AVALIAÇÃO DE COMPETÊNCIAS
EM CURSOS DE EAD:
RELATO DE EXPERIÊNCIA
Lane Primo*
Abstract
This article is an account of the experience of applying the A2COMP methodology – Follow-up of
Distance Education Courses and Evaluation of Competences in a SENAC/CE Corporate Training
Program, which helps the tutor in evaluating student competence development in a personalized way,
respecting their differences and rhythms, and using computer system concepts for dealing with
uncertainties. The methodology has the following characteristics: it is formative and favors student
negotiation and autonomy in managing his/her learning, and makes it possible to develop social and
professional competences.
Keywords: Evaluation; Competences; Distance Education; Decision Making.
INTRODUÇÃO
A reforma da Lei de Diretrizes e
Bases (LDB) da Educação Nacional,
durante a década de 90, contemplou a
formação profissional com um capítulo,
definindo-a como complementar
ao Ensino Médio. A Lei 9.394/961,
regulamentada pelos Decretos 2.208/
972, o Parecer 16/993 e a Resolução 04/
994 da Câmara de Educação Básica do
Conselho Nacional de Educação
(CEB/CNE), estabelecem que a organização
curricular da educação profissional
deve orientar-se para a formação
baseada em competência, definida
pelo Ministério da Educação e Cultura
– MEC (2000)5 como: “capacidade de
articular, mobilizar e colocar em ação valores,conhecimentos e habilidades necessárias para o
desempenho eficiente e eficaz de atividades
requeridas pela natureza do trabalho.”
Na interpretação de Perrenoud
(1999)6, competência significa “uma capacidade
de agir eficazmente em um determinado
tipo de situação, apoiada em conhecimentos,
mas sem se limitar a eles”. Imprime-
se uma nova relação do ser e do
objeto do conhecimento que são enriquecidas
por experiências acumuladas
ao longo da vida e saberes já adquiridos,
contribuindo para a construção
de novas competências.
Na EAD, o avanço das tecnologias
de informação e comunicação possibilitou
uma nova dinâmica de estudo,
permitindo o acesso de um grande
número de pessoas aos cursos virtuais.
Muitos estudos são feitos sobre
como implementar a infra-estrutura
de uma escola virtual, como cadastrar
o aluno e liberar o conteúdo online,
como colocar notas de aula ou transparências
confeccionadas para retroprojetor
na forma eletrônica, mas ainda
são tímidas as reflexões e pesquisas
no sentido de auxiliar o professor a saber
se a interação do usuário e o conteúdo
estão permitindo o desenvolvimento de
competências profissionais.
O que há hoje à disposição do professor
são ferramentas e recursos, como
as interfaces gráficas, que puderam acelerar
o desenvolvimento da EAD, culminando
no surgimento dos ambientes
virtuais de aprendizagem. Os recursos
gráficos aliados à utilização de
imagens e multimídia aumentaram a
comunicação, ampliando o acesso a
um número cada vez maior de pessoas
(Lucena; Fucks, 2000)7. As facilidades
da internet e da web incluíram novas
formas de diálogo, entre elas: o chat
(conversação online), os e-mails (troca
de correspondências eletrônicas), os
fóruns, as listas de discussão e as conferências,
possibilitando a interação e
a colaboração nos cursos em rede. Dessa
maneira, um professor pode disponi-bilizar os conteúdos de sua aula, provocar
uma discussão, propor um exercício
coletivo, o intercâmbio de experiências
– sem trocar olhares com seus
alunos. Os discentes, por sua vez, possuem
a liberdade de programar seu
estudo de acordo com suas conveniências
e seu tempo, independente de
lugar. No entanto, para fazer um bom
uso desse livre arbítrio, o aluno virtual
precisa ter disciplina para o cumprimento
das tarefas e a continuidade
dos estudos, a fim de que todas as
competências propostas pelo curso sejam
desenvolvidas.
Apesar dos ambientes virtuais disponibilizarem
ferramentas e recursos
para facilitar o aprendizado online, observa-
se que os professores enfrentam
alguns desafios no trabalho com
competências, entre eles:
– dificuldades em avaliar aspectos
qualitativos devido à subjetividade
do trabalho com competências;
– falta de elementos que os ajudem
a verificar os resultados quanto
à aquisição de competências de cada
aluno;
– ausência de parâmetros que auxiliem
ao professor a estabelecer estratégias
eficazes e adequadas para o desenvolvimento
de competências de
cada aluno;
– resultados de desenvolvimento
dos discentes não satisfatórios
provocados pela aplicação de estratégia
única a todos os alunos, sem levar
em conta os ritmos e características
individuais.
Se competência é articular saberes...
... conhecimentos,
... habilidades e
... atitudes,
.então, como isso pode ser avaliado
na educação virtual?
– De que forma um professor pode
estabelecer estratégias que se adaptem a
diversos tipos de alunos e situações para
o desenvolvimento de competências?
– Como aferir, de forma eficiente e
eficaz, os resultados quanto à aquisição
de competências de cada aluno?
Diante da mudança de paradigma
que antes priorizava a transmissão de
conteúdos para o desenvolvimento
de competências, os professores defrontaram-
se com uma série de questionamentos,
dúvidas sobre como
proceder, como saber se sua prática
está de acordo com o que o mercado
exige para estes profissionais em formação,
como saber se sua avaliação é
justa, visto que aspectos psicológicos,
ambientais, motivacionais, temporais
e interesses diferenciam seus
alunos, modificando e, dessa forma,
impactando no grau de desenvolvimento
de cada um deles.
Temas tão desafiadores como a
EAD utilizando a internet e a avaliação
motivaram a equipe técnica do
Senac/CE ao desenvolvimento de uma
metodologia para acompanhamento
de cursos de EAD e Avaliação de Competências
– A2COMP, que pudesse facilitar
o desenvolvimento de competências
dos alunos, por meio de uma
avaliação formativa, respeitando os
ritmos e características de aprendizagem
de cada participante.
Esse estudo para a criação da metodologia
surgiu a partir da observação
da primeira experiência de
curso de EAD que utilizou um
ambiente virtual de aprendizagem,
realizado pela entidade em 2002, no
período de outubro a dezembro. O
curso foi realizado com uma carga
de 168 horas-aula, das quais 75 eram
a distância. Participaram 26 colaboradores,
dos quais apenas 19 concluíram.
Na avaliação dos resultados,
a equipe técnica responsável
pelo programa, formada por profissionais
de recursos humanos, tecnologia
educacional e tecnologia de
informação e comunicação, chegou
às seguintes conclusões:
.. a mudança de paradigma, de
foco em conteúdos para foco em competências,
gerou inquietação e insegurança
no corpo docente;
.. o tema competências é complexo,
por envolver muitas características
subjetivas, dificultando a avaliação do
desempenho dos alunos por parte dos
professores;
.. a falta de verificação dos resultados
de cada aluno no ambiente virtual
prejudicou a avaliação do mesmo;
.. o uso do ambiente virtual não
possibilitou o acompanhamento individual
dos alunos, devido ao despreparo
dos professores e à indisponibilidade
de uma metodologia eficaz;
.. as características individuais dos
alunos não foram trabalhadas o suficiente
para que pudesse chegar aos objetivos
de acordo com seus ritmos;
.. as estratégias adotadas não estavam
voltadas para competências dentro
da EAD.
Com base nas dificuldades do curso
observado, foram feitas sugestões
nas propostas pedagógicas, com o intuito
de corrigir e aprimorar o programa,
de forma a atender ao caráter personalizado
de cada aluno, relacionadas
a seguir:
.. elaboração do plano de ação do
docente, dentro do modelo de competências,
no contexto da EAD;
.. elaboração e comunicação de critérios
de avaliação de cada atividade do
curso de forma clara;
.. criação de atividades virtuais a
serem desenvolvidas fora de sala de
aula presencial para cada disciplina; e
.. utilização da avaliação formativa
dos alunos na metodologia a
distância.
Esses tópicos nortearam a elaboração
da metodologia A2COMP, que foi
desenvolvida a partir de investigações
bibliográficas nos campos da Tecnologia
Educacional (profissional e formal),
pesquisa de trabalhos correlatosem relação à avaliação e competências;
psicologia cognitiva e engenharia de
software. A implementação da proposta
utilizou ferramentas da informática,
da inteligência artificial e da tecnologia
educacional. Sua validação foi
feita por meio de um pré-teste, com a
aplicação da metodologia em um curso
de formação de tutores desenvolvido
no período de junho a agosto de
2004, em cumprimento a uma das ações
da educação corporativa da entidade.
Os passos foram desenhados dentro
do modelo de competências para utilização
em cursos de EAD, apoiados
pela internet voltados para a educação
profissional.
PRINCÍPIOS TEÓRICOS
A metodologia A2COMP foi desenvolvida
na crença da pedagogia da
diferenciação que leva a uma avaliação
caracterizada pela observação formativa
a serviço da regulação das aprendizagens8.
Os erros são trabalhados
como pontos de reflexão para que o
aluno possa, a partir deles, buscar as
soluções e, assim, ampliar seu conhecimento.
Por tratar-se de um processo,
a reflexão também é feita pelo
tutor, que procura estratégias alternativas
para a mediação, ajudando o
aluno a desenvolver as competências
propostas.
A apuração dos resultados, durante
o acompanhamento, objetiva aferir
o aproveitamento, de maneira que
possa direcionar a aprendizagem e o
desenvolvimento do aluno9.
Os momentos significativos de
cada participante, incluindo suas contribuições,
opiniões, observações, colocações
e posturas são valorizados,
pois ajudam a montar um quadro do
conjunto do aluno no desempenho de
várias tarefas10. Inclui diversas formas
de registro que ajudam o tutor a orientar
as decisões em intervalos de tempos
periódicos definidos de acordo
com o plano (pode ser no final dos
módulos, das atividades ou em momentos
específicos). É importante
ressaltar que o acompanhamento tem
o objetivo de dosar a distância transacional11,
de maneira que o aluno desenvolva
a autonomia no gerenciamento
do seu estudo e as intervenções do
tutor sejam orientadoras.
Na metodologia, a negociação para
a busca de melhores critérios, indicadores
e instrumentos é realizada em
conjunto com os alunos. A verificação
do aluno realiza-se no enfrentamento
de situações concretas observando-
se as mobilizações feitas do
saber ser e saber fazer da profissão
que implicam no seu desenvolvimento
autônomo, responsável, criativo e
ético12. De igual maneira, ações de
cooperação, participação e negociação
favorecem o entendimento e o respeito
a realidades diferentes. As experiências
em rede promovem aprendizagens
recíprocas entre tutores e alunos,
possibilitando a realização da avaliação
do processo de ensino-aprendizagem
constante e em tempo real13.
A METODOLOGIA
A2COMP – DESCRIÇÃO
A metodologia A2COMP tem
como objetivo geral promover o desenvolvimento
de competências dos
alunos, por meio de uma avaliação
formativa ao longo do curso, através
de um acompanhamento personalizado,
no qual os ritmos e características
de aprendizagem de cada participante
são respeitados. Para tanto, utilizou
de recursos da tecnologia da informação
e conceitos de sistemas computacionais
para o tratamento de incertezas
de forma que pudessem apoiar o
tutor na tomada de decisão sobre a
situação do aluno.
Os objetivos específicos da metodologia
A2COMP visam:
.. dar ao tutor uma visão mais clara
do desenvolvimento das competências
dos alunos, por meio de um conjunto de
passos que irão facilitar a negociação para
uma educação formativa, através do
acompanhamento personalizado dos
resultados obtidos;
.. promover o desenvolvimento da
autonomia do aluno no gerenciamento
de seu aprendizado, utilizando práticas
que incluem: o envio de gráficos que
mostram seu desempenho na semana
em relação ao grupo; seguido da análise
e da formulação (pelo aluno) de um
plano de trabalho pessoal que tem como
objetivo a melhoria de sua situação;
.. facilitar para o tutor a avaliação de
aspectos qualitativos no modelo de competências,
reduzindo a subjetividade do
assunto utilizando para isso um plano
de ação docente voltado para a EAD;
.. ajudar o tutor a avaliar os resultados
quanto ao desenvolvimento de
competências, através da aplicação de
recursos da inteligência artificial, como
as redes bayesianas14, que fornecerão
elementos para melhor refletir a situação
do aluno;
.. melhorar os resultados dos alunos
quanto ao desenvolvimento de
competências, por meio da aplicação
de atividades alternativas, quando necessário,
durante o acompanhamento
personalizado.
A metodologia A2COMP foi elaborada
para ser aplicada durante o processo
de realização de um curso de EAD. Os
passos são desencadeados a partir da
aprovação do plano de curso, no modelo
de competências, pela equipe de suporte
técnico-pedagógico da Instituição.
Os atores envolvidos na metodologia
estão divididos, genericamente, entre
formadores e participantes. Dependendo
do porte da instituição, de suas condições
técnicas, complexidade do curso,
número de alunos e do nível de conhecimento
de seus colaboradores, um formador
poderá assumir várias funções
dentro da equipe e seus respectivos papéis
(descritos na tabela 1):

A definição de responsabilidades e
de papéis para cada ator envolvido na
organização e execução do curso é uma
implementação das sugestões de melhoria
propostas, diante das dificuldades
observadas no primeiro curso.
A metodologia está dividida em quatro
fases, descritas na tabela 2:

Para o desenvolvimento da metodologia
A2COMP, utilizou-se a estrutura
tecnológica existente na entidade. As fer-
ramentas que apoiaram a realização, o
acompanhamento do curso e a tomada
de decisão estão ilustradas na figura 1.

Para a realização do curso, o ambiente
virtual adotado pela entidade foi o
TelEduc15, da Unicamp, que continuou
o mesmo do primeiro curso devido os
seguintes fatores: facilidade de uso por
pessoas que tinham pouca experiência
em informática; flexibilidade na sua utilização,
permitindo inserir diversos tipos
de arquivos; funções objetivas que
foram facilmente identificadas pelos usuários;
e não havia custos para a entidade,
visto que trata-se de um software livre.
Para apoiar a tomada de decisão na
avaliação diagnóstica do perfil do aluno
(fase 2) e na avaliação do módulo
(fase 4), optou-se pelo software Netica,
desenvolvido pela Norsys Software Corp.
para gerar as redes bayesianas. Esse programa
mostra, por meio de diagramas,
a representação da organização do conhecimento,
através do mapeamento
entre causas e efeitos. É uma solução
recomendada para sugerir alternativas
em situações de incerteza. A escolha do
Netica deve-se aos seguintes fatores: disponibilidade
da versão para download
(descarga) na internet, facilidade de operação
na montagem dos diagramas, visualização
que expressa uma clara compreensão
do processo, compatibilidade
com arquivos-texto e rápida formulação
dos resultados.
No acompanhamento do curso, foram
utilizados os aplicativos de edição
de textos, planilha eletrônica e gerenciamento
de banco de dados, visando
garantir a compatibilidade e portabilidade
com os programas utilizados pela
entidade.
A APLICAÇÃO DA
METODOLOGIA A2COMP
A aplicação da metodologia obedeceu
às quatro fases propostas: inicial,
avaliação diagnóstica, acompanhamento
e final. Foi testada em um
curso da Educação Corporativa de formação
de tutores virtuais com 120
horas-aula, das quais 40 eram a distância,
no período de junho a agosto
de 2004. Participaram 19 alunos da
capital e do interior. Antes do início
do curso, os tutores receberam o plano
do curso para análise e orientações
sobre o papel do tutor, descrito na
tabela 1.
A seguir, será feita a apresentação dos
passos da metodologia executados, as
observações feitas e os resultados.
Fase 1 – Elaboração do Plano de
Ação Docente (PAD)
Os professores elaboraram os Planos
de Ação Docente (PAD) de acordo
com o modelo fornecido no editor de
textos Microsoft Word. Os dados dos
planos foram transferidos pela coordenação
para o sistema de acompanhamento
desenvolvido no Microsoft Access.
A figura 2 mostra a tela de entrada
de dados do PAD no formulário do
Microsoft Access para registro:

A inclusão dos campos Conhecimentos,
Habilidades e Atitudes (CHA) melhorou
a definição dos demais elementos
do PAD para os tutores que ainda
não estavam habituados a trabalhar com
competências. As articulações dos elementos
do PAD ficaram mais consistentes
e claras. Por exemplo, a partir da
definição das habilidades, ficou mais fácil
para o tutor estabelecer quais os conhecimentos
necessários para a sua execução
(das habilidades), assim como as atitudes
requeridas. Dessa forma, o tutor
pôde verificar se os procedimentos metodológicos
estavam realmente adequados,
se os recursos enumerados
ajudariam na mediação da aprendizagem
e, também, se os indicadores
mostrariam o desenvolvimento da
competência que foi especificada dentro
da carga horária sugerida.
Fase 2 – Avaliação diagnóstica do
perfil do aluno
No primeiro dia do curso, os alunos
tiveram acesso ao ambiente virtual e foram
orientados a preencher o formulário
online que foi disponibilizado por meio
de um link. As perguntas foram montadas
com base na sugestão de Pallof e
Pratt16 (2002) e adaptadas ao contexto da
Educação Profissional.
A avaliação diagnóstica do perfil
do aluno não tinha a intenção de verificar
conhecimentos, mas sim, avaliar
a predisposição do aluno para o estudo
a distância, de maneira que os formadores
pudessem acompanhá-lo
com maior segurança, além de conhecer
um pouco mais sobre suas características.
Foi o primeiro passo para a
personalização, pois, ao saber um
pouco mais a respeito do aluno, o
tutor pode direcionar melhor o trabalho
em relação a ele.
Depois de clicar no botão Enviar, o
aluno recebeu um resultado online; além
disso, as respostas foram salvas no servidor
em um arquivo no formato texto,
identificados pelo login do aluno. Dos 19
alunos que preencheram o formulário,
três precisavam ajustar sua rotina para a
EAD e foram orientados neste sentido.
Os demais participantes estavam preparados
para o estudo a distância. Além
desse retorno, as opções feitas foram
armazenadas para serem trabalhadas ao
longo do curso.
A coordenação do curso reuniu os
arquivos-texto para análise na rede bayesiana
de diagnóstico. As questões na rede
bayesiana foram agrupadas em três categorias
descritas na tabela 3.

A rede bayesiana foi a solução adequada
para esta compilação de dados,
por tratar de um caso de incerteza, no
qual não há teoria que possa explicar as
observações feitas. Seu uso também se
justifica no fato de que é o grau de
crença nas evidências, o que melhor
proporciona representar as situações.
Por exemplo, acredita-se que um aluno
que possui acesso tanto do trabalho,
quanto de sua residência tem 50%
de chances de sair-se bem em um curso
a distância, em relação aos 25% de
chances de cada item isolado (só do
trabalho ou só de casa). No software
Netica, cada arquivo-texto dos alunos
é considerado um caso. A figura 3
mostra a situação de um aluno analisada
na rede bayesiana.

A análise dos dados, na forma gráfica,
mostrou-se mais amigável, e os agrupamentos
facilitaram a compreensão. As
informações no formato texto foram
enviadas em arquivo para os tutores, por
e-mail, e foram atualizadas no formulário
de acompanhamento das atividades por
aluno para facilitar a visualização, à medida
que os lançamentos, referentes às
tarefas, eram feitos. Serviu para que o
tutor pudesse conhecer um pouco mais
sobre seu futuro aluno e também como
exercício de auto-conhecimento para o
próprio participante.
Fase 3 – O Acompanhamento
O acompanhamento dos alunos foi
feito utilizando-se o gerenciador de banco
de dados Microsoft Access, para registro
das observações e dos gráficos de
acesso que serão detalhados a seguir.
1. REGISTROS DAS ATIVIDADES E
OBSERVAÇÕES
As tarefas a serem realizadas durante
o curso foram disponibilizadas na ferra-menta do ambiente virtual Atividades,
utilizando a seguinte nomenclatura de
identificação:
Atividade [n.º] – [Título da atividade]
As atividades que exigiam acompanhamento
também foram inseridas no
Microsoft Access, para permitir o registro
à medida em que os alunos fossem
concluindo. Na observação realizada,
foram verificadas de três a cinco interações
diárias no ambiente, realizadas por
participantes diferentes, que mereciam
registros, visto que executavam tarefas
em tempos diferenciados, presumidamente
de acordo com sua disponibilidade.
O tutor pôde acompanhar o aluno
visualizando as informações lançadas de
duas formas: uma delas foi a visão por
atividade, que permitiu verificar a situação
geral de todos os alunos para uma
dada tarefa. A outra, a visão por aluno,
que mostrou todas as atividades realizadas
e suas observações para cada aluno.
A visualização por atividade permitiu
ao tutor verificar o aluno que estavapendente, podendo, nesse caso, tomar
as providências necessárias para que o
mesmo pudesse acompanhar os demais,
dentro de suas possibilidades e ritmos.
Foi útil por disponibilizar uma visão
geral do grupo. O campo de Observação/
Desempenho permitiu inserir comentários-
texto que ajudaram na avaliação
individual do aluno, trabalhando de
forma qualitativa.
Na visão por aluno, o tutor pôde
verificar o perfil do aluno e as atividades
realizadas. Essa maneira de visualizar
ajudou a entender melhor o aluno
dentro de suas características, possibilitou
verificar a evolução das tarefas
realizadas, as alterações do perfil,
indicando o desenvolvimento de competências
atitudinais.
Os dois formulários permitiram
igualmente a atualização dos dados sobre
o perfil, a atividade realizada, os
comentários e os conceitos. Vale lembrar
que toda forma de registro sobre os
alunos contribui para a verificação do
desenvolvimento das competências.
2. GRÁFICOS DE ACESSO
O objetivo dos gráficos é mostrar ao
aluno sua participação em relação ao grupo.
Os gráficos foram enviados todas as
segundas-feiras, computando as informações
do período da segunda-feira
anterior até o domingo. Para isso, foi
utilizada a ferramenta Acessos do ambiente
virtual e as opções de Relatórios de
Acessos, que mostram o número total do
início até a data atual; e de Freqüência, que
permite escolher a ferramenta e o período
a serem analisados.
A partir de um comando do ambiente
virtual, as informações foram salvas
em um arquivo no formato html17. Em
seguida, este arquivo html foi aberto na
planilha eletrônica Microsoft Excel, para
que os dados fossem compilados e, a
partir deles, os gráficos fossem gerados.
A figura 4 ilustra o exemplo do
gráfico de uma das participantes. A
barra mais escura corresponde à média
da turma, e a barra mais clara, aos
acessos da aluna:

Nas primeiras semanas, como tratava-
se de um exercício de reconhecimento
do ambiente, foi considerada a maioria
das ferramentas. Dessa forma, o aluno
pôde visualizar o seu nível de utilização
em relação aos demais membros do grupo.
Nos módulos seguintes, foram encaminhadas
apenas as informações relativas
aos acessos às ferramentas solicitadas
nas atividades propostas.
Os gráficos foram enviados semanalmente
a cada um dos alunos, utilizando a
ferramenta Correio do ambiente virtual.
Quando o nível de confiança do grupo
estava estabelecido, os gráficos, identificados
pelo nome, foram disponibilizados
para download (descarga) na ferramenta
Material de Apoio. Os alunos deviam analisar
seus gráficos; elaborar um plano pessoal
para melhorar o desempenho nas semanas
seguintes e deixá-lo disponível no seu
Diário de Bordo, para os comentários e
orientações do tutor.
Houve um aumento no número de
acessos às noites das segundas e terçasfeiras,
demonstrando que os alunos
buscavam seus resultados com uma certa
ansiedade. De forma espontânea, os
participantes comparavam os resultados
recentes com os gráficos das semanas
anteriores e faziam os seus comentários
no Diário de Bordo, demonstrando
amadurecimento na autonomia no gerenciamento
de seu desempenho.
3. ANÁLISE DO PERFIL
Depois que o aluno recebeu o gráfico
da primeira semana, foi enviado também
a cada um deles o arquivo com o
texto do seu perfil para análise. Foi percebida
uma tomada de consciência acerca
de seus limites e possibilidades, configurando
em um exercício de auto-conhecimento
que também ajudou no
gerenciamento do seu aprendizado.
A decisão de encaminhar o perfil,
depois de algum tempo, foi tomada,
para que o aluno pudesse vivenciar um
pouco do curso e, assim, obter parâmetros
para formular sua análise.
Fase 4 – A rede de avaliação do
módulo
A rede de avaliação do módulo foi
utilizada em duas situações: na incerteza
quanto ao desempenho de um aluno e
no final do módulo, para consolidar os
resultados. Os aspectos analisados na
rede bayesiana também foram agrupadas
em três categorias, descritas na tabela 4,
levantadas com base nas contribuições
de Palloff e Pratt (2002)18

A utilização da rede deu ao tutor maior
segurança na hora de atribuir o conceito
final, porque ajudou a refletir a situação do
aluno sob uma visão sistêmica.
Nesse processo, não foi feita a importação
de arquivo, mas sim, a alteração
dos dados na própria rede, porque
não houve tempo suficiente para montar
uma rotina que utilizasse as informações
do ambiente. Por outro lado,
na análise de competências, essa forma
de avaliar fez com que o tutor refletisse
de forma qualitativa sobre a demonstração
das articulações feitas pelo aluno,
nos diálogos e nas participações.
Essa avaliação seria difícil, e até injusta,
se fosse feita pela simples quantificação
das entradas nas ferramentas do
ambiente. A figura 5, mostra o exemplo
da situação de um aluno na rede
bayesiana de avaliação.

No exemplo da figura 5 , o aluno
demonstrou um resultado parcial Muito
Bom (MB) em relação ao trabalhos
entregues; Bom (B) na colaboração e
Bom (B) no diálogo com o grupo. A
resposta final dessa situação ou módulo
foi Bom (B).
Os resultados foram transferidos
para o Microsoft Access e os alunos
receberam o resultado em arquivo pelo
correio do ambiente. Para sua composição,
foram escolhidos os seguintes
indicadores, em consenso com a
Unidade de Serviços Técnico-Pedagógicos:
capacidade de auto-avaliar
seu progresso; comportamento ético;
interação com o grupo; assiduidade
na entrega das tarefas; execução
das atividades de maneira correta; capacidade
de desenvolver respostas
originais e eficazes para problemas
novos; e, capacidade de gerenciar seu
aprendizado.
O retorno dos alunos foi muito
positivo. Eles foram convidados a comentar
os resultados no papel de aluno
e também no papel de futuros
tutores em um dos fóruns.
No final de cada módulo, foi feita
uma avaliação de reação incluindo
pontos positivos, negativos e sugestões
que foram analisadas e implementadas,
objetivando a melhoria dos
módulos seguintes.
RESULTADOS E
CONSIDERAÇÕES
Em comparação com a primeira experiência,
houve uma grande evolução.
A participação e os resultados foram
bem melhores.
Na tabela 5, estão os recursos que
foram mais utilizados pelos alunos (para
esse cálculo, foram excluídas as participações
dos formadores):

O maior número de acessos de um
aluno foi 402, e o menor 60, levando-se
em consideração apenas os alunos ativos.
Todos os alunos desenvolveram as
competências propostas nos módulos.
Em relação às dificuldades, houve
problemas, no início das atividades, para
dar acesso ao ambiente virtual aos alunos.
Tudo foi solucionado pelo suporte
técnico. Também houve problemas, em
alguns finais de semana, devido à reforma
da sede, provocando o desligamento
dos servidores. Os alunos da capital e do
interior que aproveitavam os finais de
semana para colocar em dia os estudos,
utilizando o ambiente virtual, não puderam
ter acesso. A equipe de suporte
técnico justificou as ocorrências e as providências
foram tomadas para que isso
não se repetisse.
O tempo despendido pela coordenação
para o acompanhamento do curso
oscilava de 30 minutos a 1h30min por
dia, de segunda à sexta-feira. Na maioria
das vezes, 40 minutos ao dia eram suficientes
para a verificação dos acessos,
correções, retornos e as inclusões no
sistema. Na média, cinco alunos acessavam
diariamente o ambiente e faziam
suas interações, colocações e atividades.
CONCLUSÃO
A aplicação da metodologia A2COMP
em um curso virtual mostrou-se eficaz.
Os instrumentais utilizados foram validados
pelos próprios participantes, que
expressaram seu valor em seus comentários
e opiniões.
A metodologia A2COMP mostrou
que é possível avaliar competências na
EAD no contexto da Educação Profissional.
Mostrou também que o impacto
da subjetividade é dissipado com o apoio
das redes bayesianas, que auxiliaram no
diagnóstico e na avaliação do aluno. O
conhecimento do perfil do aluno facilitou
o diálogo e a negociação das aprendizagens,
que foram adaptadas a seus
ritmos e diferenças.
Proporcionou uma melhor organização
do curso, disponibilizando informações
claras, objetivas, critérios e prazos
bem definidos e distribuição de papéis
bem delineados. O Plano de Ação
Docente (PAD), adaptado para a EAD,
contribuiu para o desenvolvimento do
trabalho de forma mais segura.
A metodologia fez com que os alunos
gerenciassem suas aprendizagens de forma
autônoma. Como valor agregado, foi
criada uma comunidade virtual comprometida,
que continua partilhando experiências,
mesmo após o término do curso.
Alguns aperfeiçoamentos, entre eles: a
automatização da geração dos gráficos de
acesso e resultado das redes; a utilização
dos dados do banco do ambiente virtual,
para facilitar as compilações, que não existiam
na época do experimento, já foram
implementadas. Outras serão ainda estudadas
para futuras complementações.
A partir deste ponto, alguns estudos
já estão em projeto, como a sua aplicação
em cursos de EAD que não utilizam
ambientes virtuais, com adaptações; assim,
como novas experiências, levandose
em conta outros ambientes virtuais e
outros domínios da educação; além de
estudos do impacto da metodologia na
criação de comunidades virtuais.
Esta metodologia vem estreitar os
laços entre educação e tecnologia, favorecendo
o diálogo em benefício do desenvolvimento
de profissionais mais conscientes,
criativos e capazes.
NOTAS:
1 BRASIL. Leis, Decretos. Lei n.º 9.394, de 23
de dezembro de 1996. Diário Oficial [da]
Republica Federativa do Brasil, Brasília,
v. 134, n. 248, pp. 27833-27841, 23 dez. 1987.
Estabelece as diretrizes e bases da educação
nacional. Texto integral da lei de diretrizes
e bases da educação nacional.
2 Id. Decreto n. 2.208, de 17 de abril de 1997.
Diário Oficial [da] Republica Federativa
do Brasil, Brasília, v. 135, n. 74, pp. 7760-
7761, 18 abr. 1997. Regulamenta o parágrafo
2 do art. 36 e os art. 30 a 42 da Lei n.º 9.394,
de 20 de dezembro de 1996, que estabelece
as diretrizes e bases da educação nacional.
3 CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO
(Brasil). Câmara de Educação Básica. Parecer
n.º 16/99, aprovado em 05 de outubro
de 1999. Documenta, Brasília, n. 457, pp. 3-
73, out. 1999. Fixa as Diretrizes Curriculares
Nacionais para a Educação Profissional
de nível técnico.
4 Id. Resolução CEB n.º 4/99, aprovado em
08 de dezembro de 1999. Documenta,
Brasília, n. 459, p. 277-306, dez. 1999. Institui
as Diretrizes Curriculares Nacionais para a
Educação Profissional de nível técnico.
5 BRASIL, Ministério da Educação e Cultura.
Educação profissional: referenciais curriculares
nacionais da educação profissional
de nível técnico. Brasília, 2000. p. 96.
6 PERRENOUD, Phillippe. Construir as
competências desde a escola. Porto Alegre:
Artes Médicas Sul, 1999. p. 7.
7 LUCENA, Carlos; FUKS, Hugo. A educação
na era da Internet: professores e aprendizes
na web. Rio de Janeiro: Clube do
Futuro, 2000.
8 PERRENOUD, Phillippe. Avaliação: da
excelência à regulação das aprendizagens.
Entre duas lógicas. Tradução de: Patrícia
Chitoni Barros. Porto Alegre: Artes Médicas,
1999.
9 LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da
aprendizagem escolar. São Paulo: Cortez,
1995.
10 PERRENOUD, Phillippe. Dez novas competências
para ensinar. Trad. de Patrícia
Chitoni Barros. Porto Alegre: Artes Médicas,
2000.
11 PETERS, Otto. Didática do ensino a
distância. Trad. de Ilson Kayser. São Leopoldo:
Unisinos, 2001. pp. 63-66.
12 DEPRESBITERES, Léa. Avaliação : avaliando
competências na escola de alguns ou na
escola de todos? Boletim Técnico do Senac,
Rio de Janeiro, v. 27, n.3, pp. 37-47, set./
dez., 2001.
13 RIBEIRO, Victoria Maria Brandt. O planejamento
e a avaliação. Rio de Janeiro
: SENAC/DMM/CPRTV, 2000. 1 fita de
vídeo (27 min), VHS, color. Parte integrante
do kit do Curso de Especialização
em Educação a Distancia. Inclui livro de
orientações. Acompanha 2 CD-ROMs e
um disquete.
14 Rede de crença ou rede bayesiana é uma
ferramenta utilizada para representar o raciocínio
diante da incerteza que se baseia
no teorema de probabilidade de Bayes.
Nome deriva da utilização da fórmula
matemática para o cálculo de probabilidades
estabelecida pelo reverendo Thomas
Bayes (1763). As redes bayesianas são utilizadas
na inteligência artificial desde 1960, em
especial na área médica, mas também são
encontradas nas aplicações: jurídicas, de
negócios, de reparo de automóveis, de
encontros, entre outras.
15 TelEduc foi desenvolvido por pesquisadores
do Núcleo de Informática Aplicada à
Educação – Nied, da Universidade Estadual
de Campinas – Unicamp. A versão 3.1.8
foi utilizada nas duas situações (o curso
observado e o experimento).
16 PALLOFF, Rena M.; PRATT, Keith. Construindo
comunidades de aprendizagem
no ciberespaço. Trad. de Vinícius Figueira.
Porto Alegre: Artmed, 2002. pp. 185-186.
17 Hypertext Markup Language – Linguagem
de marcação de texto utilizada para construção
de páginas na internet.
18 PALLOFF, Rena M.; PRATT, Keith. (2002)
op. cit., pp. 176-180.
RESUMEN
Lane Primo. Evaluación de competencias
en cursos de EAD:
relato de experiencia.
Este artículo relata la experiencia de
la aplicación de la metodología
A2COMP – Acompañamiento de
Cursos de EAD y Evaluación de
Competencias, en un programa de Educación
Corporativa del Senac/CE.
Tal metodología apoya al tutor en la
tarea de evaluar el desarrollo de competencias
de los alumnos, respeta sus
diferencias y ritmos y aplica conceptos
de sistemas de computación al tratamiento
de incertidumbres. La metodología
posee las siguientes características:
es formativa, estimula la negociación
y la autonomía del alumno al
administrar su propio aprendizaje y
permite desarrollar competencias sociales
y profesionales.
Palabras-clave: Evaluación; Competencias;
Educación a Distancia;
Toma de Decisión.