleiteá-lo) e sujeitava os trabalhadores a controles disciplinares extra-fábrica.

Instaura-se a gestão da vida e comportamento privado bem como da intimidade, na medida em que para se ter "direito" ao salário, torna-se necessário seguir a um conjunto de restrições quanto aos modos de fazer uso do dinheiro (controle de gastos e consumo), a não participação em jogos de azar, ao comportamento sexual, etc. Estes seriam os indícios mais explícitos da tentativa de adequação das relações sociais desenvolvidas extra-produção a uma racionalidade econômica e técnica que opera intra-produção (internamente à fábrica).

Mais que isto, o modelo fordista estabelece ainda um novo patamar para o surgimento de empresas, uma vez que se volta à produção de grandes lotes de mercadorias, o montante de investimentos necessários para se abrir e manter uma planta produtiva impõe limites quanto ao tipo de indivíduo que pode vir a se tornar empresário, favorecendo uma maior articulação entre o capital financeiro e o capital produtivo.

Em síntese, a racionalidade fordista pode ser sumariamente descrita como:

 

 

 

A RACIONALIDADE DO MODELO TOYOTISTA

 

Da mesma forma que nos modelos anteriores, o sistema toyotista nasce a partir da necessidade de responder a desafios que são colocados pelo meio ambiente frente ao projeto econômico de expansão dos lucros e manutenção das empresas capitalistas.

Estes desafios (bem como as oportunidades que representam) estão situados historicamente na trajetória de uma empresa, região ou nação, e a partir da habilidosa combinação de fatores internos e externos, um projeto pode vir a ser bem-sucedido, tornando-se posteriormente um "modelo" (numa racionalidade que não é dada no início, mas construída ao longo de um processo) com seus princípios, métodos e regras, que vigorará enquanto conseguir responder aos novos desafios que se apresentarão.

Neste sentido, vários autores questionam as possibilidades de importações de modelos criados no bojo de situações específicas para outras situações cuja correlação de forças entre capital e trabalho, padrões culturais, relações sociais, enfim, os desafios e oportunidades, são diferentes daqueles que lhes deu origem.

No caso específico do modelo toyotista, à semelhança do taylorista, a construção de seu projeto e racionalidade atua muito circunscrita ao ambiente interno da empresa, ou seja, parte da análise dos aspectos conjunturais e estruturais presentes na sociedade japonesa em meados do século, da própria situação econômica na qual a empresa Toyota se encontrava e do estado e resultados da implantação do fordismo no ocidente.

A partir daí, estrutura os princípios de um novo modelo produtivo que poderia ser caracterizado mais por seus aspectos de "adequação" criativa às limitações encontradas transformando-as internamente em forças positivas, do que propriamente de confronto e alteração destas limitações em busca de estabelecer um novo meio ambiente mais favorável ao seu projeto (como foi o caso do fordismo em relação à criação de um mercado de massa).

Nesse sentido, pode-se afirmar que o toyotismo, sob muitos aspectos, utiliza no interior da fábrica uma racionalidade externa, presente na sociedade japonesa, como é o caso da divisão sexual do trabalho, dos aspectos próprios à cultura japonesa, das relações industriais vigentes em outros segmentos ­ emprego vitalício, salário por antiguidade, etc. Ao passo que no fordismo o movimento é ao contrário, ou seja, levar para fora da fábrica através de mecanismos de controle diversos, uma racionalidade que estava presente interiormente.

Portanto, algumas configurações externas às quais a elaboração do projeto toyotista teve de fazer frente podem ser sumariamente descritas como:

 

 

A estas somam-se eventos internos e características próprias da empresa que impuseram determinadas condições à elaboração de um projeto de reestruturação:

 

 

Como eventos paralelos ou conexos que contribuíram na formação desta nova racionalidade (e que foram também formados por ela à medida que foi se desenvolvendo) destacam-se:

 

 

Tendo estes elementos como pano de fundo, Ohno9 coloca o desafio de salvar uma empresa em crise a partir da resposta à questão de "como fazer para aumentar a produtividade sem aumentar a quantidade de produtos produzidos de um mesmo tipo e nem utilizando da contratação de mais mão-de-obra" ou, segundo suas próprias palavras, como "...fabricar a bom preço pequenas séries de numerosos modelos diferentes...". 10

Ao contrário do taylorismo e do fordismo que buscam o aumento da produtividade a partir da otimização dos postos de trabalho individuais (a melhor maneira de executar um determinado trabalho e a redução de tempos mortos), o toyotismo olha para o processo produtivo buscando reduzir os seus entraves através da eliminação de estoques na linha, ou seja, o material em fluxo deve ser somente o necessário para atender à determinada encomenda. Este princípio se estende dos materiais para os equipamentos à pessoal, dando lugar à fábrica mínima ou fábrica "enxuta".11

Como elemento derivado e interconectado, encontra-se a racionalização do trabalho, mais particularmente ao tipo de intervenção do trabalhador no processo produtivo. Ao se operar com estoques reduzidos, ou sem "folga", o controle de qualidade ao longo do processo passa a ser muito maior, de forma a evitar os produtos defeituosos que só seriam detectados ao fim do processo. Isto por sua vez implica a criação de mecanismos de controle tanto na base técnica (controles automatizados) quanto por parte dos trabalhadores, que dotados de uma certa "autonomia" são convocados a interferir no processo sempre que necessário.

Mais que isto, uma vez que a fábrica magra é também um espaço de flexibilidade do trabalho, o sentido de polivalência entendido como a capacidade de exercer várias funções diferentes passa a ser requisitado, de forma a que produtos, processos e trabalhadores operem dentro da mesma lógica de flexibilização. O ataque ao trabalho organizado em torno dos ofícios é direto, só que sob uma lógica oposta à que predominou nos modelos tayloristas e fordistas: "Este movimento de desespecialização dos operários profissionais e qualificados, para transformá-los em trabalhadores multifuncionais, é de fato um movimento de racionalização do trabalho no sentido clássico do termo. Trata-se aqui, também ­ como na via taylorista norte-americana ­, de atacar o saber complexo do exercício dos operários qualificados, a fim de atingir o objetivo de diminuir seus poderes sobre a produção, e de aumentar a intensidade do trabalho."12

Coriat 13 afirma que este processo de "desespecialização" ou "polivalência" faz-se sentir em quatro domínios:

 

 

Estas novas "capacitações" e responsabilidades dos trabalhadores são mobilizadas dentro de um novo método de organização da linha produtiva, conhecida como "linearização" ou produção em "U", que permite a rotatividade entre postos diferentes e a flexibilização em relação à quantidade de pessoal alocado no processo, atendendo desta forma tanto às demandas da produção just-in-time quanto ao princípio de aumentar a eficiência através do equilíbrio do conjunto do processo e não do posto de trabalho em particular, alterando a antiga concepção de divisão do trabalho que compunha os modelos anteriores. Esta característica por sua vez, conduz ao princípio do conhecido "tempo compartilhado" ou "tempo partilhado", que espelha a flexibilidade na alocação dos tempos em relação à quantidade e natureza das tarefas a serem desempenhadas pelos trabalhadores, bem como o seu necessário relacionamento com os demais trabalhadores da equipe na definição de metas e programação da produção.14

Sintetizando, poderíamos descrever a racionalidade do modelo toyotista como composta pelas seguintes características:

 

 

Ao concluir nosso esforço de sistematização e síntese sobre a racionalidade presente nos modelos de produção Taylorista, Fordista e Toyotista, destacamos o fato de que os três responderam, em momentos distintos, a contextos específicos e sociedades culturalmente diferenciadas, aos desafios enfrentados pelo modo de produção capitalista para dar conta historicamente, dos movimentos de acumulação do capital e das correlações de força entre capital e trabalho.

 


 

NOTAS

 

1 Segundo Coriat, ao recorrer a práticas de subcontratação, o capitalismo atingia duramente a organização dos trabalhadores em torno de ofícios, uma vez que utilizava "el oficio contra si mesmo empleando a un hombre de oficio para vigilar y controlar el trabajo de los demás. De ahí la oposición, a menuno muy enérgica, de los obreros al sistema de desajos, pues resulta evidente para ellos que con "el detajista uno no puede relajarse en el trabajo" como poderia hacerlo con un patrón situado demasiado alto o demasiado lejos, el cual no puede, como hace el desajista, organizar el trabajo según los métodos más racionales y controlar su ejecucíon." (CORIAT, Benjamin. El Taller y el cronometro: ensayo sobre el taylorismo, el fordismo y la producción en masa. [s. l.] Siglo Veintiuno Editores, [s.d.] p. 21. Cópia xerox)

2 A este respeiro Coriat afirma: "Decomponiendo el saber obrero, "demenuzándolo" en gestos elementares - por medio del "time and motion study"- haciéndose su dueño y poseedor, el capital efectúa una "transferencia del poder" en todas las cuestiones concernientes al desarrollo y la marcha de la fabricación. De esta forma, Taylor hace posible la entrada masiva de los trabajadores no especializados en la produccion. Con ello, el sindicalismo el derrotado en dos frentes. Pues quen progresivamente es expulsado de la fábrica, no es sólo el obrero de ofício, sino también el obrero sindicado y organizado. La entrada del "unskilled" en el taller no es sólo la entrada de un trabajador "objetivamente" menos caro, sino también la entrada de un trabajador no organizado, privado de capacidad para defender el valor de su fuerza de trabajo." (CORIAT, Benjamin. op. cit., p. 31.)

3 A este respeito, Gramsci afirma brilhantemente: "a vida na indústria exige uma experiência geral, um processo de adaptação psicofísico para determinadas condições de trabalho, de nutrição, de habitação, de costumes, etc., que não é algo de inato, de "natural", mas que exige ser adquirido", e continua afirmando em relação à questão da sexualidade: "a verdade é que não se pode desenvolver o novo tipo de homem requerido pela racionalização da produção e do trabalho enquanto o instinto sexual não for regulado em conformidade, não for também ele racionalizado". (GRAMSCI, Antonio. Americanismo e Fordismo. In: ____. Obras Escolhidas. São Paulo : Livraria Martins Fontes [s. d.] p. 324-325. cópia xerox)

4 A completa racionalização do espaço produtivo torna-se uma das maiores marcas do modelo fordista: acompanhar o estado da produção através de sinais coloridos, permitir à supervisão uma completa vista da planta produtiva, dispor os equipamentos e materiais de forma tal que implique o mínimo de deslocamento para alcançá-los, etc.

5 Esta nova forma de organização possibilitou que, mesmo diante da redução da jornada real de 9 para 8 horas diárias, as taxas de produtividade tenham sido ampliadas consideravelmente.

6 Sob este aspecto presente no modelo de racionalização fordista, Sabel avança colocando em relação uma determinada concepção do que venha a ser o "consumidor" e os seus desejos com a organização rígida do processo produtivo característica da produção em série: "el fordismo se basa en el supuesto de que existe un gran número de clientes potenciales que tienen esencialmente deseos idénticos e muy definidos de una larga lista de productos. Una vez que es posible fabricar un producto generalmente aceptable a un precio ampliamente accesible, éste estabelece un criterio que define cóme se satisfará el deseo específico. Para poder racionalizar la producción, se fija el diseño del producto. Y cuanto más racionalizado y específico del producto llegue a ser el procedimiento de fabricacíon, menos posibilidades habrá de modificar su diseño. Al final, las limitacionaes sobre el producto y la producción están tan entremezcladas que se paralizan y el bien manufacturado se parece a una mercancía." (SABEL, Charles F. In:___.Trabajo y Política: la división del trabajo en la industria. España: Ministerio de Trabajo y Seguridad Social, 1985. p. 281. (Coleccion Economia del Trabajo)

7 Esta não é uma característica do modelo fordista, uma vez que ela é gerada no âmbito do modelo taylorista. No entanto, o fordismo a aprofunda e radicaliza. Sabel denomida estes modelos como sistemas de "pouca confiança", em contraste com os sistemas de "muita confiança" onde o trabalhador mantém a compreensão da lógica constitutiva do seu trabalho: "el fordismo es un sistema de "poca confianza" que separa la concepcíon de las tareas de su ejecución: una vez que existen las rutinas, los subordinados sólo deben aplicarlas." (SABEL, Charles F. op. cit., p. 293.)

8 Entre outras coisas, o estabelecimento destas medidas visava diminuir a taxa de rotatividade da mão-de-obra, que como foi dito, além de estar caracterizada por trabalhadores de baixa faixa etária, não detinham a "experiência" ou o conhecimento do saber-fazer dos mais velhos. Desta forma, ao fixar o trabalhador numa empresa, torna-se viável o investimento em treinamentos que permitam a aquisição do saber-fazer bem como minimizam as inseguranças quanto ao futuro. O salário por antiguidade, por sua vez, dada à formação estrutural da mão de obra, possibilitava o pagamento de salários mais baixos aos mais jovens: "permitia às empresas diminuir o custo dos trabalhadores empregados, na medida que, como já se disse, as faixas etárias jovens eram super-representadas durante as décadas de 50 e 60" (CORIAT, Benjamin. Pensar pelo avesso: o modelo Japonês de trabalho e organização. Rio de Janeiro: UFRJ/Revan, 1994. p. 88.

9 Engenheiro-chefe da Toyota, criador do método "Kan-Ban" e do que veio a ser considerado o "Modelo Toyotista" ou ainda Ohminismo.

10 OHNO (1978) apud CORIAT, Benjamin. (1994) op. cit., p. 31.

11 Nota-se que tanto o fluxo invertido de produção quanto a redução de pessoal são condições impostas pelo capital financeiro à Toyota, que por sua vez são absorvidas e passam posteriormente a fazer parte como componentes essenciais do modelo toyotista.

12 CORIAT, Benjamin. (1994) op. cit., p. 53.

13 Id. ibid. p. 51-78.

14 Em relação aos princípios fundantes do tempo partilhado, Coriat afirma: "Apoiado sob as mesmas técnicas de base de análise dos tempos e dos movimentos, ele se distingue dos predecedentes princípios pelo fato de que graças à linearização das secções de produção e à multifuncionalidade dos trabalhadores, introduz o princípio da atribuição de tarefas moduláveis e variáveis tanto em quantidade quanto em natureza. As fronteiras entre postos e ilhas de trabalho são mantidas numa situação ininterruptamente "virtual" e são permanentemente transgressíveis por um ou vários trabalhadores aos quais um conjunto de tarefas previamente determinadas foi alocado." (CORIAT, Benjamin. (1994) op. cit., p. 71.).



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