DESENVOLVIMENTO DE CURSOS BASEADOS NA WEB1: UMA PROPOSTA METODOLÓGICA
Laura M. Coutinho Lopes*
Marco A. Casanova**
Abstract
Educators’ interest in the web is growing fast because of the advantages offered, such as faster distribution, access to a large audience, and quick update of published material. However, there is a challenge posed to us: to develop web-based courses that meet the new educational paradigms with reasonable production costs. The purpose of this article is to suggest a process to create web-based courses that would meet this challenge. Initially, it presents a brief background and a summary of categories, and emphases in the use of web for educational activities. The article then approaches the concepts of didactical situations and learning objects as ways of organizing the development of webbased courses. Finally, the article discusses a manner of structuring the course creation process, including a proposal for a development team based on the authors’ experiences.
Keywords: Learning Objects; Educational Activity; Course; Web; Teaching Methods.
1.
INTRODUÇÃO
O interesse dos educadores pela web
vem crescendo em ritmo acelerado, motivado
pelas vantagens oferecidas, como
distribuição mais rápida, acesso a um
grande número de pessoas e rapidez na
atualização do material publicado. Nesse
contexto, o uso da web em atividades
educacionais ganhou espaço como uma
ação educacional sistemática, cuja mediação
tecnológica se faz por meio de conexão
em rede para distribuição de conteúdo
educacional e desenvolvimento da
aprendizagem.
A web pode ser utilizada tanto para
enriquecer aulas presenciais convencionais
ou, em via dupla, aulas presenciais
podem complementar as atividades via a
web. Em uma outra direção, as atividades
educacionais também podem ser conduzidas
exclusivamente por meio da web. O
termo curso baseado na web designará esta
segunda classe de atividades educacionais.
A utilização da web provoca diferentes
mudanças no contexto educacional,
como a redefinição de papéis de alunos
e professores, habilidades diferenciadas
no ato de aprender no espaço virtual e o
desenvolvimento de novas práticas educacionais.
De fato, a oferta cada vez maior
de cursos baseados na web aumenta a
competição entre instituições e leva à
busca de maior qualidade nos cursos
oferecidos. Observa-se, no entanto, que
muitos dos cursos baseados na web insistem
no modelo pedagógico tradicional e
subutilizam as ferramentas disponíveis
na web. Silva (2000) alerta para a dificuldade
encontrada pelo professor:
Não é fácil sair de um paradigma de
ensino que tem mais de mil anos, baseado
no falar-ditar do mestre e na repetição do
que foi dito por ele, para a interatividade
da Internet, por isso violenta-se a natureza
comunicacional da nova mídia, repetindo
o que se faz na sala de aula presencial.2
Impõe-se então um desafio: criar
cursos baseados na web que atendam
aos novos paradigmas educacionais,
dentro de custos razoáveis de produção.
O propósito deste trabalho é exatamente
explorar conceitos que apontem
para esse desafio.
O trabalho apresenta inicialmente um
breve histórico e resume categorias e
ênfases do uso da web em atividades
educacionais. Em seguida, aborda os
conceitos de objetos de aprendizagem,
situações didáticas – ambas categorias
pertencentes, respectivamente, ao universo
de Informática e da Educação – e
apresenta o processo de montagem de
um curso. Por fim, discute a organização
de equipes voltadas para a criação de
cursos baseados na web.
2. BREVE HISTÓRICO
O uso da web em atividades educacionais
intensificou-se em meados dos anos
70, quando os pesquisadores começaram
a usar a rede para incrementar suas
atividades acadêmicas. Em 1981, o aprendizado
por rede passou a ser utilizado
nas empresas e, em 1983, nas escolas. A
partir de 1984, deu-se sua expansão no
mundo (HARASIM, 2001)3.
No Brasil, somente a partir de 1994,
com a expansão da internet junto às
instituições de Ensino Superior e com
a publicação da Lei de Diretrizes e
Bases para a Educação Nacional (LDB
-1996)4, que oficializa a Educação a
Distância (EAD) como modalidadeválida e equivalente para todos os níveis
de ensino, a universidade brasileira
passou a dedicar-se à pesquisa e à
oferta de cursos superiores a distância
com o uso de Tecnologias de Informação
e Comunicação (TIC). Em 1995,
o Ministério da Educação criou umaSecretaria de Educação a Distância (Seed)5.
Iniciou-se a oferta de cursos de pósgraduação
lato sensu por meio da web.
Nesse mesmo ano, a Seed atuou na
implementação do Programa Nacional
de Informática na Educação (Proinfo)6,
responsável pela capacitação de professores
multiplicadores especialistas em
Informática Educativa em todo o país,
pela instalação dos Núcleos de Tecnologia
Educacional (NTE) e pela distribuição
de computadores às escolas públicas.
A importância do Proinfo para o novo
cenário da Educação a Distância do Brasil
está na proposta de se tentar formar uma
capilaridade nacional, conectando escolas
públicas à internet.
No final da década de 90, surgem os
LMS (Learning Management Systems) e os
LCMS (Learning Content Management Systems),
que oferecem facilidades para publicação
de cursos, cadastramento e acompanhamento
de alunos, incorporam serviços
que ajudam a comunicação entre
alunos e se integram aos sistemas administrativos
já existentes nas instituições.
Exemplos de LMS incluem o Pii7, Aula-
Net8, e-ProInfo9, BlackBoard10, webCT11
e Moodle12, desenvolvidos por diversas
universidades e empresas.
A oferta de cursos baseados na web
ainda não se fortaleceu o suficiente
para tornar-se uma ferramenta capaz
de promover a democratização do ensino.
Vários fatores contribuem para
isso, entre eles o custo na produção
dos cursos e a exclusão digital. Em
2002, 87% das residências de classes
média e média alta tinham acesso à
internet, contra apenas 12% dos domicílios
das demais faixas de renda.
Os cursos superiores com uso intensivo
de TIC ocorrem, majoritariamente,
na oferta de produtos direcionados
para clientelas instaladas nos centros
urbanos ou em empresas de grande
porte, que criaram programas de capacitação
e aperfeiçoamento, passando a
oferecê-los aos seus funcionários por
meio das chamadas Universidades
Corporativas (VIANNEY, J. ;TORRES,
P.; SILVA, E. 2003)13.
3. CATEGORIAS E ÊNFASES
DE USO
O uso da web em atividades educacionais
segue diferentes categorias e ênfases,
como resume o Quadro 1 (VILLIERS,
2001)14.

Se, por um lado, a web oferece ferramentas
que permitem acesso à informação
e comunicação com outras pessoas,
por outro, essas ferramentas
permitem estratégias didáticas diversificadas.
Nesse sentido, cursos baseados
na web devem potencializar os
recursos disponíveis, através de hipertextos
e interatividade, que possibilitam
a livre exploração de diversas mídias
e a cooperação entre os atores
envolvidos no processo ensino-aprendizagem.
Para Peters (2001)15, a didática
na web deve favorecer o equilíbrio entre o auto-estudo (caracterizado pela
aprendizagem individual baseada na
autonomia do aluno) e a interação dos
participantes (caracterizada pela aprendizagem
cooperativa baseada no diálogo
do grupo).’’
O relatório The Components of On-line
Education: Higher Education on the Internet
afirma:
O foco da Internet é o trabalho em rede
e não a entrega (de dados) por meio da
rede. Não é apenas um sistema de entrega
de dados, e seus nós não são simplesmente
transportadores, mas um sistema
no qual os nós agregam valor e inteligência
à totalidade da rede. (THE
COMPONENTS of on-line education:
higher education on the internet (1999)
Apud, FILATRO, 2003)16.
4. OBJETOS DE
APRENDIZAGEM
Há uma grande quantidade de conteúdo
na web, em diferentes formatos,
como hipertexto, vídeo, animações, que
podem ser utilizados para fins educacionais.
A necessidade de localizar de forma
efetiva conteúdo educacional de qualidade
na web, com o objetivo da reutilização,
contribuiu para o surgimento dos objetos
de aprendizagem (learning objects), que são
vistos como “solução eficiente para os problemas
de redução de custo de desenvolvimento
de conteúdo” (PORTO; MOURA; FERNANDEZ;
et. al, 2003)17.
Objeto de aprendizagem para Willey
(2000) é definido “como qualquer recurso
digital que possa ser reutilizado e ajude na
aprendizagem”18. Segundo Tarouco, objetos
de aprendizagem são:
(...) blocos criados a partir de linguagens
e ferramentas de autoria que permitem
maior produtividade, uma vez
que sua construção demanda muito
tempo e recursos, especialmente quando
envolvem multimídia (FABRE,
Marie-Christine J. M.; TAMUSIUNAS,
F. R.; TAROUCO, L., 2003)19.
A grande vantagem dos objetos de
aprendizagem, portanto, está na sua
reutilização, que permite acelerar a produção
e diminuir o seu custo, imprimindo
maior flexibilidade na montagem
de cursos, como também, a possibilidade
de serem utilizados em diferentes
sistemas.
Alguns autores comparam os objetos
de aprendizagem a peças de Lego,
que poderiam ser encaixadas de várias
formas, isto é, menores unidades de
aprendizagem que poderiam ser aproveitadas,
sem a dependência de um fornecedor.
Essa analogia traz a visão equivocada
de que o encaixe é sempre do
mesmo tipo e portanto qualquer peça
combina com outra. Willey20 utiliza outra
metáfora e diz que objetos de aprendizagem
funcionam como átomos e,
dependendo do tipo de molécula que se
deseja, é preciso escolher átomos com
determinadas características. Desse
modo, se há um desejo de combinar, em
uma atividade, dois objetos de forma a
permitir que “o aluno experimente, formule
e teste hipóteses, consiga chegar a conclusões
e possa aplicar, mais tarde, seu conhecimento
de maneira aberta e criativa, não adianta
combinar dois objetos de aprendizagem do tipo
siga as instruções e comprove os resultados”
(NUNES, 2004)21.
O pioneiro no uso de objetos de
aprendizagem ou objetos educacionais,
como eram chamados em 1997, foi o
projeto Educational Object Economy –
EOE22. Esse projeto teve início oferecendo
informações a partir da indicação
de endereços de um conjunto de simulações
para que os usuários trocassem
experiências e formassem uma comunidade
de aprendizagem. Em seguida, essas
simulações foram organizadas em
bancos de dados, com regras de catalogação
que possibilitavam recuperá-las e reutilizá-
las em contextos variados.
Outro conceito que justifica o uso
dos objetos de aprendizagem é o just-intime
learning, cuja vantagem está no fato
de o professor, ao longo do curso, ir
adaptando o conteúdo e as atividades,
conforme a resposta dos alunos; “para
isso, há necessidade de um repertório de recursos
pedagógicos a ser escolhido, combinado e
apresentado conforme a necessidade” (NUNES,
2004)23.
Considerando que um objeto de
aprendizagem pode representar um
módulo, lição ou conteúdo que trabalha
um conceito específico, fato, procedimento,
processo ou princípio, é necessário,
para serem reutilizáveis, que sigam
os padrões internacionais específicos para
o cadastramento de suas propriedades
ou metadados (PORTO; MOURA;
FERNANDEZ; et al, 2003)24. Os padrões
facilitam a busca, avaliação e uso
dos objetos de aprendizagem. Diferentes
organizações têm realizado esforços
na criação de padrões para ensino por
meio da web. MAGALHÃES; RICARTE
(2003)25 citam algumas das principais
iniciativas.
O IEEE Learning Technology Standards
Committee (IEEE-LTSC)26 tem como
missão desenvolver padrões técnicos,
práticas recomendadas, manuais para
componentes, ferramentas, tecnologias
e métodos de desenvolvimento de software
que facilitarão o desenvolvimento,manutenção e inter-operação das implementações
computacionais de componentes
e sistemas para educação e treinamento.
Entre outros padrões, o LTSC
definiu o Learning Objects Metadata
(LOM), que especifica a sintaxe e a semântica
dos metadados dos objetos de
aprendizagem, definindo os atributos
necessários para uma completa descrição
dos objetos de aprendizagem;
O IMS Instructional Management Systems
da IMS Global Learning Consortium27
tem como objetivos o desenvolvimento
e a promoção de especificações abertas
para facilitar as atividades de aprendizagem
distribuídas,; em que são necessários
conteúdos educacionais, acompanhamento
do progresso do aprendiz, informe
do seu desempenho.
A ADL Advanced Distributed Learning28
foi criada para acelerar o desenvolvimento
em grande escala de software de
aprendizado dinâmico para atender às
necessidades de educação e ao treinamento
dos militares e da força de trabalho
norte-americana. A ADL tem o suporte
do Departamento de Defesa (DoD)
e da White House Office of Science and
Technology Policy. O Sharable Content
Object Reference Model (Scorm) é o documento
desenvolvido pela ADL, que provê
um conjunto unificado de especificações
técnicas inter-relacionadas para
conteúdo, tecnologias e serviços para
cursos na web, construídas com base
nos trabalhos desenvolvidos pela
AICC (Aviation Industry CBT Committee),
IMS e IEEE, visando à criação de
um modelo unificado de padronização
de conteúdo, o SCORM.
O Scorm29 define um modelo de
agregação de conteúdo e um ambiente de
execução para objetos de aprendizagem
baseados na web. O argumento para utilização
do Scorm no desenvolvimento
de conteúdo para cursos na web pode ser
resumido em: reusabilidade, acessibilidade,
interoperabilidade e durabilidade.
O principal objetivo do Scorm é propiciar
a independência de plataforma na
qual os objetos serão utilizados, assim
como facilitar a migração de cursos entre
diferentes ambientes de gerenciamento
de aprendizagem (LMS) que sejam compatíveis
com esse padrão. A migração de
um curso “empacotado” utilizando as
especificações do Scorm demanda esforço
mínimo.
O Educational Modelling Language
(EML)30 é um outro padrão para criação
de cursos na web. É uma iniciativa da
Universidade Aberta da Holanda. O EML
tem como objetivo criar uma notação
que consiga representar integralmente
uma unidade de estudo (um curso ou
parte dele, por exemplo), isto é, não
apenas seu conteúdo (textos, tarefas,
provas etc.), mas também as regras, relações,
interações e atividades dos estudantes
e professores.
Os objetos de aprendizagem são
aproveitados com mais eficiência quando
organizados e armazenados em um
repositório que pode ser integrado a um
sistema de aprendizagem. Nunes (2004)31
cita várias instituições acadêmicas que
estão formando consórcios e organizando
repositórios de objetos de aprendizagem.
O Multimedia Educational Repository
for Learning and On-line Teaching
(Merlot)32 é, hoje, reconhecido como um
dos repositórios de maior acesso. Esse
projeto começou como as universidades
do estado da Califórnia e cresceu incorporando
as grandes universidades norte-
americanas. Tendo como principais
usuários os professores universitários,
o Merlot atende a propósitos como
apresentação de aulas e de tarefas para
os alunos. Seu sistema de revisão por
pares (fator de aceitação dos objetos,
na medida em que o mundo acadêmico
está acostumado a esse sistema de
revisão) é um diferencial, comparado a
outros repositórios.
O Canadá é outro país que vem
investindo em repositórios de aprendizagem,
destacando-se o Campus Alberta
Repository of Educational Objects
(Careo)33 e o Broadband Enabled Lifelong
Learning Environment (Belle)34. O
governo canadense, inclusive, os usa
para justificar a instalação da internet
de quarta geração – Canadian Network
for the Advancement of Research in Industry
and Education (Canarie)35.
O interesse na utilização de repositórios
de objetos de aprendizagem vai desde
universidades ou instituições que oferecem
cursos online até as grandes empresas
possuidoras de departamentos de
treinamento. Entretanto, problemas
com direitos autorais são comuns e levaram
algumas instituições a criarem seus
próprios bancos de objetos de aprendizagem
com regras de comercialização
definidas. A Lydia Inc.36 tem um repositório
cujo sistema permite a participação
com gratificação de produtores de objetos
de aprendizagem autônomos e um
sistema de distribuição e rastreamento
dos objetos que garante os direitos do
autor. Outro exemplo, é a empresa
NETg37, cujos objetos de aprendizagem
são bastante sofisticados, incluindo simulações
e avaliações baseados em competências
(NUNES, 2004)38.
Países da América Latina, entre eles o
Brasil, uniram-se para produzir objetos
de aprendizagem, na forma de módulos
educacionais. Um exemplo deste esforço
é o caso da Red Internacional Virtual de
Educación (Rived)39, que visa melhorar o
ensino de Ciências e Matemática no
Ensino Médio. A fim de aumentar a
escala de uso e reduzir o custo, o Rived
utiliza a tecnologia de objetos de aprendizagem
na produção de seus módulos.
O programa envolve o design instrucional
de atividades de ensino-aprendizagem,
a produção de material pedagógico
multimídia e capacitação de pessoal.
O projeto Coletânea de Entidades de
Suporte ao Uso de Tecnologia na Aprendizagem
(Cesta)40 está sendo desenvolvido
pela Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, com o objetivo de
organizar o registro dos objetos de
aprendizagem que vinham sendo desenvolvidos
para cursos de capacitação
na modalidade a distância de Gerência
de Redes e na Pós-Graduação lato sensu
de Informática na Educação (FABRE,
Marie-Christine J. M.; TAMUSIUNAS,
F. R.; TAROUCO, L. (2003) 41.
O Repository of Objects with Semantic
Access for E-learning (Rosa), desenvolvido
pelo IME – Instituto Militar de
Engenharia, Rio de Janeiro –, é um repositório
voltado para auxiliar profissionais
da educação, na medida em que os
leva a achar conteúdos dispostos no sistema.
O sistema armazena objetos de
aprendizagem – conteúdos, acrescidos
de características e propriedades (metadados)
–, além de um conjunto de associações
(ou predicados) que expõe os
relacionamentos que um objeto de
aprendizagem tem com outros objetos
de aprendizagem (PORTO; MOURA.;
FERNANDEZ; et. al. (2003) 42.
5. OBJETOS DE
CONTEÚDO, OBJETOS
DIDÁTICOS E
SITUAÇÕES DIDÁTICAS
O primeiro passo na direção de
sistematizar a estruturação de cursos
baseados na web consiste em separar,
explicitamente, os objetos de aprendizagem
em dois tipos, os objetos
de conteúdos e objetos didáticos. O
conceito de objetos de conteúdo consolida
e generaliza a noção de conteúdo,
enquanto que o conceito de objeto
didático captura a noção de uso
didático (do conteúdo). Um objeto
didático combinado com um ou mais
objetos de conteúdo configura uma
situação didática.
De acordo com a filosofia educacional
que deseja adotar e, por conseguinte,
a teoria de aprendizagem fundamentada
por ela, o professor define
a ementa do curso, estabelece seus
objetivos e seleciona os objetos de
conteúdo e objetos didáticos, compondo
as situações didáticas.
O que define uma situação didática é
seu caráter intencional, o fato de já haver
sido construída com o propósito explícito
de garantir a aprendizagem. As situações
didáticas projetadas obedecem a
determinadas características em função
dos pressupostos epistemológicos que
estão por trás de tal produção, ou seja, a
teoria de aprendizagem adotada determina
os princípios que serão aplicados
na sua organização. Uma situação didática
é formada por atividades que podem
ser definidas como sendo os veículos
usados pelo professor para trabalhar os
conceitos que permitirão ao aluno viver
experiências necessárias para a própria
transformação (BORDENAVE, 1991)43.
Em uma visão macro, o ensino pode
ser entendido tendo ora como núcleo
central a atividade do professor (instrucionista),
ora como centro a atividade do
aluno (construtivista). No Quadro 2,
COOK, J. S.; COOK, L. L. (1998) Apud
CIDRAL 44) apresenta essa dicotomia.

Para melhor compreender a elaboração
das situações didáticas é importante
nos determos um pouco mais a analisar
esses conceitos.
No modelo pedagógico instrucionista,
o professor é possuidor de um
conhecimento a ser transferido para os
alunos, reduzidos a uma total passividade
e a um processo mecânico de memorização
e de reprodução desses conhecimentos.
Segundo Najmanivich (2001)45,
é a pedagogia do “magister dixi” que, na
modernidade, se estabeleceu por atender
aos modelos epistemológicos positivistas
que supunham o conhecimento
como uma coleção de verdades eternas,
divididas em disciplinas a serem ensinadas
umas independentes das outras. A
situação didática desse modelo privilegia
a cultura de aquisição, independência e
competição, centra-se na exposição do
conteúdo pelo professor e tem como
objetivo a memorização de grande quantidade
de informação e a mudança de
comportamento do aluno pelo que consegue
reter.
Não existe o problema de escolher
entre as várias atividades possíveis para
ensinar o modelo instrucional, pois a
exposição é basicamente a técnica utilizada.
Essa atividade é útil quando o que
se quer é comunicar uma informação.
No entanto, essa proposta de ensino
não preenche as exigências do mercado
de trabalho atual, deixando à mostra
suas falhas por não conseguir formar
um profissional crítico, com competências
diversas, que saiba agir com
autonomia, aprimorar-se constantemente,
analisar idéias e tomar decisões.
Tais habilidades não podem ser
meramente transmitidas, mas construídas
por cada indivíduo, no decorrer
de seu processo educacional.
Esse modelo começou a mostrar
saturação no final do século XX, e estabeleceu-
se a pedagogia que tem por objetivo
motivar e incentivar o aluno.
Contudo, o estilo centrado na passividade
do aluno não se modificou por completo,
houve somente uma maquiagem.
Nas últimas décadas, as perspectivas
pós-positivistas desenvolveram uma
visão completamente diferente do conhecimento.
Nessa ótica, ele não é visto
como um fato intocável, mas como um
“produto da interação humana com o mundo
através de sistemas simbólicos, meios técnicos,
estilos relacionais e cognitivos que se dão
sempre em um contexto multidimensional que
inclui tanto a estética como a ética e os afetos”
(NAJMANOVICH, 2001)46.
Em relação a essa mudança de paradigma,
Morin (2002) afirma: “conhecer
não é mais chegar a uma verdade absolutamente
certa, mas dialogar com a incerteza. O ensino
passa, então, a ter como missão transmitir
uma cultura que ajude a viver e que favoreça
um modo de pensar aberto e livre e não um
mero saber”47.
Há uma busca por propostas educacionais
que estejam de acordo com as
novas epistemologias e formas de sobrevivência
de uma sociedade que tem de
adaptar-se às incertezas da contemporaneidade.
Transformar, portanto, o ensino
num espaço de “aprender a aprender”
passou a ser tão importante quanto os
conteúdos a serem adquiridos pelo aluno:
assim, o processo pedagógico precisa
ser repensado, e a mudança é inevitável,
conforme as palavras de Drucker
Apud COUTINHO, 1999):
As escolas e universidades irão mudar de
forma muito mais drástica do que têm
mudado desde que assumiram sua presente
forma há mais de 300 anos, quando
se reorganizaram em torno do livro impresso.
Essas mudanças serão forçadas,
em parte, por novas tecnologias, como
computadores, vídeos e programas via
satélite, em parte, pelas exigências de uma
sociedade baseada no conhecimento, na
qual o aprendizado organizado precisa se
tornar um processo vitalício para os trabalhadores
do conhecimento e, em parte,
por novas teorias a respeito de como
aprendem os seres humanos48.
Enquanto a educação discute a mudança,
esta já se impõe, com o acesso à
informação online, onde qualquer conteúdo
é encontrado, passando a ciência a
ser renovada todo dia, em ritmo acelerado.
As habilidades cognitivas ficam distantes
da memória enciclopédica, sendo
preciso desenvolver novas competências,
como: “buscar a informação, selecioná-la,
distinguir relevâncias, desenvolver a análise de
alternativas, dominar as ferramentas de compreensão
textual em diferentes meios, produzir
informes multimídias” (NAJMANIVICH,
2001)49.
Outra habilidade essencial a ser desenvolvida,
diante desse novo contexto,
é a cooperação, pois parte do trabalho
deixa de ser realizado individualmente
para ser feita em grupo. As tarefas a
serem realizadas no âmbito do trabalho
tornam-se cada vez mais complexas, requerendo
habilidades multidisciplinares,
que um indivíduo sozinho não consegue
dar conta. As novas tecnologias
ajudam e aceleram esse processo, o trabalho
cooperativo é potencializado com o
computador em rede, na medida em que
não é preciso estar junto todo o tempo
e no mesmo lugar.
Exige-se da educação um redimensionamento
em seus métodos para
que ela possa usufruir o potencial dos
novos recursos tecnológicos, pois, do
contrário, poderia cair na armadilha da
reprodução do conhecimento apontada
por Valente: informatizar o ensino
tradicional significa baseá-lo na transmissão
do conhecimento, sendo o
professor o proprietário do saber e o
aluno, recipiente que deve ser preenchido
(VALENTE, 1993)50.
A situação didática do modelo construtivista
valoriza a investigação, integração,
cooperação, incentiva a ação do
aluno, o estímulo à cooperação e o desenvolvimento
de habilidades como características
básicas.
Esse modelo sugere a inversão do
modelo pedagógico instrucionista,
aprende-aplica, isto é ensinam-se os fundamentos
teóricos e depois se propõe a
aplicação por meio de exercícios práticos.
As propostas didáticas construtivistas
contemplam um espaço de problemas,
de curiosidades, de dúvidas, de troca de
experiências e de cooperação.
Nessa proposta, o professor não é
mais o fornecedor de um corpo fixo de
informações e, sim, um orientador da
aprendizagem, ajudando os alunos a
fazerem conexões significativas entre o
novo e o seu conhecimento anterior. A
função do professor é planejar situações
em que os alunos sejam desafiados a
propor idéias, ao mesmo tempo em que
enfrentam, junto com seus colegas, problemas
apresentados, a fim de resolvêlos.
Deve-se considerar, portanto, a participação
do aluno, já que a aprendizagem
para esse modelo se realiza através
da conduta ativa de quem aprende, mediante
o que ele produz, e não o que o
professor faz. As principais características
das situações didáticas, segundo Galvez
(1996)51, na ótica da teoria construtivista,
são:
.. os alunos responsabilizam-se
pela organização de sua atividade para
tentar resolver o problema proposto;
.. a atividade dos alunos está orientada
para a obtenção de um resultado,
previamente explicitado e que pode ser
identificado pelos próprios alunos;
.. a resolução do problema envolve
a tomada de decisões por parte dos
alunos, para adequá-las ao objetivo
perseguido;
.. os alunos podem recorrer a diferentes
estratégias para resolver o problema
formulado;
.. os alunos estabelecem relações
sociais diversas: comunicações, debates
ou negociações com outros alunos e com
o professor.
Um exemplo de situação didática
centrada no professor é a exposição
de conteúdo. Ela se inicia com a
apresentação da informação, seguida
de mecanismos de fixação.
Somente depois de cumpridas
essas duas fases
pode-se pensar em avaliação,
para verificar se foram
alcançados os objetivos
instrucionais, “que
são apresentados em termos
de resultados que o professor
espera da sua atividade de
ensino” (NORMAN,
1975)52.
O estudo de casos,
por outro lado, pode ser
um exemplo de uma situação
didática que atende aos
princípios construtivistas, centrada
na atividade do aluno. Ela
consiste em apresentar, de forma
sucinta, uma situação real ou fictícia
para ser discutida em grupo. A apresentação
do caso pode ser em forma de
descrição, narração, diálogo, dramatização,
seqüência fotográfica, filme, artigo
jornalístico e outras. O que se pretende
é contextualizar e trazer a realidade para
a atividade. O maior valor pedagógico da
adoção de um modelo de ensino baseado
em caso está, nas palavras de Struchiner
(1998), “... em possibilitar ao aluno não
apenas o exercício de solução de problemas, mas
que ele possa desenvolver uma postura que
conduza à geração de questões e à coleta de
informações que o auxiliem para que ele próprio
se torne capaz de definir e conceituar os
problemas e persiga soluções compatíveis diante
de cada nova situação”53.
Desenvolver cursos baseados na web
que traduzam uma pedagogia diferenciada
requer, além das ferramentas, uma
postura pedagógica inovadora, no sentido
de permitir a participação e a cooperação
dos aprendizes na construção do
conhecimento.
6. CURSOS: PROCESSO DE
MONTAGEM E
ORGANIZAÇÃO DAS
EQUIPES DE
DESENVOLVIMENTO
Considerando que já exista um repositório
de objetos de conteúdos,
didáticos e situações didáticas, construído
cooperativamente por professores
especialistas em conteúdo e projetistas
didáticos, um curso poderá ser
criado em três macroetapas. Inicialmente,
um especialista em conteúdo
prepara a ementa do curso, a partir de
um recorte em uma área do conhecimento.
Em seguida, um projetista
didático, junto com o professor, começa
a construção do curso selecionando
e combinando objetos de
aprendizagem que possam atender aos
conceitos da ementa e que estejam de
acordo com a teoria de aprendizagem
escolhida. O resultado é um conjunto
de situações didáticas coerentes aos
critérios adotados pelo especialista em
conteúdo e pelo projetista. Por fim, o
projetista deverá definir a organização
ou propor alternativas de percursos de
execução das atividades, gerando a
forma final do curso.
A Figura 1 resume esquematicamente
o processo de montagem de um curso.

A organização das equipes de desenvolvimento
está diretamente relacionada
com a complexidade dos cursos
que se deseja desenvolver.
Para cursos mais simples, os próprios
professores podem ser responsáveis
pela criação, elaborando o material
e planejando atividades que utilizem
todo o potencial da web. Neste
caso, a adoção de um ambiente no qual
o professor não necessite conhecer linguagens
de programação para web, mas
apenas adequar seu conhecimento,
como especialista da área, a um modelo
já existente, é fundamental (REZENDE,
2000)54.
As capacitações de professores para
desenvolvimento de cursos na web demonstram
que a maior dificuldade do
professor não está na utilização das
ferramentas mas, sim, na elaboração
pedagógica das atividades, que demanda
um tempo longo de planejamento
e, conseqüentemente, um maior custo
de desenvolvimento. Os objetos de
aprendizagem podem facilitar esse trabalho,
assim como reduzir os custos
de produção dos cursos.
Para cursos mais complexos, é necessário
especializar as funções, organizando
a equipe de desenvolvimento
em três categorias de profissionais:
.. Pedagógica: coordenador pedagógico,
projetista didático, conteudista
.. Tecnológica: coordenador de
informática, produtor de mídia,
programador
.. Gerencial: gerente de projeto
Os Quadros 3 e 4 resumem o perfil
destes profissionais.


7. COMENTÁRIOS FINAIS
Este trabalho apresentou os conceitos
de objetos de aprendizagem e de
situações didáticas e as formas de abordar
o desenvolvimento de cursos baseadas
na web. Propôs, ainda, uma forma
de estruturar o processo de desenvolvimento
de cursos e de organizar equipes
de desenvolvimento, baseada na experiência
dos autores. Para situações mais
simples, nas quais o professor é o próprio
responsável pelo desenvolvimento
dos cursos, é fundamental a adoção de
um ambiente de desenvolvimento adequado
e a capacitação do professor em
novas práticas pedagógicas que explorem
o potencial das ferramentas disponíveis
na web. Para cursos mais complexos,
a equipe pedagógica deve receber tal
capacitação; as outras equipes não necessitam
de habilidades específicas para este
fim, exceto o programador, se for adotado
um sistema gerenciador de cursos.
Em conjunto, esses conceitos e sugestões
de organização endereçam o desafio
de criar cursos baseados na web que atendam
aos novos paradigmas educacionais,
dentro de custos razoáveis de produção.
NOTAS:
1 No contexto deste trabalho, o termo web
designará todo um conjunto de ferramentas
disponíveis na internet, para acesso a
informação e para interação, síncrona ou
assíncrona.
2 SILVA, M. Sala de aula interativa. Rio de
Janeiro: Quartet, 2000.
3 HARASIM, L.M. A Internet e as intranets na
educação e no treinamento. In: CASTRO
M.C. Educação na era da informática. Rio
de Janeiro: Banco Interamericano de Desenvolvimento:
UniverCidade, 2001.
4 BRASIL. Leis, Decretos. Lei n. 9394 de
20/12/1996. Diário Oficial da União, Brasília,
23, dez., 1996. Seção 1, p. 27833.
Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação
Nacional.
5 http://portal.mec.gov.br/seed/
6 http://www.proinfo.mec.gov.br/
7 http:// www.nce.ufrj.br/pii
8 http://asgard.les.inf.puc-rio.br/aulanet
9 http://eproinfo.proinfo.mec.gov.br
10 http://www.blackboard.com
11 http://www.webct.com
12 http://moodle.org/
13 VIANNEY, J.; TORRES, P.; SILVA, E. A
universidade virtual no Brasil : os números
do ensino superior a distância no país
em 2002. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL
SOBRE UNIVERSIDADES VIRTUAIS
NA AMÉRICA LATINA E CARIBE,
Quito – Equador, 13 e 14 de fev., 2003.
14 VILLIERS, G. J. Asynchronous web-based
technologies to support learning. 2001.
Disponível em:
15 PETERS, O. Didática do ensino a distância:
experiência e estágio da discussão numa
visão internacional. São Leopoldo: Unisinos,
2001.
16 THE COMPONENTS of on-line education:
higher education on the internet. (1999)
Apud FILATRO, A. Design instrucional
contextualizado : articulação entre teoria
e prática no processo de ensino-aprendizagem
on-line. São Paulo, 2003. Dissertação
(Mestrado em Educação). Faculdade de
Educação, São Paulo, 2003.
17 PORTO, F.; MOURA, A.M.C.; FERNANDEZ,
A.P.; et. al. Rosa : a data model and
query language for e-learning objects, Proc.
Rio de Janeiro: PGL Research Conference,
2003.
18 WILLEY, D. A. Learning object design and
sequencing theory. 2000. Disponível em:
19 FABRE, Marie-Christine J. M.; TAMUSIUNAS,
Fabrício Raupp; TAROUCO, Liane.
Reusabilidade de objetos educacionais.
RENOTE: Revista Novas Tecnologias da
Educação, v. 1, n. 1, fev., 2003. Disponível
em: http://www.cinted.ufrgs.br/renote/
fev2003/index.htm. Acesso em: 12, dez.
2005.
20 WILLEY, D. A. (2000) op. cit.
21NUNES, C.A.A. Objetos de aprendizagem
em ação. Cadernos Pedagógicos, Reflexões,
v. 1 n. 6, USP/FE/NEA, 2004.
22 http://www.adlnet.org.
23 NUNES, C.A.A. (2004) op. cit.
24 PORTO, F.; MOURA, A.M.C.; FERNANDEZ,
A.P.; et. al. (2003) op. cit.
25 MAGALHÃES, L.P., RICARTE, I.L.M. Informação
estruturada na world wide web.
2003. Disponível em: http://
www.proenca.uel.br/ia368f/tema-05/informacao.
Acesso em 2003.
26 http://www.ead.unicamp.br/php_ead/
boletim.php?bolt=43.
27 http://www.imsglobal.org.
28 http://www.adlnet.org
29 http://www.adlnet.org.
30 http://eml.ou.nl.
31 NUNES, C.A.A. (2004) op. cit.
32 http://www.merlot.org
33 http://www.careo.org.
34 http://belle.netera.ca
35 http://www.canarie.ca
36 http://www.lydialearn.com.
37 http://www.netg.com.
38 NUNES, C.A.A. (2004) op. cit.
39 http://www.rived.proinfo.mec.gov.br.
40 http://www.cinted.ufrgs.br/renote.
41FABRE, Marie-Christine J. M.; TAMUSIUNAS,
Fabrício Raupp; TAROUCO, Liane.
(2003) op. cit.
42 PORTO, F.; MOURA, A.M.C.; FERNANDEZ,
A.P.; et. al. (2003) op. cit.
43BORDENAVE, J. D.; PEREIRA, A.M. Estratégias
de ensino-aprendizagem. Petrópolis:
Vozes, 1991.
44 COOK, J. S.; COOK, L. L. How technology
enhances the quality of student-centered
learning. Quality Progress, vol. 31, no. 7, p.
59-64, July 1998. Apud. CIDRAL, Alexandre;
KEMCZINSKI, Avanilde ; ABREU Aline
França de. A abordagem por competências
na definição do perfil do egresso de
cursos de graduação. Joinville (SC): Universidade
da Região de Joinville. Disponível
em :
45 NAJMANOVICH, Denise. O sujeito encarnado
: questões para pesquisa no/do cotidiano.
Rio de Janeiro: DP&A, 2001.
46 Id. ibid.
47 MORIN, E. A religação dos saberes : o
desafio do século XXI. Rio de Janeiro:
Bertrand Brasil, 2002.
48 DRUCKER, Peter. Apud COUTINHO, L.;
CASANOVA, M.A.; RIBEIRO, A.F.A. Collaborative
learning environment for educational
technology centers. In: WORLD
CONFERENCE ON OPEN LEARNING
AND DISTANCE EDUCATION, 19. Viena,
Áustria, 1999.
49 NAJMANOVICH, D. (2001) op. cit.
50 VALENTE, J. O uso inteligente do computador
na educação. Pátio-Revista Pedagógica:
Artes Médicas Sul, 1993.
51 GÁLVEZ, G. Didática da matemática. Porto
Alegre: Artmed, 1996. 33 p.
52 NORMAN, G. E. A formulação de objetivos
comportamentais para as aulas. Rio de
Janeiro: Rio, 1975.
53 STRUCHINER, M.L.T.C.; REZENDE, F.
Uma proposta para ensino baseado em
casos para um ambiente de EAD. Disponível
em http://www.nutes.ufrj.br/avte.
1998. Acesso em 2003. p. 4.
54 REZENDE, L.S. Um software para estruturação
do conhecimento através da
reutilização de módulos conceituais.
Rio de Janeiro, 2000. Dissertação (Mestrado
em Informática) - Universidade
Federal do Rio de Janeiro, NCE/DCC,
Rio de Janeiro, 2000.
RESUMEN
Laura M. Coutinho Lopes; Marco
A. Casanova. Desarrollo de cursos
basados en la web: una
propuesta metodológica.
El interés de los educadores por la
web ha crecido de manera acelerada
debido a las ventajas que ofrece,
tales como rápida distribución, acceso
a un gran número de personas
y rapidez en la actualización del
material publicado. Sin embargo,
presenta un reto: crear cursos basados
en la web que atiendan a los
nuevos paradigmas educacionales a
costos razonables de producción.
El objetivo de este trabajo es proponer
un proceso de creación de cursos
con base en la web que enfrente este
reto. Inicialmente el trabajo presenta
un breve histórico, resume
categorías y señala aplicaciones de
la web en actividades educacionales.
En seguida, aborda los conceptos de
situaciones didácticas y objetos de
aprendizaje como formas de organizar
el desarrollo de cursos basados
en la web. Por último, discute una
forma de estructurar el proceso de
creación de cursos, la cual incluye
una propuesta para el equipo de
desarrollo basada en la experiencia
de los autores.
Palabras-Clave: Objetos de
Aprendizaje, Actividad Educacional;
Curso; Web; Métodos de Enseñaza.